Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas
A Dynadok, startup fundada por mineiros e especializada na automação de validação de documentos por inteligência artificial (IA), acaba de realizar um spin-off que dá origem à empresa Dynaquote, focada na automatização da elaboração de orçamentos comerciais. O novo negócio surge com a proposta de reduzir o tempo gasto na resposta a pedidos de cotação, uma etapa considerada crítica para empresas que lidam com grande volume de solicitações. Segundo a companhia, a tecnologia permite transformar solicitações recebidas por e-mail (em formatos como PDF, Word, Excel ou texto) em propostas estruturadas em poucos segundos. Em processos manuais, essa atividade pode levar horas ou até dias.
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Um dos gargalos na elaboração dos orçamentos é a utilização pelos clientes de nomenclaturas distintas das adotadas internamente pelos fornecedores, o que exige interpretação manual para identificar os produtos corretos. “Os orçamentos também demoram para serem feitos devido à quantidade de itens, que pode atingir centenas”, afirma Willian Valadão, CEO da Dynadok. De acordo com a empresa, o sistema opera de forma contínua, 24 horas por dia, o que reduz o tempo de resposta ao cliente, fator considerado relevante em disputas comerciais em que múltiplos fornecedores são acionados simultaneamente.
Menos burocracia, mais agilidade
A nova empresa foi desenvolvida ao longo de um ano e passou por seis meses de testes em um cliente piloto antes de seu lançamento no mercado. Esse é o quarto negócio criado por Willian Valadão que já idealizou, escalou e vendeu duas startups para empresas de capital aberto: a plataforma de estudos Beduka e a rede social profissional Peixe 30.
A Dynadok e a Dynaquote operam no segmento de Intelligent Document Processing (IDP), uma tecnologia que combina IA e automação para ler, interpretar e validar documentos com alta complexidade. Segundo a consultoria DataIntelo, o mercado de IDP deve representar US$ 26,53 bilhões até 2032, com crescimento anual de 37,5% entre 2024 e 2027.
No Brasil, a tecnologia tem sido adotada principalmente por empresas de setores como educação, construção civil, saúde, celulose, seguros e mineração, onde há áreas que demandam grande controle trabalhista, de fornecedores, validação contratual e compliance documental. “A burocracia é um problema de escala no Brasil, especialmente para empresas que lidam com centenas de fornecedores e precisam conferir milhares de documentos todos os meses", afirma Valadão.
A pesquisa The State of IA, realizada com executivos de diversas partes do mundo pela McKinsey, em 2025, mostra que a maior parte das empresas ainda se encontra nas fases iniciais de expansão do uso da IA. No entanto, há uma curiosidade latente. Cerca de 62% dos entrevistados dizem que suas empresas estão experimentando agentes de inteligência artificial. Além disso, 80% dos executivos afirmam que as companhias têm a eficiência como objetivo das iniciativas de IA.
“A inteligência artificial reduz em 95% o tempo gasto nas análises de documentos, aumentando a produtividade das empresas em até 30%", afirma Valadão.
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