SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aumentou a taxa básica de juros nesta quarta-feira (16/9) em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%. A decisão, tomada por unanimidade com 12 votos a 0, marca a primeira alta dos juros desde julho de 2023, em decisão já esperada.
Em comunicado, o Fed afirmou que a atividade econômica norte-americana segue em expansão sólida, com gastos domésticos resilientes apesar da incerteza gerada por fatores geopolíticos. O órgão destacou ainda o crescimento forte da produtividade, os investimentos de capital robustos e um mercado de trabalho estável, com a criação de empregos acompanhando o crescimento da força de trabalho.
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Já em relação aos preços, o Fed reconheceu que a inflação segue elevada e afirmou que a decisão desta quarta contribuirá para acelerar o retorno à meta de 2%.
A avaliação positiva do mercado de trabalho tem respaldo em dados recentes: em agosto, a economia norte-americana criou 162 mil vagas fora do setor agrícola, segundo o payroll, relatório de emprego do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA – número acima da expectativa de analistas, que era de apenas 55 mil novas vagas.
Ordem de Trump
A alta de juros nos Estados Unidos ocorre em meio à contestação do presidente do país, Donald Trump, sobre o banco central americano. No último domingo (13/9), o líder republicano disse que nenhum país deveria ter taxas de juros inferiores às dos Estados Unidos. "Os EUA deveriam pagar a menor taxa de juros do mundo", disse o presidente em conversa com jornalistas no torneio de golfe Irish Open.
Trump também argumentou que os patamares das taxas de juros do Fed têm beneficiado outros países em detrimento dos EUA. Há duas semanas, o presidente publicou em seu perfil na Truth Social exigindo a redução da taxa: "Reduzam a taxa ou vou parar de comercializar com os países com os quais temos déficit."
A alta dos juros do Fed acontece menos de uma semana depois de o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho – indicador-chave da inflação subjacente dos Estados Unidos – ter registrado, na última sexta-feira (11/9), sua maior alta nos últimos quatro meses. Em agosto, a inflação ficou em 3,4%, com destaque para os preços elevados dos combustíveis no país; a gasolina representou um terço da alta mensal de 0,4% no período.
Previsão de alta dias antes
As apostas em uma alta dos juros já haviam sido antecipadas pelo mercado, o que impulsionou o rendimento dos Treasuries e fortaleceu o dólar. No dia 28 de agosto, Kevin Warsh, presidente do Fed, afirmou em discurso em Jackson Hole, no estado de Wyoming, que a inflação elevada nos Estados Unidos era "preocupante" e sinalizou que o banco central teria trabalho a fazer caso os formuladores de política monetária do país não avançassem rapidamente no controle das pressões sobre os preços da economia. À época, ele já indicava que o Fed poderia elevar a taxa de juros para conter a inflação – o que se concretizou nesta quarta-feira.
O cenário inflacionário fez com que as apostas em uma alta dos juros para a faixa entre 3,75% e 4% passassem de 63%, no dia seguinte à última reunião do Fed em julho, para 86%, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Até então, os juros dos EUA estavam na faixa entre 3,5% e 3,75%.
A alta dos juros nos Estados Unidos também ocorre em meio a um atrito entre o Tesouro americano e o Fed. No dia 19 de agosto, o Tesouro dos EUA anunciou que iria "pelo menos" dobrar as recompras de títulos públicos de prazo mais longo, de US$ 2 bilhões (R$ 10,3 bilhões) para pelo menos US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões). As recompras (buybacks) começaram em 9 de setembro e ampliam o programa criado para facilitar a negociação de títulos americanos mais antigos.
Os rendimentos sobem quando os preços dos títulos caem, e esse movimento provocou uma alta mais ampla das taxas de juros, que afetam desde títulos corporativos até hipotecas – poucos meses antes das eleições de meio de mandato de novembro.
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Nas últimas semanas, o conflito no Oriente Médio voltou a escalar entre Washington e Teerã, com ofensivas contra refinarias e embarcações relacionadas aos dois lados. Na prática, os novos confrontos aumentam o receio de interrupções no fluxo global de petróleo, o que pressionou as cotações da commodity. Nesta quarta-feira, o barril de petróleo Brent, referência mundial, chegou a US$ 106,83 (R$ 550,63) por volta das 8h no horário de Brasília.
