Quem anda de moto na Europa precisa prestar atenção a uma mudança que entrou em vigor em 2026: na Espanha, luvas certificadas e calçado que cobre o tornozelo passaram a ser exigência legal, com multa de até 200 euros e perda de pontos para quem descumprir. O capacete continua sendo o único equipamento obrigatório na maioria dos países europeus, mas a tendência de ampliar a lista de proteção muda esse quadro. Por trás da lei estão normas europeias de segurança e dados que mostram o impacto concreto do equipamento correto na redução de lesões.
O que mudou na Espanha a partir de 2026?
A autoridade de trânsito espanhola, a DGT, passou a exigir o uso de luvas com certificação EN 13594 e de calçado que cubra completamente o pé e o tornozelo em todas as vias públicas. Sandálias, chinelos e luvas sem dedos deixaram de ser permitidos. A multa por descumprir é de 200 euros e pode resultar em perda de até 4 pontos na carteira de habilitação.
As novas exigências da Espanha em 2026 incluem:
- Luvas com certificação EN 13594, que testa resistência à abrasão e integridade das costuras.
- Calçado fechado cobrindo o pé e o tornozelo, com recomendação de botas EN 13634.
- Proibição de sandálias, chinelos e sapatos abertos de qualquer tipo.
- Escolas de condução obrigadas a fornecer coletes de airbag para alunos e instrutores.

Todos os países europeus exigem luvas e botas?
Não. Na maior parte da Europa, o capacete ainda é o único equipamento de proteção exigido por lei de trânsito para motociclistas. Luvas, botas e roupas técnicas são amplamente recomendadas, mas não impostas pela legislação da maioria dos países, segundo levantamento comparativo da BMW Motorrad Europe.
O quadro a seguir resume a situação geral nos países da região:
| Equipamento | Status na maioria da UE | Status na Espanha em 2026 |
|---|---|---|
| Capacete | Obrigatório | Obrigatório |
| Luvas certificadas | Recomendado | Obrigatório (EN 13594) |
| Calçado técnico | Recomendado | Obrigatório (cobre tornozelo) |
| Colete airbag (escolas) | Varia | Obrigatório em autoescolas |
O que as normas europeias exigem das luvas e botas?
O regulamento europeu de Equipamentos de Proteção Individual, o Regulamento (UE) 2016/425, classifica luvas e botas de moto como EPI de Categoria II, o que exige certificação por laboratório independente antes de qualquer produto ser comercializado na UE. A marcação CE no equipamento confirma essa conformidade, conforme detalha a Eurofins.
Cada item tem uma norma própria que define os testes obrigatórios:
- Luvas: norma EN 13594, com dois níveis de proteção, o nível 2 sendo o mais robusto.
- Botas: norma EN 13634, que avalia resistência à abrasão, penetração e esmagamento lateral.
- Na etiqueta das botas, mais números 2 indicam maior nível de proteção nas diferentes categorias de teste.

O equipamento faz diferença real em um acidente?
Os dados mostram que sim. Um estudo com mais de 900 motociclistas acidentados concluiu que usar jaqueta e luvas juntos reduz o risco de lesão nos membros superiores em 72%, enquanto usar só um dos dois já reduz em 64%. Para os membros inferiores, usar calça e botas juntas reduz o risco em 40%, e botas altas especificamente reduzem fraturas no pé e no tornozelo em 57%.
A proteção dos membros é especialmente relevante porque lesões nas extremidades costumam causar sequelas funcionais de longo prazo, mesmo quando o tronco e a cabeça saem ilesos. Por isso, a tendência legislativa europeia caminha para ampliar a exigência para além do capacete, e a Espanha é um dos primeiros países a formalizar essa mudança em lei.
O que esses dados significam para quem anda de moto?
A mudança europeia reforça o argumento técnico de que o capacete protege a cabeça, mas as mãos, os pés e os tornozelos ficam expostos nas quedas mais comuns, que envolvem arrasto no asfalto. Luvas e botas certificadas são feitas para resistir justamente a esse tipo de impacto, e o que a lei espanhola faz é transformar em obrigação o que especialistas em segurança viária já recomendavam há anos.
Para quem anda de moto, independentemente do país, a escolha do equipamento deve considerar as normas EN como referência. Verificar o selo CE e o número da norma na etiqueta interna das luvas e das botas é o caminho mais direto para saber se o produto foi testado de verdade, antes de confiar em qualquer promessa de fabricante.




