Em contratos de aluguel residencial na Espanha e no Brasil, uma das questões mais sensíveis é a divisão de responsabilidades sobre reparações em um aluguel. A forma como se organizam consertos estruturais, pequenos defeitos do dia a dia e eventuais melhorias impacta diretamente o custo da locação, a segurança do imóvel e a convivência entre proprietário e inquilino, exigindo atenção ao que dizem a legislação e o contrato.
Quem é responsável pelas reparações em um aluguel residencial
De forma geral, a legislação de ambos os países parte de um mesmo ponto: o proprietário é responsável por manter a habitação em condições de habitabilidade, enquanto o inquilino responde pelo uso correto e pela conservação cotidiana. Problemas como rachaduras estruturais, infiltrações graves, falhas na instalação fixa de água, eletricidade ou gás e defeitos que impeçam o uso normal da casa tendem a ser classificados como reparos essenciais, em regra a cargo do dono do imóvel.
Já situações ligadas ao uso diário, como troca de lâmpadas, pequenos ajustes em maçanetas, conserto de persianas, substituição de chuveiro queimado ou manutenção de torneiras, costumam ser tratadas como pequenas reparações. Nesses casos, tanto a LAU espanhola quanto a Lei do Inquilinato brasileira indicam que o custo fica com o inquilino, desde que o valor seja compatível com uma despesa rotineira e decorra de desgaste natural pelo uso normal do imóvel.

O que diz a lei sobre reparações em um aluguel na Espanha e no Brasil
Na Espanha, a LAU determina que o arrendador deve realizar as obras necessárias para manter a habitabilidade, sem repassar automaticamente esses gastos ao inquilino por meio de aumento do aluguel. Melhorias voluntárias, como modernização de instalações ou reformas estéticas, também recaem em princípio sobre o proprietário, salvo acordo contratual escrito e válido que distribua as despesas de forma diferente.
No Brasil, a Lei do Inquilinato segue lógica semelhante, exigindo que o locador entregue o imóvel em boas condições e responda por vícios ocultos, problemas estruturais e desgastes que não sejam consequência do uso normal. Quando o dano decorre de comportamento do morador — como quebra de vidros por descuido, entupimento por uso indevido ou danos em portas por impacto — a responsabilidade tende a ser atribuída ao inquilino, mesmo que o conserto seja de maior valor.
Quais são os principais tipos de reparações em um aluguel
Para entender melhor a divisão de responsabilidades, costuma-se separar os consertos em três grandes grupos: reparos estruturais, pequenas reparações e melhorias ou obras de modernização. Cada categoria tem impacto diferente sobre quem paga, prazos, garantias e possibilidade de revisão do aluguel ao longo do contrato.
De modo geral, reparos estruturais e obras indispensáveis à habitabilidade são suportados pelo proprietário, enquanto as pequenas reparações ficam a cargo do inquilino. As melhorias, quando solicitadas pelo morador, exigem acordo escrito sobre quem arcará com os custos, eventual compensação no aluguel e como será tratada a situação ao final da locação.
- Reparos estruturais – segurança e estabilidade do imóvel, como fundação, grandes infiltrações e danos sérios na cobertura.
- Pequenas reparações – consertos de baixo custo ligados ao uso cotidiano, como tomadas, torneiras e fechaduras.
- Melhorias e reformas – mudanças que aumentam conforto ou valor, como reforma de cozinha, banheiro ou modernização de sistemas.

Como funcionam prazos, comunicação e redução de aluguel em reparações
Outro ponto importante nas reparações em imóveis arrendados é o tempo de execução das obras, já que a lei busca evitar que o morador permaneça por longos períodos em um imóvel parcialmente inutilizável. Em casos de intervenções mais extensas, pode haver redução proporcional do aluguel ou até suspensão temporária do pagamento, principalmente se for necessário desocupar o imóvel por alguns dias.
Além disso, tanto na Espanha quanto no Brasil, o inquilino deve comunicar ao proprietário, de forma rápida e documentada, qualquer defeito relevante que exija intervenção. Em contrapartida, o dono do imóvel precisa autorizar o acesso de profissionais e providenciar os consertos em prazo razoável, respeitando a urgência do problema e guardando notas fiscais e comprovantes para eventual discussão futura.
Como reduzir conflitos sobre reparações em contratos de aluguel
Para diminuir discussões sobre consertos e custos ao longo da locação, é essencial que o contrato descreva com linguagem simples quais tipos de reparo serão assumidos por cada parte, sempre em conformidade com a LAU ou com a Lei do Inquilinato. Um laudo de vistoria detalhado, fotos da condição do imóvel na entrega das chaves e inventário dos itens existentes ajudam a provar se determinado dano já existia ou surgiu durante a estadia do inquilino.
Em caso de divergência sobre quem deve pagar por uma obra, não espere o problema crescer: busque orientação jurídica especializada e revise imediatamente o contrato e as provas disponíveis. Se você já está enfrentando infiltrações, falhas elétricas ou discussões sobre reparos, aja agora e consulte um profissional de confiança para proteger seus direitos e evitar prejuízos maiores no seu aluguel.




