No alto de uma serra a cerca de 100 km de Belo Horizonte, uma cidade pequena sustenta uma fatia gigante da indústria nacional. Ouro Branco, em Minas Gerais, trocou o ouro colonial pelo aço e hoje convive com altos-fornos, igrejas barrocas e um dos maiores PIBs por habitante do estado.
Por que Ouro Branco virou a capital do aço de Minas?
A virada começou em 1976, quando o governo federal escolheu o vale ao pé da serra para instalar a estatal Aço Minas Gerais, a Açominas. A produção arrancou em 1986 e, em 1997, a planta foi adquirida pelo grupo Gerdau, que a transformou em seu principal ativo.
Antes do aço, a região já tinha passado por vários ciclos econômicos: ouro, uva e batata. O nome surgiu no fim do século XVII, quando bandeirantes encontraram nos rios um ouro de tonalidade clara, efeito da presença de paládio no minério.
Hoje a usina é a maior unidade da Gerdau no mundo. Segundo a Gerdau, a planta responde por mais de 10% de todo o aço produzido no Brasil e completou 40 anos de operação.

A usina que move a economia e emprega milhares
A siderurgia é o coração financeiro do município. Cerca de 10 mil pessoas circulam diariamente pela planta, entre funcionários próprios e de empresas parceiras, a maioria moradora de Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete e Congonhas, conforme a Gerdau.
A unidade tem capacidade instalada de 4,5 milhões de toneladas de aço por ano e atende setores como construção civil, automotivo, naval e energia. Vale uma ressalva geográfica: embora a usina seja conhecida como de Ouro Branco e empregue grande parte da cidade, quase todo o seu território fica no município vizinho de Congonhas.
O peso da indústria aparece nos números. O PIB per capita de Ouro Branco chegou a R$ 111.320 em 2023, um dos mais altos de Minas Gerais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Vale a pena morar em Ouro Branco?
Para quem busca emprego industrial e infraestrutura de cidade média, a resposta tende a ser sim. O município reúne renda alta, indicadores sociais acima da média estadual e uma escala urbana que mantém a tranquilidade de interior.
A cidade alcançou a primeira posição entre os municípios mineiros no Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal em 2010 e, na edição mais recente, com dados de 2023, segue entre as 500 melhores do país, na posição 491 entre mais de 5,5 mil cidades avaliadas. A escolarização de crianças de 6 a 14 anos beira os 100%.
Esse desempenho tem relação direta com a estrutura urbana planejada nos anos 1970 para apoiar a usina. Os bairros foram projetados em zonas, com forte oferta de serviços, e a chegada de duas instituições federais de ensino mudou o perfil da cidade:
- Campus Alto Paraopeba (UFSJ): unidade da Universidade Federal de São João del-Rei que forma engenheiros e atrai estudantes de todo o país.
- Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG): campus voltado à formação técnica e tecnológica, alinhado à vocação industrial local.
- Emprego formal: o município concentra cerca de 15 mil empregos com carteira assinada, puxados pela cadeia do aço e pelos serviços.
- Comércio diversificado: a renda da siderurgia sustenta uma rede de comércio e serviços ampla para o porte da cidade.
História colonial que sobrevive entre os altos-fornos
Ouro Branco é uma das povoações mais antigas de Minas, elevada à categoria de freguesia em 1724. O arraial de Santo Antônio de Ouro Branco guarda um casario e igrejas que remontam ao século XVIII, em pleno contraste com a silhueta industrial.
O principal marco é a Igreja Matriz de Santo Antônio, cuja construção data de 1717 e abriga obras atribuídas ao barroco mineiro. A cidade também integra a rota histórica da Estrada Real e abriga a chamada Casa de Tiradentes, segundo o Instituto Estrada Real.
Esse encontro entre passado e indústria é o que torna a cidade singular. Poucos lugares no Brasil exibem altos-fornos de porte mundial a poucos quilômetros de um templo barroco de quase 300 anos.
Quem deseja conhecer uma charmosa cidade histórica e as belezas naturais da região central de Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 77 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra curiosidades e pontos turísticos de Ouro Branco:
Uma cidade que une aço e tradição
Ouro Branco mostra que indústria pesada e patrimônio colonial podem dividir o mesmo endereço. A cidade junta a maior usina da Gerdau no mundo, renda alta por habitante e uma das melhores qualidades de vida do interior mineiro.
Se você pensa em morar perto de Belo Horizonte com emprego forte e ar de interior, vale conhecer Ouro Branco e sentir o ritmo de uma cidade que vive do aço sem esquecer a própria história.




