Destaques
+1.000 novos terminais sendo instalados pelo Assaí em suas unidades pelo país.
1 em cada 3 brasileiros já desistiu de uma compra por causa de fila, segundo pesquisas do setor varejista.
357 mil vagas abertas no setor supermercadista brasileiro, segundo a Abras, em 2025.
Quem já ficou parado numa fila de supermercado com dois itens na mão, olhando o tempo passar, sabe bem a sensação. A novidade é que as maiores redes do varejo brasileiro decidiram que esse tempo de espera tem prazo para acabar, e a solução está chegando de vez às prateleiras, aos caixas e ao bolso do consumidor.
A máquina que chegou silenciosa e já virou rotina
Quem entrou em uma loja do Assaí, do Carrefour ou do Atacadão nos últimos meses provavelmente já se deparou com uma fileira de terminais perto da saída: tela sensível ao toque, leitor de código de barras, maquininha e a opção de pagar até por Pix. O cliente passa os produtos sozinho, confere o total na tela e vai embora sem enfrentar fila.
O caixa de autoatendimento não é invenção de hoje, mas ganhou força no Brasil agora. O Assaí começou a testar o sistema em 2022, na unidade Anhanguera, em São Paulo, e não parou mais. Hoje, mais de mil clientes por loja usam os terminais diariamente, e a rede anunciou a instalação de mais mil novos equipamentos pelo país.

Cada segundo conta, e os números comprovam
O Carrefour, que vem expandindo o autoatendimento para cada vez mais formatos de loja, inclusive postos de combustíveis, registra uma economia média de 15 segundos por transação em relação ao caixa tradicional. Parece pouco, mas multiplicado por milhares de atendimentos ao dia, o resultado é uma fila muito menor e um fluxo de caixa bem mais ágil.
O Atacadão focou em integrar o sistema de prateleira ao caixa, atacando um problema clássico do varejo: o preço marcado na gôndola ser diferente do que aparece na hora de pagar. Com os terminais sincronizados ao estoque, a discrepância cai, e a experiência de compra fica mais confiável para o consumidor.
O que muda, o que trava e o que ainda preocupa
A tecnologia não funciona igual para todo tipo de compra. As redes deixam claro que o autoatendimento é mais indicado para cestas menores, de até 20 itens ou 50 quilos no caso do Assaí. Carrinho cheio ainda vai de caixa tradicional. E alguns itens travam o processo com frequência:
- Produto sem código de barras ou com etiqueta danificada precisa de auxílio do funcionário
- Itens que exigem pesagem no balcão, como frios e grãos a granel, não passam pelo terminal
- Compras grandes tornam o processo mais lento do que o caixa com operador
- Idosos e quem não está acostumado com tecnologia costumam evitar os terminais
- Perdas por registro incorreto são mais frequentes no autoatendimento do que nos caixas convencionais
Para reduzir o problema das perdas, as redes investem em câmeras, balanças que verificam o peso da sacola e sensores que comparam o que foi registrado com o que está na área de embalagem. Mesmo assim, o furto no autoatendimento ainda é um desafio que o varejo mundial não resolveu por completo.
Pontos-chave
Economia operacional: estudos do setor supermercadista apontam que o autoatendimento pode reduzir custos operacionais em até 30%.
Perfil do consumidor muda: 58% das vendas do Assaí já vêm de consumidor final, público que prioriza agilidade na compra.
Vagas em transformação: novas funções surgem, como técnico de manutenção dos terminais, mas o volume ainda não repõe as que somem.
A conta que as redes fazem, e o trabalhador sente
Onde antes cinco operadores tocavam cinco caixas, hoje um único funcionário supervisiona cinco terminais de autoatendimento. As redes argumentam que não estão demitindo por causa das máquinas, mas preenchendo com tecnologia vagas que não conseguem ocupar com gente. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontou que o setor tinha 357 mil posições abertas no país no fim de 2025, reflexo de uma rotatividade alta e de condições que afastam novos candidatos.
O salário médio de um operador de caixa fica em torno de R$ 2.000, mas o custo real para o supermercado, somando encargos e benefícios, chega a R$ 3.400 mensais. Novas funções estão surgindo, como assistente de autoatendimento e técnico de manutenção dos terminais. O problema é que o número de vagas criadas ainda não repõe, no mesmo ritmo, as que vão desaparecendo.

O varejo regional vai embarcar nessa onda?
A tendência aponta que sim, mas em passos mais lentos. Supermercados médios e redes regionais já começam a testar os terminais, ainda que o custo da tecnologia pese mais para operações menores. Em cidades do interior, onde o volume de clientes é menor, o caixa com operador deve continuar sendo o modelo principal por um bom tempo ainda.
O que já mudou, de forma bastante concreta, é o comportamento de quem compra. Pesquisas do setor varejista mostram que cerca de 1 em cada 3 consumidores brasileiros já desistiu de uma compra por causa de fila. Quem experimenta o autoatendimento e aprova dificilmente volta a esperar. E, cada vez mais, a fila que se forma nos grandes supermercados é justamente na frente das máquinas.
O varejo brasileiro está, na prática, reescrevendo o ritual da compra do dia a dia, e essa mudança já começou bem antes de a maioria perceber.
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