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Cientistas mantiveram voluntários acordados por quase 28 horas e descobriram mudanças nas conexões do cérebro

Gabriel Martins Por Gabriel Martins
16/07/2026
Em Curiosidades
Cientistas mantiveram voluntários acordados por quase 28 horas e descobriram mudanças nas conexões do cérebro

A restrição de repouso desorganiza processos metabólicos cruciais ao funcionamento do corpo.

Passar 24 horas acordado vai muito além de se sentir cansado no dia seguinte. Hoje se sabe que uma única noite em claro já causa alterações mensuráveis no cérebro, afetando conexões entre neurônios, processamento de informações, regulação de energia e o equilíbrio interno do corpo, a chamada homeostase. Em poucas horas sem dormir, áreas ligadas à memória, atenção, decisões, metabolismo, sistema imunológico e hormônios já começam a responder ao impacto da privação de sono.

O que acontece no cérebro após 24 horas sem dormir

Quando uma pessoa permanece acordada por cerca de 24 horas, o cérebro continua em atividade máxima, recebendo estímulos e tentando manter o desempenho das funções cognitivas. Pesquisadores do Instituto de Neurociência e Medicina Forschungszentrum Jülich, na Alemanha, usaram tomografia por emissão de pósitrons (PET) em 40 voluntários saudáveis para observar esse fenômeno.

Após aproximadamente 28 horas de vigília contínua, a equipe liderada por David Elmenhorst encontrou níveis mais altos de SV2A, um marcador associado às sinapses, em várias regiões do cérebro. Entre elas estavam o hipocampo, essencial para a formação de memórias, e o tálamo, que organiza informações sensoriais, indicando aumento temporário da densidade sináptica.

Cientistas mantiveram voluntários acordados por quase 28 horas e descobriram mudanças nas conexões do cérebro
Uma noite em claro altera conexões neurais ligadas ao hipocampo.

Como o cérebro tenta se equilibrar depois de uma noite em claro

Os pesquisadores destacam que o SV2A é um indicador indireto das conexões entre neurônios e que os aumentos observados foram discretos, mas significativos. Esses achados reforçam o modelo de homeostase sináptica do sono, segundo o qual, ao longo do dia, as conexões se fortalecem e se acumulam, exigindo mais energia e recursos.

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O sono atuaria como um “reset” dessas ligações, ajudando a reduzir excessos e restaurar o equilíbrio. Assim, uma única noite sem dormir não causa apenas fadiga: ela se associa a mudanças mensuráveis nas conexões neurais e aumenta a necessidade de um sono profundo reparador para reorganizar o sistema nervoso.

Como o sono ajuda o cérebro a se recuperar da privação

No mesmo estudo, os cientistas acompanharam o que acontece quando, após o período prolongado acordado, a pessoa finalmente dorme. Participantes que fizeram um cochilo de cerca de duas horas apresentaram uma relação clara entre níveis mais altos de SV2A e aumento da atividade de ondas lentas, típicas do sono profundo.

Essa fase é crucial para a restauração cerebral, pois promove um “ajuste fino” das sinapses: algumas conexões são fortalecidas e outras, menos úteis, são reduzidas. Isso economiza energia, melhora a eficiência do processamento de informações e favorece a consolidação de memórias, preparando o cérebro para um novo ciclo de atividades cognitivas e emocionais.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Ciência Todo Dia falando sobre o que acontece com nosso corpo e nosso cérebro quando nos privamos de dormir.

Quais são os efeitos de 24 horas sem dormir no corpo e na rotina

Além das mudanças no cérebro, uma noite em claro afeta diretamente a forma como você age e se sente no dia seguinte. A privação de sono prejudica atenção, memória de trabalho e tomada de decisões, aumentando o risco de erros ao dirigir, operar máquinas ou realizar tarefas que exigem foco constante.

No corpo, diversos efeitos físicos podem aparecer em poucas horas de vigília contínua:

  • Aumento do estresse fisiológico, com elevação de hormônios como o cortisol.
  • Desregulação do metabolismo, alterando o uso de glicose e lipídios.
  • Impacto na resposta imunológica, deixando o organismo mais vulnerável a infecções.
  • Alteração de hormônios do apetite, como grelina e leptina, com mais fome e preferência por alimentos calóricos.

Por que você deve priorizar o sono agora

Mesmo que episódios isolados de insônia não tenham o mesmo peso da privação crônica, as evidências mostram que apenas 24 horas acordado já desorganizam, ainda que de forma temporária, o equilíbrio entre cérebro e corpo. Em um cenário de rotinas intensas, trabalho em turnos e uso prolongado de telas, respeitar o sono deixa de ser luxo e passa a ser estratégia de proteção da saúde.

Se você vem acumulando noites mal dormidas, encare isso como um alerta urgente: reorganize sua rotina, retome horários regulares de descanso e busque ajuda profissional se necessário. Cuidar do sono hoje pode evitar problemas cognitivos, emocionais e físicos amanhã — não adie essa decisão.

Tags: Cérebroprivação de sonosaúde do sono

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