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Motorista usa confiança para desviar R$ 88 mil de idosa após fazer 48 transferências

Vanessa Tavares Por Vanessa Tavares
30/01/2026
Em Economia, Notícias
Motorista usa confiança para desviar R$ 88 mil de idosa

Quando a confiança vira golpe: motorista drena conta de idosa via celular

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Resumo gerado por IA a partir dos artigos deste site.
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Quando a confiança vira senha, o prejuízo pode acontecer em silêncio, clique a clique. Uma decisão da 14ª Câmara Cível do TJMG manteve a condenação de uma motorista particular por desviar R$ 88.847,40 de uma idosa de 79 anos, usando aplicativos no celular e transferências sucessivas. O caso acende um alerta prático sobre fraudes digitais, especialmente quando o criminoso está por perto e conhece a rotina, os hábitos e as fragilidades da vítima.

Como um golpe via acesso remoto pode drenar uma conta bancária?

No processo, ficou registrado que a motorista prestava serviços com frequência em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, até consolidar uma relação de confiança. A vítima, com pouca familiaridade com tecnologia, teve o celular manipulado por aplicativos de acesso remoto, um tipo de ferramenta que, nas mãos erradas, transforma o aparelho em “controle sem dono”.

As investigações e extratos bancários apontaram 48 transferências realizadas entre janeiro de 2023 e abril de 2024, com destino direto à conta da motorista, sem autorização. Além do debate na esfera cível, houve denúncia do MPMG por furto qualificado, reforçando que golpes digitais podem ter dupla consequência, patrimonial e penal.

Quais sinais de alerta ajudam a identificar transferências não autorizadas?

Fraudes que usam o próprio celular da vítima costumam deixar rastros comportamentais, mais do que técnicos. Pequenas mudanças na rotina do aparelho, pedidos insistentes de “ajuda” e pressa para concluir operações bancárias costumam aparecer antes do rombo, principalmente quando o golpista se aproveita de intimidade e proximidade.

Para tornar a verificação mais objetiva, vale observar sinais que se repetem em casos de transferências indevidas, como no episódio julgado pelo TJMG. Os alertas abaixo ajudam familiares e cuidadores a detectar o problema cedo e agir antes que o valor se multiplique em novas transações:

  • Notificações bancárias desativadas ou silenciadas sem explicação.
  • Aplicativos desconhecidos instalados, especialmente de “suporte” ou “controle remoto”.
  • Celular ficando “lento” enquanto alguém orienta a vítima a não tocar na tela.
  • Comprovantes ausentes, histórico de transações apagado ou tentativas de ocultar conversas.
  • Transferências fracionadas e repetidas, com valores variados, em curto espaço de tempo.
TJMG mantém condenação por golpe digital com 48 transferências em segredo

O que a decisão do TJMG ensina sobre prova digital e extratos?

No recurso, a motorista alegou cerceamento de defesa e pediu anulação da sentença para ouvir testemunhas e realizar perícia técnica no celular. O relator, desembargador Nicolau Lupianhes Neto, rejeitou a tese e destacou um ponto processual decisivo, a ré não apresentou contestação no momento adequado, o que caracteriza revelia, mesmo tendo participado de audiência acompanhada de advogada.

O voto enfatizou a força probatória dos documentos, em especial a cronologia dos extratos com 48 transferências para a conta da apelante. A decisão manteve a devolução de R$ 88.847,40, com juros e correção monetária, e classificou a conduta como ato ilícito doloso, explorando vulnerabilidade e abuso de confiança contra pessoa idosa, protegida pela Lei nº 10.741/2003.

Como proteger idosos de fraudes em aplicativos e PIX?

Prevenção eficaz não depende só de “saber mexer”, depende de desenhar um ambiente seguro. No dia a dia, medidas simples reduzem o risco de alguém instalar apps, espelhar a tela ou conduzir operações bancárias em modo “piloto automático”, sobretudo quando existe acesso físico ao aparelho, como ocorre com motoristas, cuidadores e prestadores de serviço.

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Entregadora com mochila vermelha e jaqueta com faixas refletivas consulta o celular à noite, ao lado de uma bicicleta e de um portão, em cena que remete a golpe por SMS sobre restituição.

Ao guardar a bicicleta à noite, Cristiane, entregadora de aplicativos de 29 anos, recebeu às 21h40 um SMS sobre restituição, clicou no link, informou 3 dados pessoais, avisou a Anatel e só depois soube, pela Receita Federal, que restituição não pede dado de cartão

04/08/2026
Mulher sentada em uma loja observa o celular com expressão preocupada enquanto segura uma carteira; ao lado, aparecem símbolos luminosos de alerta, encomenda e QR Code, representando uma possível cobrança fraudulenta por mensagem.

Aos 29 anos, Juliana, vendedora, esperava há 3 semanas uma encomenda quando um SMS cobrou taxa em menos de 24 horas, quase digitou os dados do cartão, mas parou, pesquisou e só depois entendeu, com a Receita Federal e o Banco Central, que taxa de importação não é cobrada por link

04/08/2026
Homem idoso de óculos demonstra preocupação enquanto observa um celular sobre a mesa da cozinha, ao lado de um cartão bancário, contas impressas e uma caneca.

Aos 68 anos, Sebastião, aposentado, atendeu uma ligação dizendo-se do INSS sobre a prova de vida, seguiu por 10 minutos as instruções para instalar um aplicativo, viu 2 movimentações que não reconhecia e só depois, no Meu INSS, entendeu que nenhum atendente pede isso por telefone

02/08/2026
Motorista sentado dentro de um carro à noite compara informações em dois celulares, com chaves e um envelope apoiados sobre o colo.

Depois de 3 meses juntando dinheiro em corridas, Wagner, motorista de aplicativo de 41 anos, aceitou a promessa de vaga, fez o Pix pedido e só percebeu o golpe 6 horas depois, entendendo pelo Banco Central e pelo Consumidor.gov.br que a devolução não é estorno garantido

01/08/2026

Uma estratégia prática é combinar barreiras técnicas com rotinas de checagem, sem infantilizar a pessoa idosa e sem criar atrito constante. A lista abaixo funciona como um kit de segurança aplicável em qualquer banco, com foco em bloquear o golpe antes da primeira transferência:

  • Ativar notificações de transações e revisar alertas diariamente.
  • Configurar limite baixo para PIX e transferências, com alteração apenas presencial ou com dupla confirmação.
  • Habilitar biometria e senha forte, evitando padrões óbvios e repetidos.
  • Bloquear instalação de apps desconhecidos e revisar permissões, especialmente “acessibilidade” e “administrador do dispositivo”.
  • Separar um “celular do banco” para operações financeiras, com poucos aplicativos e sem compartilhamento.

Quais passos tomar para recuperar valores e preservar evidências?

Quando o desvio é identificado, velocidade importa, mas organização também. No caso, o advogado Rafael Normandia relatou tentativas de conciliação frustradas e a necessidade de ação judicial diante da gravidade, da tentativa de ocultar provas e da falta de êxito extrajudicial. Isso mostra que, além de bloquear o dano, é crucial registrar o rastro documental antes que ele desapareça.

O caminho mais seguro costuma incluir, em sequência, comunicar o banco, gerar protocolos, reunir extratos detalhados, guardar prints e comprovantes, e registrar boletim de ocorrência. Se houver suspeita de acesso remoto, é recomendável não “mexer demais” no celular antes de orientação técnica, para não apagar registros úteis, e buscar apoio jurídico para definir a melhor via, inclusive quando há tramitação paralela na esfera criminal, como no acórdão nº 1.0000.25.330794-6/001.

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Tags: desviogolpemotorista desvia dinheiro

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