A acusação de que havia ratos no cabelo da trabalhadora não apareceu apenas uma vez durante uma discussão. A gerente repetia a frase diante de colegas e ligava a aparência da funcionária à sujeira dentro do supermercado.
Por que a gerente dizia que havia ratos no cabelo?
O caso aconteceu em um supermercado de Araguari, no Triângulo Mineiro. Segundo uma testemunha, a gerente afirmava diante de outros empregados que a trabalhadora levava ratos escondidos no cabelo para dentro da empresa.
O comentário atingia diretamente a aparência e a identidade da funcionária. O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região classificou a conduta como preconceituosa e racista.
As falas ocorreram apenas em uma discussão isolada?
As provas indicaram repetição. A declaração era feita no ambiente de trabalho e na presença de outras pessoas, o que ampliava o constrangimento.
- Autora: a fala partia de uma gerente do supermercado.
- Alvo: uma empregada subordinada à chefia.
- Conteúdo: o cabelo era associado a ratos e falta de higiene.
- Ambiente: os comentários ocorriam dentro da empresa.
- Testemunhas: outros funcionários ouviam as declarações.
- Repetição: não se tratou de uma frase única e sem continuidade.

Por que a fala foi considerada racista?
A associação de cabelos de pessoas negras com sujeira, animais ou falta de higiene reproduz estereótipos racistas. A ofensa não depende do uso de uma palavra racial explícita para atingir a dignidade da trabalhadora.
A relatora destacou que o comportamento ultrapassou uma cobrança profissional ou brincadeira inadequada. A fala diminuía a empregada por uma característica ligada à sua identidade.
Por que o supermercado respondeu pelo comportamento da gerente?
A gerente exercia função de chefia e atuava como representante da empresa no ambiente de trabalho. O empregador possui o dever de impedir humilhações, discriminação e abusos praticados por seus prepostos.
A responsabilidade não desaparece pelo fato de a frase ter sido pronunciada por uma funcionária específica. A empresa responde pela forma como o poder de direção é exercido dentro do estabelecimento.
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Qual indenização foi mantida?
A 9ª Turma do TRT-MG manteve a reparação de R$ 5 mil por danos morais. Tanto a trabalhadora quanto o supermercado haviam questionado pontos da sentença.
Uma piada feita pela chefia pode gerar dano moral?
Pode, quando atinge a honra, a identidade ou a dignidade do empregado. O nome dado pelo agressor à fala não impede que seu conteúdo seja analisado como humilhação ou discriminação.
O caso não significa que toda discussão no trabalho resulte em indenização. Repetição, posição hierárquica, testemunhas, conteúdo racista e impacto sobre a vítima foram fatores importantes.




