Na origem da Fazenda Guartelá, um agricultor de 75 anos deixou a Holanda e recomeçou no Brasil, dando início a uma trajetória que hoje chega a 250 sacas de milho por hectare. As gerações seguintes combinaram plantio direto, palhada, rotação, correção do solo e integração de atividades para elevar a produtividade.
Como a decisão tomada aos 75 anos chegou às gerações seguintes?
O bisavô do atual produtor vendeu a propriedade que mantinha na Holanda e imigrou para o Brasil. Décadas depois, a família consolidou a produção em Tibagi, no Paraná, onde mantém milho, soja, trigo e cevada, além de pecuária e suinocultura dentro da mesma estrutura rural.
A sucessão não significou repetir o modelo antigo. Cada geração adicionou novas práticas de manejo, correção e organização. A fazenda passou a buscar verticalização das atividades, isto é, combinar setores diferentes dentro da propriedade para aproveitar melhor grãos, animais, solo e infraestrutura ao longo do ano.

Por que o plantio direto virou uma base desde os anos 1980?
O plantio direto mantém resíduos vegetais na superfície e reduz o revolvimento do solo. Na propriedade, o sistema é usado desde os anos 1980 e ganhou força com o aumento de palhada produzida no inverno para proteger o terreno antes das culturas de verão.
A lógica é construir o sistema ao longo dos anos. Material vegetal sobre o solo ajuda a reduzir exposição direta, conservar umidade e sustentar atividade biológica. A palhada no plantio direto também está ligada à proteção contra erosão e à infiltração de água.
Como rotação e palhada preparam a área para o milho por hectare?
O inverno recebe culturas como trigo e cevada, enquanto o verão alterna soja, milho e feijão. Essa sequência cria resíduos e raízes diferentes. A rotação de culturas ajuda a diversificar o sistema e é um dos pilares para manter o plantio direto funcionando.
Na prática, o manejo integrado reúne várias etapas:
- Correção do solo: calagem e gessagem ajustam condições antes dos ciclos de alta exigência.
- Palhada: culturas de inverno deixam cobertura para o verão.
- Rotação: espécies diferentes ocupam a mesma área em sequência planejada.
- Híbridos: materiais e populações são ajustados conforme cada talhão.

Por que pecuária e suinocultura entram na mesma estratégia?
A família procura diferenciar setores dentro da fazenda, e isso aproxima lavoura e criação. Grãos, animais e áreas agrícolas passam a fazer parte de um sistema maior de produção. Essa integração de atividades ajuda a distribuir fontes de receita e o uso da estrutura durante o ano.
O milho ganha função dupla nesse arranjo. Além da comercialização, participa da rotação e pode se conectar à alimentação animal. Por isso, a cultura não é avaliada apenas pelo preço de uma safra, mas também pelo efeito sobre solo, produtividade e organização das atividades seguintes.
O que representa colher até 250 sacas em uma área da fazenda?
Na safra relatada, a expectativa geral estava entre 230 e 240 sacas por hectare de milho limpo e seco, enquanto um talhão chegou a 250 sacas. O número mais alto representa um teto localizado, obtido em um ciclo de clima favorável e manejo intensivo.
O resultado resume uma construção de décadas. A mudança iniciada pelo bisavô aos 75 anos encontrou, nas gerações seguintes, plantio direto, rotação e tecnologia como ferramentas de continuidade. A produtividade atual nasceu menos de uma mudança isolada e mais da soma de decisões acumuladas no mesmo solo.


