Depois de quatro décadas no campo, a família Zanoni transformou o milho em peça central de uma operação que trabalha mais de 10 mil hectares por ano. Na Fazenda Novorá, talhões já alcançaram 15 mil quilos de milho por hectare, enquanto plantio direto, rotação e gestão rigorosa sustentam o sistema produtivo.
Como 5 mil hectares viram mais de 10 mil hectares trabalhados no ano?
A diferença está na repetição de cultivos sobre a mesma base física. A família administra cerca de 5 mil hectares, mas soma mais de 10 mil hectares trabalhados quando contabiliza safra, safrinha e inverno. Cada ciclo ocupa parte da área em momentos diferentes do calendário.
Esse uso intensivo exige coordenação de máquinas, pessoas, compras e vendas. O milho ocupa cerca de 33% da área entre verão e safrinha, enquanto a soja e as culturas de inverno completam o sistema. A gestão acompanha custos e produtividade para cada etapa manter sentido econômico.

Por que quatro décadas de plantio direto importam para esse resultado?
A propriedade utiliza plantio direto desde os anos 1980. Nesse sistema, resíduos das culturas anteriores permanecem sobre o terreno e o solo é pouco revolvido. A continuidade ajuda a explicar por que a família trata palhada e rotação como parte permanente da produção.
A cobertura com palhada protege a superfície, reduz perdas por erosão e favorece infiltração de água. Em uma operação com três ciclos anuais, manter cobertura e resíduos vegetais significa preparar o terreno para a cultura seguinte antes mesmo da nova semeadura.
Como a tecnologia tenta evitar perdas já no plantio?
O milho exige implantação uniforme, e a fazenda investiu em máquinas com distribuição a vácuo, desligamento linha a linha e taxa variável. O objetivo é estabelecer o estande de plantas, isto é, a quantidade e distribuição das plantas no terreno, com menos falhas desde o início.
Os principais recursos de plantio usados nessa etapa são:
- Taxa variável: ajusta aplicações conforme as diferenças dentro do talhão.
- Desligamento por linha: reduz sobreposição de sementes em trechos já plantados.
- Distribuição a vácuo: busca maior regularidade no espaçamento das sementes.
- Ensaios próprios: híbridos são testados antes de ganhar espaço maior na fazenda.

Por que o milho vale mais do que a venda dos grãos?
Além da receita direta, o cereal deixa grande volume de resíduos sobre o solo. A rotação com milho ajuda a formar cobertura e pode melhorar o desempenho das culturas seguintes quando o sistema é bem planejado, especialmente em áreas que também recebem soja.
É por isso que a família considera a cultura estratégica. O milho responde por uma parcela importante do negócio e, ao mesmo tempo, produz palhada para o plantio direto. Em anos favoráveis, a rentabilidade pode ganhar destaque, mas o papel agronômico permanece ligado à qualidade do solo.
O que os 15 mil quilos de milho por hectare mostram de fato?
Os 15 mil quilos por hectare, equivalentes a cerca de 250 sacas, foram alcançados em talhões específicos. Para a safra relatada, a expectativa média estava próxima de 13.500 quilos por hectare. Separar teto de talhão e média evita transformar um resultado localizado em padrão automático.
A escala impressiona, mas o ponto decisivo está na repetição do método. Ao longo de quatro décadas, gestão, plantio e rotação foram sendo ajustados para trabalhar a mesma terra em diferentes épocas. O milho virou peça central porque gera grão, palhada e suporte para o desempenho das culturas seguintes.


