O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou em 19 de dezembro de 2025 a pesquisa PIB dos Municípios 2022-2023, que mapeou as riquezas geradas em cada cidade do Brasil. Minas Gerais registrou Produto Interno Bruto a preços correntes de R$ 972 bilhões em 2023, terceira maior participação nacional, e apenas 25 das 853 cidades mineiras concentraram 53,8% desse total.
Como Minas chegou à marca histórica de R$ 1 trilhão de PIB?
O número considera duas medições. Pelo cálculo do IBGE a preços correntes, Minas Gerais somou R$ 972 bilhões em 2023, equivalente a 8,9% do PIB brasileiro, segundo a Agência Brasil. Pela Agência Minas, com base em dados da Fundação João Pinheiro (FJP), o cálculo estadual chegou a R$ 1,028 trilhão, marca inédita na história do estado.
A diferença entre os dois números aparece porque IBGE e FJP fazem cálculos com metodologias distintas e prazos de divulgação diferentes. O dado oficial federal mantém Minas como terceira economia do país, atrás apenas de São Paulo (31,5%) e Rio de Janeiro (10,7%). O crescimento real foi de 3,4% sobre 2022, acima da média nacional, mas o estado perdeu 0,1 ponto percentual de participação no PIB do país, influenciado pela queda no preço internacional do minério de ferro.

O que explica a concentração de mais da metade da riqueza em só 25 cidades?
A explicação está na geografia industrial e administrativa do estado. Belo Horizonte, sozinha, responde por 13,4% do PIB mineiro, com R$ 130,2 bilhões. As cinco maiores economias somam 31,1%, quase um terço do total: a capital, Betim (5,4%), Uberlândia (5,3%), Contagem (4,6%) e Uberaba (2,4%). Três delas integram a Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Minas é o único estado, ao lado de São Paulo e Rio de Janeiro, com mais de uma cidade entre os 25 maiores PIBs do Brasil. Belo Horizonte ficou em 5ª posição nacional e Betim entrou no ranking pela primeira vez em 25º lugar, superando Itajaí (SC). Belo Horizonte foi também o 5º município com maior ganho de participação no PIB nacional, segundo o IBGE.

As 25 cidades mineiras com maior PIB em 2023
A lista divulgada pelo IBGE traz as 25 cidades responsáveis por mais da metade da riqueza estadual, com PIB em valores correntes:
| Posição | Cidade | PIB (R$ Bilhões) |
|---|---|---|
| 1º 🥇 | Belo Horizonte | R$ 130,197 |
| 2º 🥈 | Betim | R$ 52,614 |
| 3º 🥉 | Uberlândia | R$ 51,065 |
| 4º | Contagem | R$ 45,092 |
| 5º | Uberaba | R$ 23,689 |
| 6º | Juiz de Fora | R$ 23,271 |
| 7º | Extrema | R$ 20,204 |
| 8º | Ipatinga | R$ 16,870 |
| 9º | Sete Lagoas | R$ 14,904 |
| 10º | Pouso Alegre | R$ 14,201 |
| 11º | Montes Claros | R$ 13,326 |
| 12º | Nova Lima | R$ 12,447 |
| 13º | Poços de Caldas | R$ 10,732 |
| 14º | Varginha | R$ 10,068 |
| 15º | Divinópolis | R$ 9,339 |
| 16º | Araxá | R$ 8,847 |
| 17º | Governador Valadares | R$ 8,612 |
| 18º | Patos de Minas | R$ 8,151 |
| 19º | Congonhas | R$ 7,693 |
| 20º | Itabira | R$ 7,434 |
| 21º | Itabirito | R$ 7,160 |
| 22º | Araguari | R$ 6,858 |
| 23º | Paracatu | R$ 6,798 |
| 24º | Ouro Preto | R$ 6,765 |
| 25º | Santa Luzia | R$ 6,608 |
Fonte: Associação Mineira de Municípios (AMM) com dados do IBGE.
Onde a riqueza por habitante é maior do que a riqueza total?
O ranking muda de figura quando o dado vira PIB per capita. Pelo IBGE, Extrema, no Sul de Minas, ficou em 10º lugar entre os maiores PIBs per capita do Brasil, sobretudo pela presença forte da indústria de transformação e do comércio. A cidade tinha pouco mais de 53 mil habitantes no Censo 2022, segundo o instituto.
Outros sete municípios mineiros entraram no grupo dos 100 maiores PIBs per capita do país, todos com até 13 mil habitantes (exceto Extrema). Entre cidades com mais de 100 mil habitantes, segundo a Rádio Itatiaia, os maiores PIBs per capita ficaram em Betim (R$ 127.752,42), Nova Lima (R$ 111.440,33) e Pouso Alegre (R$ 93.295,79). O PIB per capita médio do estado foi de R$ 47.321, abaixo da média nacional de R$ 53.886.
Quais regiões ganharam e quais perderam riqueza no estado?
A foto regional do estado mostra um abismo de norte a sul. A Região Metropolitana de Belo Horizonte e o Sul de Minas concentram os maiores indicadores, enquanto a mesorregião Norte de Minas registra os menores PIBs per capita do estado. Montes Claros é a única cidade do Norte mineiro entre as 25 maiores economias do estado, em 11ª posição.
Entre os 25 municípios brasileiros que mais perderam participação no PIB nacional entre 2022 e 2023, três são mineiros: Ipatinga (11º colocado nacional em perda, com 0,03 ponto percentual), Uberaba (23º, com 0,02) e Guaxupé (25º, também com 0,02). O recuo está ligado à queda do preço do minério de ferro, que afetou cidades dependentes da indústria extrativa, especialmente no Vale do Aço.

O que esses números dizem sobre o futuro econômico de Minas?
Minas Gerais cruzou pela primeira vez a fronteira do trilhão em 2023, manteve-se como terceira economia do Brasil e ainda assim revelou um padrão de concentração que pesa sobre 828 dos seus 853 municípios. Quase metade da riqueza estadual nasce em apenas 5% das cidades, com forte dependência de mineração, indústria automotiva e serviços metropolitanos.
Vale acompanhar esses dados de perto: cada nova edição do PIB dos Municípios mostra como a economia mineira se redesenha entre commodities, indústria e os centros que crescem fora do eixo metropolitano.




