O setor de serviços em Minas Gerais apresentou retração de 0,9% ao longo do primeiro semestre de 2026, na contramão do movimento observado no país, que acumulou um crescimento de 2% no mesmo período. Os números estão na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), relativa ao mês de junho.
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As atividades que “patinaram” no primeiro semestre no estado foram: Transportes, serviços
auxiliares aos transportes e correio, -3,4%; Serviços profissionais, administrativos e complementares, -3,3%; e Serviços prestados às famílias (como hospedagem e alimentação), -1%. Já as atividades que registraram ganhos em receita foram: Serviços de informação e comunicação +3,3%; e Outros serviços, +7%.
No Brasil, nesse mesmo período, a única atividade que recuou foi a de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com -1,2%. Enquanto isso, as demais atividades fecharam em crescimento ou estabilidade: Serviços de informação e comunicação, +6,8%; Serviços profissionais, administrativos e complementares, +2,4%; Serviços prestados às famílias, +2%; e Outros serviços, 0%.
Em junho, os serviços em Minas Gerais recuaram 0,6% em relação a maio, após dois meses de resultados positivos. Já o Brasil fechou junho estável, ou seja, sem registrar crescimento, mas também sem perdas no volume de serviços.
“Minas Gerais apresenta uma recuperação mais lenta dos serviços. O recuo observado em junho, depois de dois meses de avanço, mostra que o setor ainda enfrenta dificuldades para sustentar uma trajetória contínua de crescimento”, avalia Fernanda Gonçalves, economista da Fecomércio MG (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais).
Já na comparação interanual, com junho de 2025, o volume de serviços no estado cresceu 0,7%, mas ainda ficou distante do desempenho nacional, que registrou expansão de 2%.
Nesse recorte, Minas Gerais apresentou crescimento em: Serviços de informação e comunicação, +6,7%; Serviços profissionais, administrativos e complementares, +4%; e Outros serviços, +1,8%. As atividades que perderam receita foram: Serviços prestados às famílias, -1,1%; e Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com -4,6%.
No Brasil, nessa comparação, o volume do setor cresceu em: Serviços de informação e comunicação, +9,4%; Serviços profissionais, administrativos e complementares, +2,8%; e Serviços prestados às famílias, +1,7%. Já as atividades que tiveram retração foram: Outros serviços, -2,5%; e Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com -2,6%.
Por fim, no acumulado dos últimos 12 meses, de julho de 2025 a junho de 2026, o setor de serviços do estado apresentou retração de 0,7%, contra um crescimento de 2,6% no Brasil, uma diferença de 3,3 pontos percentuais.
MG perde em setores importantes
Para a economista da Fecomércio MG, a recuperação do setor ainda não alcançou de forma homogênea as diferentes atividades que compõem a economia mineira. Ela dá como exemplo as sequência de quedas dos Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que representam 39,67% do peso das atividades de serviços em Minas Gerais.
“Os números mostram que o desempenho mineiro não é explicado apenas por uma desaceleração geral. Existe também uma questão de composição. Atividades com peso significativo na economia de serviços do Estado estão apresentando resultados negativos e acabam limitando o desempenho agregado,” explica Fernanda.
Ela acredita que, para que Minas Gerais consiga acompanhar uma trajetória mais consistente de crescimento, será importante observar a retomada dos segmentos relacionados à mobilidade, logística, turismo e aos serviços prestados às famílias. “Esses setores têm impacto direto sobre a circulação de renda e sobre a atividade econômica”.
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Brasil deve ter crescimento moderado
A expectativa da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) é de que o setor de serviços mantenha uma trajetória de crescimento moderado no Brasil. Para a entidade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo à renda e ao crédito devem continuar favorecendo a demanda das famílias ao longo do ano.
“Esse movimento, contudo, tende a ser limitado pelas condições financeiras ainda restritivas. Apesar do início do ciclo de redução dos juros, a Selic permanece em patamar elevado, restringindo o consumo e os investimentos. Além disso, as incertezas no cenário externo e seus efeitos sobre os preços de commodities permanecem como fatores de risco para a atividade”, analisa a Fiemg em sua Pesquisa Mensal de Serviços.
O documento informa que o segmento de Serviços de informação e comunicação deve permanecer como um dos principais vetores de crescimento, enquanto o de Transportes segue como ponto de atenção, diante do desempenho negativo observado no primeiro semestre e de sua maior sensibilidade às oscilações dos custos. A projeção da Fiemg para 2026 é um crescimento de 2,1% no volume de serviços no Brasil.
