Entre as bebidas à base de plantas, o chá de hortelã se destaca por unir aroma marcante, sabor suave e uma longa história de uso caseiro. Nos últimos anos, essa infusão passou a ser observada com mais cuidado por pesquisadores, interessados em entender se a fama de “amiga do estômago” e de “chá que abre as vias respiratórias” encontra respaldo em dados científicos. Em geral, as evidências apontam para alguns benefícios pontuais, especialmente em desconfortos leves, mas com limites bem definidos, sempre como complemento e não como tratamento único.
Por que o chá de hortelã é tão associado à digestão?
O uso de hortelã para digestão não é recente e aparece em diferentes culturas, sobretudo após refeições mais pesadas, com gases ou cólicas leves. Estudos com óleo de hortelã-pimenta em cápsulas sugerem relaxamento da musculatura do intestino, o que ajuda a reduzir espasmos e desconforto em quadros como a síndrome do intestino irritável, ainda que o chá tenha efeito mais suave.
Por outro lado, em pessoas com refluxo gastroesofágico, azia frequente ou hérnia de hiato, a hortelã pode intensificar a sensação de queimação ao relaxar a região entre o esôfago e o estômago. Nesses casos, o consumo diário, principalmente à noite ou antes de se deitar, deve ser avaliado com cautela e, idealmente, discutido com um profissional de saúde.

Quais são os principais benefícios do chá de hortelã já estudados?
A grande parte dos efeitos da hortelã é o mentol, responsável pela sensação de frescor na boca, no nariz e na pele. Esse composto interage com receptores específicos ligados ao frio e à dor, somando-se a outros componentes da planta que podem atuar no sistema digestivo, em processos inflamatórios e, em menor grau, na microbiota intestinal.
Ao reunir o que se encontra na literatura científica até 2026, é possível listar efeitos frequentemente relacionados ao chá de hortelã e a preparações com a planta. Eles costumam ser leves, complementares e mais perceptíveis em desconfortos funcionais e situações do dia a dia:
| Benefício | Descrição | O que os estudos sugerem |
|---|---|---|
| Alívio de desconfortos digestivos leves | A hortelã é frequentemente associada a melhora discreta de gases, cólicas funcionais e estufamento. | A evidência mais consistente aparece para óleo de hortelã-pimenta, especialmente em sintomas de SII/IBS no curto prazo; para chá, o efeito é mais plausível e tradicional do que bem comprovado em ensaios robustos. :contentReference[oaicite:0]{index=0} |
| Sensação de boca mais fresca | O mentol produz sensação de frescor na cavidade oral e pode deixar o hálito momentaneamente mais agradável. | Esse efeito sensorial é bem compatível com a ação do mentol sobre receptores ligados à sensação de frio, mas não substitui higiene bucal nem tratamento odontológico. :contentReference[oaicite:1]{index=1} |
| Percepção de respiração mais livre | O aroma de hortelã pode dar a impressão de passagem de ar mais fácil, algo comum em resfriados leves. | O benefício costuma ser mais de conforto perceptivo do que de desobstrução real das vias aéreas. :contentReference[oaicite:2]{index=2} |
| Apoio a momentos de relaxamento | O preparo do chá, o calor da bebida e o aroma podem favorecer sensação geral de pausa e descanso. | Esse tipo de efeito costuma ser leve e contextual, mais ligado à experiência da infusão e ao ritual de consumo do que a uma ação clínica forte isolada. :contentReference[oaicite:3]{index=3} |
| Possível impacto em atenção e estado de alerta | Alguns trabalhos relacionam o cheiro de hortelã a discreto aumento de foco e sensação de alerta. | Quando aparece, o efeito tende a ser pequeno e variável, mais observado em estudos com aroma/óleo do que com chá em si. :contentReference[oaicite:4]{index=4} |
| Potenciais propriedades antioxidantes | A planta contém compostos bioativos que, em laboratório, mostram capacidade de neutralizar radicais livres. | Esse achado existe em estudos experimentais e de revisão, mas não significa automaticamente um efeito clínico forte ao beber chá no dia a dia. :contentReference[oaicite:5]{index=5} |
| Possível apoio em contextos hormonais específicos | No caso da hortelã-verde/spearmint, há interesse em seu uso em mulheres com SOP. | Um ensaio clínico pequeno encontrou redução de testosterona livre e total e melhora subjetiva de hirsutismo com chá de spearmint, mas a evidência ainda é limitada e não serve como substituto de acompanhamento médico. :contentReference[oaicite:6]{index=6} |
Como o chá de hortelã se relaciona com memória e foco?
A ligação entre hortelã e memória ganhou visibilidade em experimentos que avaliaram o impacto do aroma da planta em tarefas cognitivas. Em alguns estudos, grupos expostos ao cheiro de mentol apresentaram desempenho ligeiramente melhor em testes de atenção e tempo de reação, possivelmente por aumento do nível de alerta.
No contexto do chá, o contato com o aroma ocorre enquanto a bebida é preparada e ingerida, o que pode favorecer sensação de maior disposição mental em períodos de estudo ou trabalho intenso. Ainda assim, não há base científica para indicar o chá de hortelã como tratamento para perda de memória, demência ou outras condições neurológicas, devendo ser visto apenas como apoio leve dentro de um estilo de vida saudável.
De que forma o chá pode influenciar hormônios?
A discussão sobre hortelã e hormônios se concentra principalmente em pesquisas com mulheres que têm síndrome dos ovários policísticos. Em alguns ensaios clínicos, o consumo regular de chá de spearmint por algumas semanas foi associado à queda de testosterona livre e a mudanças discretas em sinais de hiperandrogenismo, como excesso de pelos.
Apesar de promissores, esses estudos envolvem amostras pequenas e tempo de acompanhamento limitado, o que impede conclusões definitivas. Por isso, o chá de hortelã não deve substituir medicações indicadas para SOP ou outras alterações hormonais, funcionando apenas como coadjuvante em planos de cuidado que incluem atividade física, manejo do peso e acompanhamento médico.
Conteúdo do canal Dr. Antonio Cascelli, com mais de 1.1 milhões de inscritos e cerca de 6.2 mil de visualizações, trazendo vídeos envolventes sobre diferentes assuntos que chamam atenção pela forma como se conectam com a rotina e o interesse das pessoas:
Qual é o papel do mentol da hortelã na respiração e no uso tópico?
Quando o assunto é hortelã para respiração, o mentol volta ao centro da conversa por ativar receptores sensíveis ao frio na mucosa nasal e na garganta. Esse mecanismo gera sensação de passagem de ar mais intensa e agradável, que muitas pessoas relatam como alívio em resfriados leves, congestão passageira e irritação das vias aéreas superiores.
Em produtos de uso externo, como géis e pomadas, o mentol “distrai” receptores de dor na pele, proporcionando sensação de frio e alívio momentâneo em músculos cansados ou áreas doloridas. Já o chá de hortelã atua de forma indireta, ajudando na hidratação, trazendo conforto térmico e carregando o aroma característico que muita gente associa a bem-estar físico.
Como aproveitar os benefícios do chá com segurança?
Para inserir o chá de hortelã na rotina de forma equilibrada, alguns cuidados simples ajudam a potencializar benefícios e reduzir riscos. Isso é especialmente importante para quem tem doenças crônicas, faz uso contínuo de medicamentos ou apresenta sintomas gástricos frequentes, como azia e refluxo.
- Lavar bem as folhas antes de usar, dando preferência a hortelã de origem conhecida ou cultivada em casa.
- Preparar a infusão com água quente, deixando descansar por alguns minutos antes de coar, sem ferver em excesso a planta.
- Evitar adoçar em excesso, sobretudo com açúcar refinado, para não aumentar a carga calórica diária.
- Observar se surgem ou se agravam sinais de refluxo, azia ou desconforto gástrico após o consumo.
- Conversar com profissionais de saúde em caso de uso frequente associado a doenças crônicas, gestação ou amamentação.
Dentro desses cuidados, o chá de hortelã pode funcionar como recurso simples e acessível para apoiar digestão, respiração, sensação de frescor e momentos de pausa ao longo do dia. A ciência ainda avança na compreensão detalhada de todos esses efeitos, mas já indica que a bebida faz mais sentido quando inserida em um estilo de vida equilibrado, e não tratada como solução única para problemas complexos de saúde.




