Em sete meses, um consumidor afirmou ter feito cerca de 90 mil apostas online e acumulado perdas superiores a R$ 200 mil. Diagnosticado com ludopatia, ele alegou receber estímulos para continuar jogando. Uma sentença de primeiro grau condenou a bet a devolver R$ 206 mil e pagar mais R$ 8 mil por danos morais.
Que comportamento chamou a atenção da Justiça nesse caso?
O consumidor relatou longos períodos conectado, inclusive durante madrugadas, com depósitos sucessivos e dezenas de milhares de apostas. Ele apresentou também diagnóstico de ludopatia, termo usado para a compulsão por jogos de azar.
A Justiça do Rio Grande do Sul informou que os próprios registros da plataforma mostraram frequência excessiva de apostas, grande volume de depósitos e permanência prolongada nos jogos. A sentença veio da 8ª Vara Cível de Porto Alegre.

Por que o juiz considerou insuficiente apenas enviar alertas sobre jogo responsável?
A empresa afirmou que a atividade era legal, que os riscos de perda fazem parte das apostas e que suas promoções vinham acompanhadas de mensagens sobre jogo responsável. O juiz reconheceu a legalidade da atividade, mas entendeu que isso não eliminava deveres de proteção.
Alguns elementos foram considerados especialmente graves:
Por que o fato de apostar ser uma atividade legal não encerrou a discussão?
A defesa sustentou que perdas financeiras fazem parte da natureza das apostas e que os usuários escolhem voluntariamente participar. O juiz, porém, separou a legalidade do serviço da maneira como ele é prestado a uma pessoa em situação de vulnerabilidade demonstrada.
A sentença considerou deveres de proteção, informação e segurança na relação com o consumidor.
- A legalidade da aposta não elimina deveres na prestação do serviço.
- O comportamento fora do padrão estava registrado pela própria plataforma.
- O consumidor apresentou documentação sobre sua condição clínica.
- A empresa continuou enviando incentivos durante o período questionado.
- O juiz considerou insuficientes as medidas adotadas para interromper a escalada do comportamento.
O Código de Defesa do Consumidor estabelece deveres de informação e responsabilidade por falhas na prestação de serviços. A aplicação concreta dessas regras às apostas foi feita pelo magistrado a partir das provas daquele processo.
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Quanto a empresa foi condenada a pagar e o que a sentença determinou?
A decisão anulou os negócios jurídicos realizados com a empresa durante o período analisado e determinou a restituição integral das perdas reconhecidas. Também houve condenação por dano moral.
Os números divulgados foram estes:
| Ponto | O que consta da decisão | Resultado |
|---|---|---|
| ApostasSete meses | Autor relatou cerca de 90 mil operações | Padrão extremo |
| Danos materiaisValores perdidos | Restituição integral determinada | R$ 206 mil |
| Dano moralAbalo reconhecido | Indenização adicional | R$ 8 mil |
| Natureza da decisão8ª Vara Cível | Sentença proferida em primeiro grau | Pode ser revista |
Quem perde dinheiro em apostas pode exigir a devolução usando essa decisão?
Não de forma automática. A sentença examinou um conjunto muito específico de elementos, incluindo diagnóstico apresentado no processo, padrão de utilização registrado pela própria plataforma e a avaliação de que os mecanismos de proteção foram insuficientes diante daqueles sinais.
Também é importante que a decisão tenha sido proferida em primeiro grau. Ela não funciona como regra definitiva para qualquer apostador que tenha prejuízo e pode ser submetida à revisão pelas instâncias superiores.
