- Expansão acelerada: O Assaí está instalando mais de mil novos terminais de autoatendimento em suas lojas pelo Brasil, com mais de mil clientes por unidade utilizando os caixas diariamente.
- Preferência em alta: Pesquisa da APAS mostra que 7 em cada 10 brasileiros priorizam o self-checkout na hora de finalizar as compras no supermercado.
- Empregos em transformação: O setor supermercadista tinha 357 mil vagas abertas no Brasil em 2025, segundo a Abras, mas as novas funções ligadas à tecnologia surgem em ritmo mais lento.
Dois itens na mão, uma fila com dez pessoas na frente e aquela sensação de que o tempo parou. Quem faz compras em supermercado conhece bem esse cenário. Mas as maiores redes do varejo brasileiro decidiram encarar o problema de frente, e o caixa de autoatendimento está chegando de vez às lojas do país.
O que você precisa saber sobre o caixa de autoatendimento
O caixa de autoatendimento, também chamado de self-checkout, é um terminal com tela sensível ao toque, leitor de código de barras, maquininha de pagamento e opção de Pix. O cliente passa os próprios produtos, confere o valor na tela e paga sem precisar de um operador. Simples assim, pelo menos para a maioria das compras.
O Assaí foi um dos pioneiros no Brasil ao testar o sistema em 2022, na unidade Anhanguera, em São Paulo. A adesão foi tão grande que a rede anunciou a instalação de mais de mil novos terminais em todo o país, com mais de mil clientes por loja utilizando os equipamentos diariamente. O Carrefour expandiu os terminais para diferentes formatos de loja, enquanto o Atacadão apostou em uma estratégia distinta, focada na integração dos caixas ao sistema de estoque.

Como isso funciona na prática dentro do supermercado
No Carrefour, o autoatendimento foi expandido inclusive para os postos de combustíveis da rede. Ao implantar o sistema, o grupo registrou uma economia de 15 segundos por transação em relação ao caixa convencional, um dado que evidenciou o potencial da tecnologia para reduzir filas. De forma mais ampla, especialistas do setor apontam que o self-checkout pode diminuir o tempo de espera em até 30%.
O Atacadão apostou em uma abordagem diferente: integrar os terminais ao sistema de estoque da loja, atacando um problema clássico do varejo, que é a diferença entre o preço marcado na prateleira e o que aparece na hora de pagar. Com os caixas sincronizados em tempo real, esse tipo de erro cai bastante, e a experiência de compra fica mais confiável para o consumidor.
Autoatendimento: o que ainda trava e o que mais chama atenção
A tecnologia não resolve tudo de uma vez. As próprias redes deixam claro que os terminais funcionam melhor para cestas menores, com até 20 itens ou 50 quilos no caso do Assaí. Carrinho cheio ainda vai de caixa tradicional. Veja os principais pontos que podem travar o processo:
- Produto sem código de barras ou com etiqueta danificada exige a ajuda de um funcionário para concluir o registro
- Itens que precisam de pesagem no balcão, como frios e grãos a granel, não passam pelo terminal de autoatendimento
- Compras volumosas tornam o processo mais lento do que o caixa com operador experiente
- Público menos familiarizado com tecnologia, como muitos idosos, costuma evitar os terminais por insegurança
- Registro incorreto de itens é mais frequente no autoatendimento, o que representa um desafio de perdas para o varejo
Para reduzir as perdas, as redes investem em câmeras, balanças que verificam o peso da sacola e sensores que comparam o que foi registrado com o que está na área de embalagem. Mesmo assim, o furto no autoatendimento ainda é um desafio que o varejo mundial não solucionou por completo.
A rede testou o caixa de autoatendimento em 2022 e, com a adesão crescente dos clientes, anunciou a instalação de mais de mil novos terminais pelo Brasil.
Especialistas do setor apontam que o self-checkout pode reduzir o tempo de espera em até 30%, com impacto direto na experiência de compra e no fluxo diário das lojas.
Um funcionário hoje supervisiona até cinco terminais ao mesmo tempo, e novas funções técnicas surgem, mas ainda em ritmo inferior ao das vagas que se transformam.
Por que isso importa para quem faz compras no supermercado
A preferência pelo autoatendimento já é maioria entre os consumidores brasileiros. Pesquisa da Associação Paulista de Supermercados (APAS) mostra que 7 em cada 10 brasileiros priorizam o self-checkout na hora de finalizar as compras. O dado, divulgado em 2024, confirma que a mudança de comportamento do consumidor chegou antes mesmo de a tecnologia se popularizar de vez nas lojas.
Para o emprego no setor, o cenário é mais complexo. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontou 357 mil vagas abertas no país ao fim de 2025. As redes argumentam que a tecnologia preenche posições que não conseguem ocupar com pessoas, mas a criação de novas funções, como técnico de manutenção dos terminais, ainda não acompanha o mesmo ritmo das transformações.

O que mais você precisa saber sobre o autoatendimento no varejo
Supermercados médios e redes regionais já começam a testar os terminais, mas em passos mais lentos, pois o custo da tecnologia pesa mais para operações menores. Em cidades do interior, o caixa com operador deve continuar sendo o modelo principal por um bom tempo. A tendência, porém, é clara: o varejo brasileiro está reescrevendo o ritual da compra do dia a dia, e a mudança já começou bem antes de a maioria perceber.
A fila no supermercado talvez nunca suma por completo, mas está, pouco a pouco, mudando de lugar e de forma. E quem chegar primeiro a essa nova dinâmica, seja como consumidor ou como trabalhador, sai na frente.
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