Entre Dinamarca e Suécia, uma travessia fixa de 15,9 km muda três vezes de forma para vencer mar, navegação e aviação. A ligação de Øresund usa quase 8 km de ponte, cruza Peberholm e segue por cerca de 4 km em túnel, evitando uma estrutura elevada perto do aeroporto de Copenhague e preservando o canal marítimo.
Como Dinamarca e Suécia foram ligadas por três estruturas diferentes?
A ligação fixa atravessa o estreito em uma sequência contínua. Do lado sueco, a ponte de Øresund avança por 7.845 metros até Peberholm. Na ilha, rodovia e ferrovia descem gradualmente até encontrar o portal do túnel, que segue rumo à costa dinamarquesa.
Essa combinação permitiu distribuir funções diferentes ao longo dos 15,9 km. A ponte vence a maior parte da água aberta, a ilha cria espaço para a transição de níveis e o túnel atravessa o trecho mais sensível perto de Copenhague sem erguer torres ou um tabuleiro sobre aquele corredor.

Por que não construíram apenas uma ponte de uma margem à outra?
Uma ponte contínua parecia mais simples no mapa, mas criaria restrições importantes. A VINCI Construction explica que a proximidade do aeroporto de Copenhague pesou na escolha do túnel, evitando que uma ponte naquele trecho criasse risco de interferência com as aeronaves que usam a área.
O projeto acabou transformando essas limitações em partes distintas. Os motivos principais podem ser resumidos assim:
- Aviação: o túnel evita uma estrutura elevada próxima ao aeroporto de Copenhague.
- Navegação: o canal de Drogden permanece desobstruído para grandes embarcações.
- Transição: Peberholm permite reorganizar rodovia e ferrovia antes da entrada subterrânea.
- Conexão contínua: carros e trens cruzam todo o estreito sem depender de balsas.
Qual é o papel da ilha artificial de Peberholm?
Peberholm não funciona apenas como um pedaço de terra entre ponte e túnel. A ilha tem 4.055 metros de comprimento e foi construída com material retirado durante as dragagens. Ali, os fluxos que chegam em dois níveis pela ponte precisam se alinhar lado a lado antes do portal subterrâneo.
A própria Øresundsbron descreve Peberholm como o ponto de transição entre as duas soluções. Isso evitou uma mudança brusca diretamente sobre a água e criou comprimento suficiente para conduzir estrada e ferrovia até a configuração exigida pelo túnel.

Como o túnel consegue levar estrada e ferrovia sob o mar?
O trecho subterrâneo tem cerca de 4.050 metros entre os portais. Em vez de perfurar profundamente a rocha, a obra utilizou elementos de concreto pré-fabricados, posicionados em uma vala aberta no fundo do estreito e depois cobertos, formando um túnel imerso sob o canal de Drogden.
Dentro dessa estrutura há espaço separado para tráfego rodoviário e ferroviário. A solução mantém os dois sistemas na mesma ligação internacional, mas sem exigir que um grande vão de ponte seja elevado exatamente na aproximação de uma área aeroportuária e de uma importante passagem marítima.
O que torna essa travessia diferente de uma ponte convencional?
O aspecto mais incomum é que o obstáculo não foi tratado com uma única resposta. A engenharia muda conforme a necessidade local: ponte sobre o mar, terra artificial para reorganizar a infraestrutura e túnel onde altura e navegação pesavam mais nas decisões de projeto.
Assim, os quase 16 quilômetros funcionam como uma única ligação apesar de serem três obras fisicamente diferentes. A conexão mostra como geografia, aviões, navios, carros e trens podem determinar o formato de uma infraestrutura muito antes de começar a escolha de cabos, pilares ou concreto.




