TJ da Paraíba condena Uber a pagar R$ 15 mil após cancelamento de corrida por motivo religioso no estado. decisão reforça combate à discriminação em apps de transporte por aplicativo.
Como ocorreu o episódio de intolerância religiosa que levou à condena da Uber?
O caso aconteceu em João Pessoa, quando a líder religiosa Lúcia de Fátima Batista de Oliveira solicitou uma viagem partindo de um terreiro de candomblé. Ao perceber o local de embarque, o motorista enviou mensagens ofensivas pelo chat da plataforma antes de cancelar o serviço sumariamente.
Frases como “Sangue de Cristo tem poder” foram utilizadas pelo prestador de serviço para justificar a recusa. Inicialmente, o pedido da vítima havia sido negado, mas a Segunda Turma Recursal Permanente da Capital reformou a sentença, entendendo que o ato feriu a dignidade da passageira de forma irreparável.

Quais foram os fundamentos jurídicos que levaram à condena da Uber?
O relator do processo destacou que houve um defeito grave na execução do contrato de transporte. A decisão judicial que condena Uber fundamentou-se no princípio da dignidade da pessoa humana e na responsabilidade objetiva da plataforma sobre os atos de seus parceiros durante a prestação do serviço.
O juiz Antônio Silveira Neto ressaltou que a recusa baseada em preconceito religioso reforça uma lógica de segregação histórica contra religiões de matriz africana. O valor de R$ 15.000,00 foi fixado como forma de punir a conduta e desestimular que novos episódios de intolerância ocorram na rede.
O que a legislação brasileira diz sobre discriminação religiosa?
No Brasil, a prática de discriminação ou preconceito de religião é crime previsto pela Lei nº 7.716/1989. A legislação prevê penas de reclusão e multa para quem incitar o ódio ou segregar cidadãos por suas crenças, protegendo a liberdade de culto garantida pela Constituição.
Confira os principais pontos da lei e as implicações para empresas de tecnologia:
- Responsabilidade Civil: Empresas respondem por danos causados por seus prepostos ou prestadores.
- Crime de Racismo: A intolerância religiosa é equiparada a crimes imprescritíveis em contextos específicos.
- Dano Moral: O sofrimento psicológico da vítima gera direito a compensação financeira imediata.
- Exclusão da Plataforma: Motoristas que praticam discriminação devem ser banidos conforme os termos de uso.
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Existem outros casos recentes de recusa por religião?
Infelizmente, o episódio na Paraíba não é isolado no cenário nacional de 2026. Em São Vicente, no litoral de São Paulo, outra jovem relatou ter sido abandonada por um motorista ao sair de um centro religioso vestindo trajes tradicionais, o que acendeu o alerta para a necessidade de fiscalização.
As queixas de intolerância religiosa em serviços digitais cresceram nos últimos anos. Embora as empresas afirmem ter políticas de tolerância zero, a aplicação prática de punições e o treinamento de motoristas ainda são alvos de críticas por parte de movimentos sociais.
Como o consumidor deve proceder em casos de preconceito?
A vítima de qualquer discriminação deve realizar o boletim de ocorrência e printar todas as conversas e detalhes da corrida. A Justiça brasileira tem se mostrado rigorosa e condena Uber ou outras plataformas sempre que a prova do ato discriminatório é clara e inequívoca, garantindo o direito ao transporte sem segregação.
Abaixo, veja as orientações para registrar uma denúncia formal:
| Canal de Denúncia | O que registrar | Finalidade |
|---|---|---|
| Aplicativo Uber | ID da viagem e nome do motorista | Bloqueio administrativo do infrator |
| Delegacia de Polícia | Boletim de Ocorrência (Lei 7.716) | Investigação criminal por intolerância |
| Justiça Comum | Protocolo de ação por danos morais | Reparação financeira de R$ 15 mil ou mais |
Qual o impacto dessa decisão para os aplicativos de transporte?
A condenação serve como um aviso pedagógico para as gigantes da tecnologia. Elas são obrigadas a investir em filtros de segurança e monitoramento de chat que identifiquem palavras de ódio. O caso 0873304-79.2024.8.15.2001 no TJPB agora é uma referência para advogados que buscam justiça contra a discriminação no consumo.
Promover um ambiente inclusivo é dever de quem opera no mercado brasileiro. A liberdade religiosa é um direito inegociável, e decisões que punem financeiramente o descaso das empresas ajudam a construir um serviço de transporte mais humano, seguro e livre de preconceitos para todos os passageiros, independentemente de sua fé ou vestimenta.




