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Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura: o vilarejo paulista no alto da Serra do Mar com 50 ateliês a 3 horas de São Paulo

Vitor Bruno Por Vitor Bruno
26/04/2026
Em Cidades
Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura: o vilarejo paulista no alto da Serra do Mar com 50 ateliês a 3 horas de São Paulo

Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura: o vilarejo paulista no alto da Serra do Mar com 50 ateliês a 3 horas de São Paulo // IMAGEM ILUSTRATIVA

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Entre as serras do Mar e da Bocaina, a cerca de mil metros de altitude, Cunha reúne mais de 50 ateliês de cerâmica de alta temperatura, o maior número de fornos noborigama fora do Japão e neblina constante que cobre a estrada para Paraty. Em 2022, a Lei nº 14.349 conferiu à cidade o título de Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura, segundo o Senado Federal.

Como um antigo matadouro virou o coração da cerâmica brasileira?

A virada veio em 1975. Um grupo formado pelo arquiteto português Alberto Cidraes, sua esposa Maria Estrela e os ceramistas japoneses Toshiyuki e Mieko Ukeseki se instalou no antigo matadouro da cidade, com apoio da prefeitura, e construiu o primeiro forno noborigama do Brasil. O ateliê coletivo virou ponto de encontro de novos artistas e laboratório da técnica milenar japonesa.

O forno noborigama é construído em declive, com câmaras interligadas, fornalha e chaminé, atingindo até 1.400°C em queimas que duram entre 30 e 40 horas. A técnica, dominada por poucos no mundo, encontrou em Cunha argila local, lenha de eucalipto e ceramistas dispostos a esperar dias ao lado do fogo, segundo o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB).

O vilarejo de cerâmica e neblina no alto da Serra do Mar que é o maior polo de arte de São Paulo
Cunha, São Paulo // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Por que essa cidade abriga o maior polo de cerâmica da América Latina?

A resposta está nos números e na continuidade da tradição. Antes da chegada dos japoneses e portugueses, os povos Tamoios já produziam cerâmica na região. Mulheres conhecidas como paneleiras moldavam potes em fornos rústicos, ofício transmitido de geração em geração até Benedita Olímpia de Abreu, a Dona Dita, que trabalhou com barro até os 93 anos.

Hoje a cidade concentra cerca de 50 ateliês ativos. O Festival Internacional da Cerâmica de Cunha (FICC) acontece todos os anos com aberturas de fornadas, queimas de raku, oficinas e exposições coletivas, e levou mais de 15 mil pessoas à cidade em 2025. O Memorial da Cerâmica de Cunha (MECC) preserva acervo com mais de 200 obras, incluindo peças dos pioneiros de 1975.

O vilarejo de cerâmica e neblina no alto da Serra do Mar que é o maior polo de arte de São Paulo
Cunha, São Paulo // Créditos: Wikipedia / Wikimedia Commons

Leia também: A Capital Nacional do Milho: a cidade a 5 horas da capital está conquistando os brasileiros com qualidade de vida e bons índices de segurança

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O que ver e onde comer no vilarejo dos ceramistas?

O roteiro mistura ateliês abertos a visitantes, parques estaduais, campos de lavanda e a estrada cenográfica que liga Cunha a Paraty. As atrações se distribuem ao longo dos 49 km da Estrada Cunha-Paraty.

  • Ateliê Suenaga e Jardineiro: fundado em 1985, mantém a tradição do forno noborigama e abre fornadas para o público em rituais que reúnem dezenas de visitantes.
  • Ateliê Alberto Cidraes: laboratório do arquiteto pioneiro, considerado um dos maiores nomes da cerâmica brasileira contemporânea.
  • Casa do Artesão: instalada no antigo matadouro onde tudo começou em 1975, reúne obras de diferentes ceramistas locais.
  • Lavandário de Cunha: um dos maiores campos de lavanda do Brasil, com vista para as montanhas e produtos derivados da flor.
  • Pedra da Macela: mirante a 1.840 m de altitude com vista para a baía de Angra dos Reis, Paraty e o Oceano Atlântico.
  • Parque Estadual da Serra do Mar: trilhas com até seis cachoeiras em uma única caminhada na Mata Atlântica preservada.

Na mesa, a culinária mistura tradição caipira paulista com o frio da serra. Restaurantes pequenos espalhados pelo centro e ao longo da estrada para Paraty servem cardápios que pedem fogão a lenha.

  • Truta na manteiga: peixe criado em pesqueiros locais, prato-símbolo da cidade nos restaurantes do centro.
  • Feijão tropeiro: receita herdada das tropas que cruzavam a Serra do Mar pela Estrada Real rumo a Paraty.
  • Pinhão na temporada: servido em fogão a lenha entre maio e julho, época das araucárias da serra.
  • Café especial da Mantiqueira paulista: produzido em fazendas de altitude da região.
  • Doces caseiros e cachaças artesanais: vendidos em casas tradicionais ao longo da Estrada Cunha-Paraty.

Quem planeja viajar para Cunha, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Vamos Fugir Blog, que conta com mais de 122 mil visualizações, onde Lígia e Ulisses mostram um roteiro completo de 2 ou 3 dias com dicas de passeios, restaurantes e onde ficar:

Quando o clima da Serra do Mar favorece a visita?

Cunha é estância climática paulista, com temperaturas amenas o ano todo e neblina frequente nas manhãs e noites. Cada estação muda o ritmo da cidade e dos passeios:

💦
Verão
Dezembro a fevereiro
16°C a 26°C
O clima é ameno na estância climática, mas as chuvas atingem seu pico. A melhor pedida é visitar as famosas cachoeiras e a exuberante Mata Atlântica.
☔ Chuva Alta
🏺
Outono
Março a maio
12°C a 24°C
A neblina fica mais frequente e a chuva começa a recuar. Uma época cheia de charme para conhecer os ateliês de cerâmica e a charmosa Estrada Paraty.
☁️ Chuva Média
🍷
Inverno
Junho a agosto
5°C a 21°C
A melhor época na Serra do Mar! Frio intenso de 5°C e clima sequinho, atraindo visitantes para as fornadas e a deliciosa gastronomia da serra.
⭐ Alta Temporada / Frio
🪻
Primavera
Setembro a novembro
10°C a 25°C
As temperaturas sobem acompanhadas das chuvas de transição. Excelente fase para o espetáculo visual no Lavandário e as vistas da Pedra da Macela.
☁️ Chuva Média

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Capital Nacional da Cerâmica?

De carro, o acesso mais comum é por São Paulo, com cerca de 230 km pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116) até Guaratinguetá, depois SP-171 até a cidade, em aproximadamente 3 horas. Saindo do Rio de Janeiro, são 280 km pela mesma Dutra com saída em Cruzeiro.

A Estrada Cunha-Paraty (SP-171/RJ-165), com 49 km, leva direto à cidade litorânea fluminense em cerca de 1 hora, com trechos de Mata Atlântica preservada. Foi por ali que o ouro de Minas Gerais escoou para o porto de Paraty no século XVIII pela Estrada Real. Não há aeroporto na cidade, e o mais próximo é o de Guarulhos, a 250 km.

Suba a serra e descubra a cidade onde o fogo vira arte

Cunha reúne 50 ateliês ativos, mais fornos noborigama do que qualquer lugar fora do Japão, neblina que cobre estradas de Mata Atlântica e o título oficial de Capital Nacional da Cerâmica conferido pelo Senado. Poucos vilarejos do interior brasileiro conseguem reunir tradição milenar oriental e tropeiros mineiros no mesmo prato.

Você precisa subir a Serra do Mar e conhecer Cunha, o vilarejo paulista onde a neblina nunca vai embora e cada peça de cerâmica carrega a marca do fogo, do barro e do acaso.

Sua história pode virar reportagem

Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.

Tags: cidadesCunhaSão Paulo

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