Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas
O uso de dados e de inteligência artificial tem ganhado espaço nas decisões de investimento no mercado imobiliário. Segundo o relatório Emerging Trends in Real Estate 2026, recentemente publicado pela PwC, ferramentas tecnológicas vêm sendo incorporadas à análise de ativos, à gestão de portfólio e à avaliação de riscos.
Leia Mais
De acordo com o estudo, a inteligência artificial já automatiza etapas como auditoria prévia (due diligence), elaboração de relatórios e gestão de ativos, o que acelera a análise de informações e influencia decisões de investimento. Em paralelo, o setor está demonstrando um aumento significativo no uso de IA e aprendizado de máquina (machine learning) para auxiliar nas atividades imobiliárias, com quase 75% dos entrevistados citando sua aplicação, em comparação com 51% no ano passado.
A maioria dos entrevistados espera implantar IA em todas as principais atividades imobiliárias nos próximos 18 meses, particularmente em áreas como marketing e locação (90%), administração de imóveis (87%), planejamento e design (84%), mas também tarefas operacionais imobiliárias gerais (86%) e gestão de ativos (86%). É notavelmente também uma aplicação potencial na tomada de decisões de investimento.
O presidente da Associação das Empresas de Loteamento de Minas Gerais, Gustavo Amorim, avalia ainda que estudos apontam que o interesse por ativos ligados à economia digital reflete essa transformação. Os data centers éo principal segmento para investimento em 2026 nas quatro regiões analisadas (Estados Unidos, Canadá, Europa e Ásia). Em 2025, mais de 20% dos investimentos globais em novos projetos teriam sidodirecionados a esse tipo de ativo.
A dimensão desse movimento também aparece no volume de recursos. No mercado imobiliário como um todo, o fluxo de capital apresenta sinais de recuperação. Em 2025, o volume global de investimentos cresceu 14%, alcançando US$ 888,6 bilhões, segundo dados da fintech Morgan Stanley Capital International (MSCI).
Uso de dados avança entre loteadores em Minas
Em Minas Gerais, o uso de dados também acompanha essa tendência, especialmente na análise de novos projetos. Segundo o presidente da Associação das Empresas de Loteamento de Minas Gerais, Gustavo Amorim, informações digitais têm sido utilizadas na avaliação de terrenos e na definição de investimentos no mercado de loteamentos no estado.
“A big data está trazendo mais segurança para os loteadores na avaliação dos terrenos. Com o estado cada vez mais digital, conseguimos consultar o zoneamento das áreas, identificar oportunidades e analisar a viabilidade dos loteamentos. Isso tem sido muito importante para a tomada de decisão, tanto de compra quanto de parcerias”, afirma.
De acordo com ele, dados sobre densidade populacional e sua evolução também são considerados. “Hoje encontramos informações sobre densidade populacional de todos os bairros e o histórico dessas densidades para entender quais regiões e cidades estão crescendo. Isso faz muita diferença do ponto de vista comercial”, diz.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O relatório da PwC também indica que a incorporação de dados e tecnologia ocorre em paralelo a mudanças na forma de investir. A análise de ativos passa a considerar fatores como comportamento da demanda, características locais e tendências estruturais, além de aspectos macroeconômicos.
