Existe uma cidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte onde as ruas são de pedra, as igrejas têm obras do Aleijadinho e os quintais produzem licores artesanais que ganham prêmios nacionais. Sabará, a apenas 19 km da capital mineira, é uma das vilas do ouro mais antigas de Minas Gerais e carrega um dos conjuntos arquitetônicos coloniais mais bem preservados do Brasil. E enquanto BH cresce em trânsito, poluição sonora e custo de vida, Sabará segue oferecendo o oposto: paz, história e acesso rápido à metrópole quando necessário.
Por que Sabará é chamada de Terra da Jabuticaba e o que isso significa na prática?
A tradição de cultivar jabuticabeiras nos quintais das casas de Sabará é antiga e profunda o suficiente para virar identidade cultural reconhecida pela Prefeitura de Sabará. A fruta gerou uma economia artesanal local expressiva: licores, geleias, vinhos e cachaças de jabuticaba produzidos por famílias sabarenses são vendidos no Festival da Jabuticaba, um dos eventos gastronômicos mais aguardados do interior mineiro, realizado entre novembro e dezembro, quando os pés estão carregados.
A jabuticaba em Sabará não é apenas um produto: é um símbolo de pertencimento e de uma forma de viver em que o quintal ainda produz algo, as receitas são passadas de geração em geração e o visitante que come a fruta direto do pé entende em segundos o que separa essa cidade do padrão metropolitano. Quem beber da água do Chafariz do Kaquende, segundo a lenda local, sempre volta a Sabará.

Qual é o patrimônio histórico de Sabará e por que ele é único no Brasil?
O centro histórico de Sabará foi tombado pelo IPHAN em 1938, tornando-se um dos primeiros conjuntos urbanos protegidos do país. O casario colonial, que remonta ao século XVIII, convive com igrejas barrocas que guardam algumas das maiores joias da arte religiosa brasileira. A Igreja de Nossa Senhora do Carmo abriga obras do mestre Aleijadinho. A Igreja de Nossa Senhora do Ó é um raro exemplo de barroco com influência chinesa (estilo Chinoiserie) no Brasil, resultado do contato colonial com porcelanas e tecidos orientais que chegavam às Gerais pelo Atlântico.
O Teatro Municipal de Sabará, conhecido como Casa de Ópera, é o segundo teatro mais antigo do Brasil ainda em funcionamento, com seu formato interno em ferradura e camarotes de madeira que D. Pedro I e D. Pedro II já ocuparam. O Museu do Ouro, instalado na antiga Casa de Intendência, guarda a memória do ciclo aurífero e de como aquela cidade moldou a economia do Brasil colonial. Morar em Sabará é literalmente morar dentro de um museu vivo.
Como é a infraestrutura e a qualidade de vida para quem decide morar em Sabará?
Com 129.380 habitantes pelo Censo 2022 do IBGE, Sabará tem o tamanho ideal para quem quer serviços urbanos sem o peso demográfico de uma metrópole. A taxa de escolarização de 99,16% entre crianças e jovens de 6 a 14 anos indica um município comprometido com a educação básica. No ensino superior, o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) oferece cursos gratuitos em Engenharia e Sistemas de Informação diretamente na cidade. A proximidade com BH complementa com acesso à UFMG, PUC Minas e dezenas de outras instituições.
Para lazer e contato com a natureza, o bairro Pompéu oferece trilhas e ruínas integradas ao Caminho do Sabarabuçu da Estrada Real. A cozinha mineira de raiz, com seus feijões tropeiros, frango caipira e doces de quintal, é acessível com naturalidade e preços que deixam a gastronomia de restaurante de BH parecendo cara por comparação. O custo de vida para moradia, alimentação e serviços básicos é significativamente menor do que na capital.
Quem ama cidades históricas vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 270 mil inscritos, em que Tati Marmon mostra o melhor de Sabará, em Minas Gerais:
Como chegar a Sabará e qual é a melhor época para visitar ou se mudar?
O acesso de Belo Horizonte é simples: pela Avenida dos Andradas, em direção à Zona Leste. A viagem leva cerca de 40 minutos fora do horário de pico. Para quem vem de fora pelo Anel Rodoviário, a saída para a Rodovia MG-262/BR-381 conecta diretamente ao município. Há também linhas metropolitanas de ônibus com frequência regular a partir do Centro de BH, tornando Sabará acessível para quem não tem carro.
A melhor época para turismo é o inverno seco, entre abril e setembro, com temperatura média de 13°C a 26°C, céu azul e noites frescas, ideais para caminhar pelas ladeiras. Para o Festival da Jabuticaba, novembro e dezembro são insubstituíveis, mas leve guarda-chuva. O calçamento de pedra-sabão fica escorregadio nas chuvas: cuidado nas ladeiras.
Vale a pena morar em Sabará em vez de BH: o que os moradores dizem?
Quem fez a troca relata de forma consistente os mesmos ganhos: custo de vida menor, trânsito inexistente dentro do centro histórico, vizinhança conhecida, acesso à natureza e a sensação de viver num cenário que não precisa de viagem para ser especial. A desvantagem principal que aparece nas conversas é a dependência de BH para serviços especializados de saúde, educação superior e trabalho formal. Para quem trabalha remotamente ou pode equilibrar presença em BH algumas vezes por semana, Sabará é uma solução que combina o melhor dos dois mundos.
Uma dica de quem conhece a rota: combine a visita a Sabará com uma subida à Serra da Piedade em Caeté, que fica na mesma estrada MG-262 e é um dos mirantes mais bonitos de Minas Gerais. Compartilhe com quem mora em BH ou na Grande BH e ainda não descobriu que a cidade colonial mais bonita da região fica a menos de meia hora da capital.




