Os ventos alísios redesenham a paisagem todos os dias. Genipabu, no município de Extremoz, entrega um cenário de deserto a menos de meia hora da capital do Rio Grande do Norte, com lagoa cristalina, mar aberto e um som constante de buggys pisando na areia.
A vila potiguar que virou cartão-postal de novela
Antes das câmeras, vieram os guerreiros. Em 1631, tropas holandesas desembarcaram na região na tentativa de tomar a capitania do Rio Grande, e os índios potiguares resistiram por décadas nas terras da foz do rio Ceará-Mirim. O nome vem da língua tupi: jenipab-u significa “rio dos jenipapos”, em referência ao fruto do jenipapeiro nativo do litoral nordestino.
Séculos depois, a mesma areia virou set de televisão. As dunas apareceram em Cambalacho (1986), Tieta (1989), O Clone (2001), quando simularam o deserto do Marrocos, e Flor do Caribe (2013), que rebatizou a vila como a fictícia Vila dos Ventos. Em 2023, a praia entrou no ranking Travellers’ Choice do TripAdvisor como uma das mais bonitas da América do Sul.

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Uma área de proteção ambiental com 1.881 hectares
Toda a região faz parte da Área de Proteção Ambiental Jenipabu (APAJ), criada em 17 de maio de 1995 pelo Decreto Estadual nº 12.620. A unidade cobre 1.881 hectares, sendo 96,9% em Extremoz e 3,1% em Natal, e protege dunas móveis, Mata Atlântica, manguezal, lagoas e nascentes.
A gestão é do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA), que credencia os bugueiros permitidos a circular na área. Veículos particulares, quadriciclos e motos estão proibidos no campo dunar, com multas que vão de R$ 500 a R$ 10 mil.

O que fazer em Genipabu além do passeio de buggy?
O tour clássico é o buggy do litoral norte, com duração de 4 a 6 horas e paradas em 8 praias e duas lagoas. Guia deve ser credenciado pela Secretaria de Turismo do Rio Grande do Norte, com selo Permissionário.
- Buggy com ou sem emoção: a pergunta clássica do bugueiro define o passeio. Com emoção, manobras nas cristas das dunas e descidas íngremes no Caldeirão do Diabo. Sem emoção, paradas para foto.
- Passeio de dromedário: percurso de 20 minutos pelas dunas, com turbante para as fotos. Os animais foram introduzidos na década de 1990 e se adaptaram ao clima.
- Lagoa de Jacumã: parada obrigatória do roteiro longo, com aerobunda (tirolesa), esquibunda e kamikaze. Cada descida custa em torno de R$ 15.
- Lagoa de Genipabu: banho proibido, mas o mirante entrega o clássico contraste da água azul entre paredões de areia.
- Pôr do sol na duna do Bar 21: primeiro cartão-postal turístico do estado. A visão do sol descendo sobre o mar reúne moradores e turistas todo fim de tarde.
- Balsa do rio Ceará-Mirim: travessia artesanal do rio para acessar as praias de Barra do Rio, Graçandu e Pitangui. Taxa em torno de R$ 60 por buggy.
Quem quer vivenciar aventuras inesquecíveis nas dunas nordestinas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal ARRUDA HOBBIES, que conta com mais de 90 mil visualizações, onde o narrador mostra o Saara do Nordeste, o tradicional passeio de dromedários e a belíssima lagoa de Genipabu:
Como é o clima de Genipabu durante o ano?
O sol reina o ano todo, com cerca de 300 dias de céu aberto por ano em Natal. A temperatura média anual gira em torno de 26°C, com ventos constantes que amenizam o calor nas dunas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Genipabu saindo de Belo Horizonte
De Belo Horizonte, o caminho mais rápido é de avião. Há voos diretos ao Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, a cerca de 40 km da praia. De Natal, são 20 km pela Ponte Newton Navarro, com traslado em torno de 40 minutos.
De carro, a viagem passa dos 2.500 km pela BR-116 e BR-101, com tempo médio de 30 horas. A maioria dos visitantes prefere pousar em Natal, ficar em Ponta Negra e contratar o passeio de buggy nos hotéis ou agências da orla.
Conheça o pedaço de deserto que fica na beira do Atlântico
Genipabu junta o que pouca praia brasileira consegue entregar ao mesmo tempo: adrenalina no buggy, água doce entre montanhas de areia e um pôr do sol que a TV já mostrou para o país inteiro.
Você precisa subir a duna do Bar 21 no fim da tarde e entender por que o Saara do Nordeste virou uma parada obrigatória de quem visita Natal.




