A discussão sobre inteligência artificial nas empresas não é mais sobre o que a tecnologia pode fazer. O debate agora foca em como organizações e profissionais vão se adaptar a uma ferramenta que participa de tarefas e decisões antes exclusivas de pessoas.

Priscila Laham, presidente da Microsoft Brasil, e André Petenussi, CTO da Localiza, abordaram o tema durante um painel no Localiza Labs, em Belo Horizonte. Para os executivos, o avanço da IA não é apenas uma atualização, mas uma mudança na forma como as empresas se organizam e trabalham.

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Mudança cultural

Um dos principais erros, segundo Priscila Laham, é tratar a inteligência artificial como uma transformação apenas tecnológica. A mudança também é organizacional e social, pois altera processos e a relação com clientes.

“Hoje eu já vejo muito mais consciência dos presidentes de empresa e das lideranças em olhar para a inteligência artificial como uma transformação organizacional”, afirmou. Essa visão leva as companhias a revisar processos em vez de apenas adicionar uma ferramenta de IA a uma atividade existente.

Empresas que mantêm a IA isolada em projetos experimentais capturam menos valor. A tecnologia precisa estar conectada aos objetivos do negócio e às mudanças que a organização busca em seus processos, pessoas e clientes.

O papel humano

A expansão da IA também levanta preocupações sobre empregos. A principal disputa no mercado de trabalho, segundo Laham, tende a ocorrer entre profissionais que incorporam a tecnologia e aqueles que não conseguem.

“Para a empregabilidade do futuro, ninguém vai ser substituído por um agente de IA, mas todo mundo vai ser substituído por uma pessoa que utiliza IA”, disse. A questão passa a ser quem consegue utilizar a ferramenta para executar seu trabalho melhor e mais rápido.

Na Localiza, essa transformação já aparece na rotina dos times. André Petenussi explica que a estratégia de AI First da companhia busca usar a inteligência artificial para questionar práticas consolidadas e repensar processos. A tendência, segundo ele, é que o ambiente corporativo combine pessoas e agentes de IA nas mesmas estruturas.

O que ganha valor

Com a IA assumindo atividades operacionais, algumas competências humanas se tornam mais importantes. Petenussi cita a capacidade de julgamento, o pensamento crítico, a formulação de perguntas e a resolução de problemas como diferenciais.

Se uma ferramenta pode gerar textos ou analisar dados em segundos, a vantagem profissional deixa de estar apenas na execução. O valor passa a estar na capacidade de saber o que pedir, por que pedir, como avaliar o resultado e o que fazer depois dele.

O recado dos executivos é que os profissionais devem desenvolver familiaridade com a tecnologia enquanto as transformações acontecem. A combinação entre a capacidade humana e as novas ferramentas é vista como parte importante do futuro do trabalho.

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