A gestão de um imóvel alugado exige clareza sobre quem deve arcar com os custos de manutenção, sendo que a Lei do Inquilinato é a base para essa divisão. Saber diferenciar o desgaste natural das avarias causadas pelo uso é essencial para evitar conflitos desnecessários entre donos de imóveis e locatários.
Quais são as obrigações dos donos de imóveis segundo a lei?
No Brasil, o artigo 22 da Lei 8.245/91 estabelece que cabe ao locador garantir a habitabilidade do bem. Isso significa que ele é o responsável por entregar o imóvel em condições adequadas e manter a estrutura durante todo o período da locação.
Essa responsabilidade engloba problemas estruturais, como infiltrações, defeitos na fiação elétrica interna e falhas em telhados ou sistemas de gás. Quando o dano ocorre por vícios ocultos ou desgaste natural do tempo, o custo deve ser assumido integralmente por quem aluga o espaço.

Por que o inquilino também possui responsabilidades de conservação?
O inquilino assume o dever de zelar pelo imóvel como se fosse seu, conforme detalhado no artigo 23 da mesma legislação. A manutenção preventiva de itens que sofrem desgaste pelo uso cotidiano é uma atribuição de quem está usufruindo do espaço diariamente.
Existem itens específicos que, por serem de consumo constante ou fácil substituição, recaem sob a responsabilidade do morador para garantir o bom funcionamento do lar. Confira os principais reparos que devem ser realizados pelo locatário:
Veja os itens comuns de manutenção do dia a dia:
- Troca de lâmpadas e reatores queimados.
- Substituição de miolos de fechaduras.
- Troca de resistências de chuveiros elétricos.
- Reparo em vedações de torneiras e sifões.
- Limpeza periódica de calhas e ralos.
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Como diferenciar o uso normal do mau uso do imóvel?
A distinção entre o que é reparo estrutural e o que é decorrente de mau uso é o ponto central em qualquer disputa de locação. O uso normal refere-se à deterioração esperada pelo passar do tempo, enquanto o mau uso envolve danos por negligência ou conduta inadequada.
Se uma torneira quebra por ser um modelo antigo com metal oxidado pelo tempo, o reparo é do proprietário. Caso a peça seja arrancada ou danificada por um esforço excessivo de quem utiliza, o ônus financeiro recai sobre o ocupante, que deve providenciar o conserto imediato.

Qual é o papel da vistoria no início do contrato?
A vistoria de entrada é um documento técnico indispensável para proteger ambas as partes envolvidas. Ela detalha o estado real de conservação de paredes, pinturas, sistemas elétricos e hidráulicos no momento em que as chaves são entregues ao novo morador.
Este registro, que possui valor jurídico, serve como prova em caso de necessidade de reparos futuros. Se um problema aparecer durante o contrato, o laudo inicial ajuda a identificar se a origem da falha é uma patologia pré-existente no imóvel ou algo causado após a mudança do inquilino.
O que fazer em casos de obras emergenciais?
Quando surge uma necessidade de obra urgente, como um vazamento severo que inviabiliza o uso de um cômodo, o locador deve ser notificado imediatamente. A lei prevê que reparos necessários e urgentes devem ser realizados pelo proprietário para garantir a preservação do bem e o conforto de quem habita o local.
Caso o dono se recuse a realizar o conserto, o morador pode ter amparo legal para executar o serviço e solicitar o abatimento do valor gasto no aluguel mensal. Para compreender melhor a estrutura jurídica de propriedades, consulte a definição legal de imóvel para assegurar seus direitos. A comunicação transparente é a forma mais eficaz de manter uma relação saudável entre as partes e garantir que a manutenção preventiva seja sempre priorizada antes que danos maiores ocorram.



