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Um levantamento feito para medir carbono nas florestas ficou esquecido por 11 anos até revelar 6.674 construções maias e uma cidade inteira

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
25/08/2026
Em Entretenimento, Notícias
Os dados estavam disponíveis havia anos, mas ninguém havia procurado cidades antigas naquele levantamento

Os dados estavam disponíveis havia anos, mas ninguém havia procurado cidades antigas naquele levantamento

Um levantamento aéreo de 2013 não procurava pirâmides nem cidades antigas. Os dados de cidade maia Valeriana surgiram quando arqueólogos reaproveitaram esse material anos depois. Sob a vegetação de Campeche apareceram milhares de estruturas e uma área urbana que a ciência ainda não havia registrado.

Por que esses dados ficaram tanto tempo sem revelar as ruínas?

O levantamento havia sido encomendado por um consórcio interessado em medir e acompanhar o carbono das florestas mexicanas. A tecnologia usada foi o lidar, que envia pulsos de laser a partir de uma aeronave e permite reconstruir a superfície escondida sob a vegetação.

Os dados foram coletados em 2013, mas não tinham finalidade arqueológica. Só depois Luke Auld-Thomas encontrou o conjunto durante uma busca por levantamentos ambientais já existentes. A Northern Arizona University relata que o material estava, na prática, acumulando “poeira digital” quando ganhou uma segunda utilidade.

A tecnologia permitiu enxergar construções que permaneciam praticamente invisíveis sob a vegetação

O que apareceu quando os arqueólogos reprocessaram o levantamento?

A análise cobriu aproximadamente 122 km² de Campeche. Ao retirar digitalmente parte do efeito da vegetação e examinar as elevações do terreno, começaram a surgir construções, plataformas e modificações humanas que não eram evidentes nas imagens comuns.

A universidade informou a identificação de 6.674 estruturas maias. O conjunto incluía desde ocupações mais dispersas até uma concentração urbana de grande porte.

1
Casas e plataformasMilhares de pequenas estruturas revelaram que a ocupação não estava limitada a poucos centros monumentais.
2
Praças e pirâmidesNa área urbana apareceram conjuntos monumentais compatíveis com um importante centro político maia.
3
Estradas e áreas agrícolasO lidar mostrou caminhos, terraços, muros de campos e outras modificações realizadas na paisagem.
4
ReservatóriosÁreas baixas também traziam intervenções ligadas ao armazenamento e controle de água.

Como uma cidade inteira conseguiu permanecer desconhecida?

A nova cidade recebeu o nome de Valeriana, em referência a uma lagoa próxima. O estudo publicado na revista Antiquity descreve dois grandes núcleos monumentais separados por cerca de 2 km e unidos por ocupação densa.

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A própria localização ajuda a mostrar como “desconhecida” não significa necessariamente isolada de pessoas modernas.

  • Parte das ruínas fica próxima de uma rodovia atual.
  • A população local cultivava terras entre vestígios antigos.
  • O núcleo monumental não havia sido registrado pela comunidade científica.
  • A área estudada possuía ocupação muito mais densa do que os mapas arqueológicos sugeriam.
  • O levantamento ambiental permitiu procurar estruturas sem escolher previamente um sítio arqueológico conhecido.

Essa última característica foi importante para os pesquisadores. Como o voo original não havia sido planejado para encontrar cidades maias, os dados funcionaram como uma amostra menos direcionada do que ainda pode existir sob a floresta.

O achado mostra que informações arqueológicas importantes podem estar escondidas em pesquisas feitas para outros fins

Leia também: Uma parede de 971 metros feita com 1.673 pedras ficou escondida a 21 metros no fundo do Mar Báltico e pode ter sido usada para caçar renas há mais de 10 mil anos

O que havia no núcleo monumental de Valeriana?

O maior dos dois setores possuía características associadas a uma capital política do período Clássico maia. O conjunto não era apenas uma concentração de residências.

Os elementos mapeados ajudam a mostrar a escala:

EstruturaO que o lidar mostrouLeitura
PraçasRecintos monumentaisVários espaços fechados ligados entre siCentro urbano
PirâmidesArquitetura monumentalTemplos elevados no núcleo principalFunção pública
Calçada amplaLigação internaConectava setores monumentaisPlanejamento
ReservatórioControle da águaCurso sazonal havia sido represadoEngenharia da paisagem

Por que a descoberta muda a ideia de quanto ainda falta encontrar?

O ponto mais forte não é apenas Valeriana. O levantamento foi feito sem procurar sítios arqueológicos específicos e, ainda assim, encontrou ocupações rurais, áreas intermediárias e uma cidade de grande porte.

Isso fortalece a hipótese de que partes das terras baixas maias eram muito mais densamente ocupadas do que antigos mapas sugeriam. Os próprios pesquisadores destacam que o próximo passo precisa acontecer no chão, com escavações e estudo de objetos capazes de revelar quando cada estrutura foi construída e utilizada.

💡 Curiosidade O nome Valeriana foi escolhido por causa de uma lagoa de água doce próxima, e o levantamento mostra que a área urbana continua além dos limites do bloco de lidar analisado.
Tags: Arqueologia maiaCampecheLiDARvaleriana

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