A 90 km ao sul de Florianópolis, Garopaba mantém a calma de uma vila açoriana e acumula o título de capital catarinense do surf. Entre julho e novembro, as baleias-francas se aproximam das praias da região para parir e amamentar, e podem ser vistas diretamente dos costões, sem precisar de barco. O cheiro de sal e lenha de peixe assado acompanha quem caminha pela Praia Central ao fim da tarde.
Por que Garopaba virou o destino do surfista que também quer criar família?
Garopaba virou esse destino por juntar três coisas raras no litoral brasileiro: ondas de nível mundial, comunidade pequena e ritmo de vilarejo. O município de origem açoriana preserva a alma de colônia de pescadores, com a Paróquia São Joaquim construída em 1846 dominando o centro histórico.
O clima ameno, as escolas de surf espalhadas pelas praias e o acesso direto à natureza transformam a cidade em refúgio de famílias que trocaram a agitação urbana pela rotina de litoral. Muitas pousadas locais ficam em praias como a Ferrugem, Barra e Silveira, o que permite viver perto do mar sem os preços e o movimento da capital catarinense.

Reconhecimento nacional e internacional que colocou o vilarejo no mapa
O principal selo internacional da região é a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, unidade de conservação federal criada em 2000 e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área abrange 130 km de costa e nove municípios catarinenses, incluindo Garopaba, justamente por ser um dos principais berços reprodutivos da baleia-franca-austral no Atlântico Sul.
A vizinha Praia do Rosa, em Imbituba, é a única praia brasileira reconhecida pelo Clube das Baías Mais Belas do Mundo, associação francesa com chancela da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). O reconhecimento amplifica toda a rota de observação de baleias da região, da qual Garopaba faz parte. A Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Desenvolvimento de Garopaba também destaca a Praia da Gamboa como parte da APA federal e ponto oficial de avistamento.

O que fazer e o que comer no coração do surf catarinense?
O roteiro une ondas para todos os níveis, mirantes com vista de baleia e a cozinha açoriana com peixe do dia. A seguir, as praias e os sabores que marcam a visita.
Principais experiências do vilarejo e entorno:
- Praia da Silveira: considerada uma das melhores do país para o surf, com 1,6 km de extensão e ondas fortes, palco de campeonatos nacionais e internacionais.
- Praia da Ferrugem: ondas mais amigáveis e faixa de areia larga, preferida de quem está evoluindo no esporte e quer agito.
- Praia Central: mar calmo, estrutura completa de restaurantes e o centro histórico com a Paróquia São Joaquim ao lado.
- Praia do Siriú: dunas de até 40 metros de altura, ponto certo para o pôr do sol e avistamento de baleias na temporada.
- Praia da Gamboa: possui deque com mirante, parte da APA da Baleia Franca, ideal para observação entre julho e novembro.
- Trilha da Pedra Branca: caminhada de cerca de 2,2 km em meio à Mata Atlântica com passagem por cachoeira, duração de até 3 horas ida e volta.
- Morro do Mirante de Garopaba: vista panorâmica da cidade, das lagoas e das dunas do Siriú, com acesso pavimentado.
Sabores típicos da mesa açoriana:
- Tainha recheada: prato mais tradicional do litoral catarinense, preparado com farofa de farinha de mandioca, assado inteiro nos meses de outono.
- Sequência de camarão: rodízio de receitas diferentes do mesmo crustáceo, da casquinha à moqueca, servido em muitos restaurantes da Praia Central.
- Peixe fresco grelhado: pescados do dia servidos com arroz, feijão e farofa nas barracas da praia.
- Pirão: acompanhamento à base de caldo de peixe e farinha de mandioca, herança direta da cozinha açoriana.
Quem planeja explorar Garopaba, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 140 mil visualizações, onde os apresentadores mostram 10 lugares imperdíveis em Santa Catarina:
Qual a melhor época para visitar e ver as baleias?
A melhor época para ver as baleias é entre julho e novembro, quando a baleia-franca-austral migra da Antártida para as águas rasas do litoral catarinense. Para o surf, o inverno também entrega as melhores ondulações. A tabela abaixo resume o que cada estação oferece.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao vilarejo açoriano?
O acesso mais comum é pelo Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, a cerca de 90 km de Garopaba pela BR-101. O trajeto leva pouco mais de uma hora por rodovia duplicada e em boas condições.
Quem chega de Porto Alegre percorre cerca de 391 km pela mesma BR-101, em um trajeto de aproximadamente 5 horas. Ônibus intermunicipais conectam Florianópolis e Garopaba com saídas frequentes, o que facilita o acesso mesmo para quem viaja sem carro.
Um litoral para surfar sem pressa
Garopaba é o caso raro de um vilarejo de pescadores que virou referência mundial sem perder a identidade. As baleias que aparecem no inverno, as ondas de Silveira e a calma da Praia Central formam um conjunto que poucas cidades do Brasil entregam junto.
Você precisa descer a BR-101 e passar pelo menos uma semana em Garopaba, de preferência entre julho e novembro, quando o mar devolve seus visitantes mais ilustres à beira da areia.




