Terras raras e inovação: destaques da maior feira de mineração continental
A maior edição do evento na América Latina reúne em Belo Horizonte líderes globais para debater negócios, o futuro da atividade e a corrida estratégica pelas terras raras
Repórter especial do Estado de Minas/UAI (2011), com passagens por Folha de SP (stringer Europa 2011), Agora SP (2010-2011) e Hoje em Dia (2004-2010).
Sempre envolvido em grandes reportagens e séries em áreas como meio ambiente, segurança pública, tran
Exposibram 2026 reúne gigantes da mineração, mais de 750 estandes e 80 mil visitantes esperados em BH crédito: Divulgação
O presente e futuro da exploração das terras raras no Brasil, inovações tecnológicas para extração mineral e aproveitamento, revoluções tecnológicas e oportunidades de negócios. A Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram) 2026 movimenta o mundo da mineração em sua maior edição de todos os tempos, comemorando 50 anos do evento, que é o mais expressivo da América Latina.
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A exposição é realizada de 24 a 27 de agosto, no Expominas, na Avenida Amazonas, 6.200, Bairro Gameleira, em Belo Horizonte, com a feira aberta nesta terça-feira (25/8) das 13h às 20h.
Promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o evento reúne empresas, executivos, autoridades, investidores, pesquisadores, estudantes e profissionais da cadeia mineral para apresentar tecnologias, equipamentos e serviços, discutir os rumos do setor e ampliar negócios.
A edição deste ano é a maior da história da feira, com mais de 750 estandes em mais de 17 mil metros quadrados, expectativa de mais de 80 mil visitantes e participação de empresas brasileiras e estrangeiras.
A dimensão do evento cresceu em relação à edição de 2024, realizada também na capital mineira. A área de exposição passou de 15 mil para mais de 17 mil metros quadrados, enquanto o número de estandes subiu de 600 para mais de 750. Toda a área comercial disponível foi vendida, segundo o Ibram, indicando aumento da procura por espaço entre empresas nacionais e internacionais.
A expectativa de público também é expressiva. O diretor de Comunicação e Projetos do Ibram, Paulo Henrique Soares, informou que a organização espera mais de 80 mil visitantes ao longo dos quatro dias. A feira é gratuita, mediante inscrição, enquanto o Congresso Brasileiro de Mineração exige inscrição paga.
O público inclui executivos e profissionais da mineração mundial, empresários da cadeia de fornecedores, pesquisadores, professores, estudantes de áreas relacionadas à atividade e autoridades brasileiras e estrangeiras. Para esses participantes, a feira concentra em um mesmo espaço fornecedores, mineradoras, tecnologias e soluções que podem resultar em parcerias comerciais, novos investimentos, atualização profissional e troca de conhecimento.
A programação combina a exposição comercial com o Congresso Brasileiro de Mineração, palestras técnicas, cursos, workshops, rodadas de negócios e atividades de educação mineral. Os debates tratam de temas como inovação, descarbonização, transição energética, minerais críticos, sustentabilidade, transformação digital, segurança operacional, políticas públicas e competitividade.
A geração de negócios é um dos principais objetivos. Mais de 300 fornecedores haviam se inscrito para encontros com cerca de 15 mineradoras, aproximando empresas de diferentes pontos da cadeia produtiva. A iniciativa cria oportunidades para apresentação de produtos e serviços, formação de parcerias e contratação de fornecedores.
O alcance da Exposibram é nacional e internacional. A presença de empresas estrangeiras, investidores internacionais e representantes de diferentes países coloca Belo Horizonte no centro de discussões que envolvem cadeias globais de fornecimento de minerais. A importância ultrapassa o mercado brasileiro porque cobre, lítio, níquel, grafite e terras raras são cada vez mais disputados por seu papel na eletrificação, na transição energética e no desenvolvimento de novas tecnologias.
Para o Brasil, o evento também serve como espaço de discussão sobre como aumentar o valor gerado pela mineração dentro do país. O Congresso trata da necessidade de ampliar o processamento mineral, melhorar a infraestrutura e avançar nas cadeias globais de valor, em vez de concentrar a participação brasileira apenas na produção e exportação de minérios.
O diretor-presidente do Ibram, Pablo Cesário, resume a expectativa da organização: “Estamos preparando uma Exposibram histórica, que deve reunir um número recorde de participantes e expositores”. Segundo ele, o encontro aproxima “conhecimento, tecnologia, investimentos e oportunidades de negócios” para impulsionar o desenvolvimento responsável da mineração.
A exploração das terras-raras, cruciais para a tecnologia, exige processos complexos em regiões de características geológicas marcantes. Pexels
Quem são os grandes participantes?
Entre as grandes empresas presentes está a BHP, patrocinadora master e participante pela quinta vez. A companhia terá executivos em debates sobre inovação e liderança e defende que a modernização da mineração deve ser acompanhada por avanços em segurança e nas questões ambientais e sociais.
A BHP também leva ao evento a discussão sobre o papel da liderança na inovação. Paulo Chung afirmou que “a mineração é essencial para o desenvolvimento, mas nossa responsabilidade vai além da extração”, destacando investimentos em segurança e inovação e o papel da Exposibram como espaço de diálogo sobre esses desafios.
A Anglo American também participa da feira com um estande voltado ao relacionamento com diferentes públicos. A empresa utiliza referências de Conceição do Mato Dentro, onde mantém uma de suas operações em Minas Gerais, para apresentar sua visão sobre a relação entre mineração, território, meio ambiente e comunidades.
A presidente da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, afirma que “o futuro da mineração passa pela convivência harmônica entre inovação, preservação ambiental, territórios e sociedade”. A empresa também promove no dia 25 um debate sobre minerais críticos com Ruben Fernandes, diretor de Operações Globais, Ana Sanches e Pablo Cesário, do Ibram.
O impacto local é direto em Belo Horizonte, especialmente na região da Gameleira, onde fica o Expominas. A organização estima mais de 80 mil visitantes e adotou a campanha “Vá de Metrô” para reduzir o fluxo de veículos na Avenida Amazonas, corredor que costuma registrar aumento do trânsito durante a realização da feira.
A estação Gameleira fica a poucos minutos de caminhada do Expominas e integra a Linha 1 do metrô, que liga a região a bairros de Belo Horizonte e a municípios da Região Metropolitana. A campanha também orienta visitantes que chegam pelo Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, a utilizar transporte público no deslocamento até o evento.
A circulação de milhares de visitantes também cria oportunidades para atividades econômicas ligadas à hospedagem, alimentação, transporte e serviços, embora as fontes do evento não apresentem uma estimativa financeira específica para esse impacto. A feira ainda cria espaço para pequenos produtores mineiros apresentarem produtos e experiências diretamente a empresas, investidores e visitantes de outras regiões.
O impacto estadual aparece de forma clara na participação de iniciativas de diferentes regiões de Minas Gerais. Doces, temperos, cerâmicas, produtos artesanais, turismo e experiências comunitárias estão presentes em espaços sociais da feira, conectando pequenos produtores a um público formado por empresas e investidores.
Um exemplo é a associação Céu de Montanhas, de Brumadinho, que reúne empreendedores da produção rural, cerâmica, bordado, gastronomia, hortas, temperos e experiências oferecidas por comunidades quilombolas. A iniciativa utiliza uma plataforma para conectar visitantes aos empreendimentos e facilitar a contratação direta de experiências no município.
Outro projeto levado à Exposibram é a Cerâmica Ussu, de Itatiaiuçu, que utiliza rejeitos da mineração na produção de peças artesanais. A iniciativa, apoiada pela ArcelorMittal, trabalha com qualificação, empreendedorismo e geração de renda para mulheres da comunidade de Pinheiros e região.
Também de Itatiaiuçu participa o Coser, que reaproveita uniformes usados para produzir novos itens. As duas iniciativas têm estandes na área de projetos sociais e podem comercializar suas peças diretamente durante a feira, ampliando a visibilidade e a possibilidade de novos negócios.
No campo da economia circular, a ArcelorMittal participa ainda do painel “Financiamento Circular: como alavancar negócios circulares na utilização de rejeitos na mineração”, marcado para 26 de agosto, às 15h50. Pedro Henrique Borges, analista de desenvolvimento de coprodutos da empresa, apresentará iniciativas para transformar resíduos em novos ativos econômicos.
A dimensão internacional aparece também no ApexBrasil Investor Day, realizado nesta terça-feira (25) pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos e pelo Ibram. O encontro reúne investidores internacionais, empresas e instituições públicas para apresentar projetos e oportunidades brasileiras relacionadas a minerais críticos e estratégicos.
O Investor Day ocorre das 9h30 às 17h10, no Expominas, com programação em inglês e tradução simultânea para o português. À tarde, os participantes conhecem projetos ligados a lítio, terras raras, cobre e níquel, incluindo empreendimentos de exploração, desenvolvimento, transformação mineral e agregação de valor.
Outro destaque desta terça-feira é a participação de Paul Polman no Congresso. O executivo, reconhecido internacionalmente por sua atuação em liderança empresarial e sustentabilidade, participa às 10h40 do painel “Impacto Positivo: o valor que fica”, com uma discussão sobre responsabilidade empresarial, valor social e ambiental e visão de longo prazo.
A programação do Congresso realizada pela manhã também colocou em discussão as oportunidades da mineração e seu legado no Brasil. O evento prossegue nesta terça-feira até o fim da tarde, com painéis voltados às transformações econômicas, ambientais e tecnológicas que afetam o setor.
O minicurso “Regulação em Foco, Regulatório na Prática”, iniciado às 9h e previsto até as 17h desta terça-feira, é voltado a profissionais de áreas regulatórias e jurídicas, relações institucionais e lideranças empresariais. A capacitação trata de regras da mineração, energia, óleo, gás e biocombustíveis, licenciamento ambiental e cavidades.
A partir das 15h desta terça-feira, a feira continua aberta até as 20h. Entre as atividades técnicas da tarde estão discussões sobre mineração subterrânea, fechamento de minas, sondagem, água, tecnologia e integridade de estruturas. A programação técnica permite que fornecedores apresentem soluções diretamente a profissionais que atuam nas operações.
Também nesta terça-feira, a Abimaq lança o Radar CSCM, plataforma criada para aproximar mineradoras e cimenteiras de fabricantes de máquinas e parceiros tecnológicos. A ferramenta permite pesquisar fornecedores por empresa, localização, categoria de equipamento, etapa da produção e tipo de solução.
O sistema busca ir além de uma lista de fornecedores. A proposta é identificar empresas com competências complementares que possam trabalhar juntas em projetos envolvendo equipamentos, automação, processamento, movimentação de materiais, eletrificação, monitoramento, engenharia e manutenção.
A inovação também aparece no lançamento da XCMG, que apresenta a XC988-HEV, descrita pela empresa como a primeira carregadeira híbrida de mineração do Brasil. O equipamento combina motor a combustão e propulsão elétrica, tem capacidade nominal de 8,5 toneladas e potência de 480 kW.
A fabricante também expõe o caminhão de mineração XDE130, com capacidade para transportar até 120 toneladas. A carregadeira utiliza bateria de fosfato de ferro-lítio de 99,11 kWh e foi projetada para aplicações que exigem produtividade e desempenho em condições severas.
Outra alternativa de redução de emissões apresentada na feira é o Be8 BeVant, biocombustível que, segundo a fabricante Be8, pode substituir o diesel fóssil sem adaptação dos motores ou alteração da estrutura de abastecimento. A empresa informa redução de 99% das emissões de gases de efeito estufa no conceito “tanque à roda” em comparação com o diesel fóssil.
A proposta é permitir que caminhões fora de estrada, equipamentos de apoio e grupos geradores utilizados na mineração adotem o combustível sem a necessidade de trocar imediatamente máquinas e veículos. Sandro Tapparo, Head da Unidade de Negócios Be8 BeVant da Be8, afirma que a solução permite começar a redução de emissões utilizando os equipamentos já existentes.
No segmento de minerais críticos, a Appian Capital Brazil apresenta nesta terça-feira os avanços do projeto Santa Rita Underground, da Atlantic Nickel, no Sul da Bahia. O empreendimento prevê a transformação da mina de Santa Rita, hoje a céu aberto, em uma operação subterrânea que, segundo a empresa, poderá se tornar a maior mina subterrânea de níquel da América Latina.
O projeto tem investimento estimado em R$ 3,3 bilhões e deve ampliar a vida útil da mina para mais de 30 anos, com produção anual estimada em cerca de 24.500 toneladas de níquel equivalente. O níquel sulfetado é usado em baterias de veículos elétricos e outras tecnologias de baixo carbono.
A Appian também apresenta o Projeto Grafite Jordânia, da Graphcoa, previsto para o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O empreendimento é voltado à produção de concentrado de grafite e reforça a presença de projetos mineiros ligados a minerais considerados estratégicos para a transição energética.
Na área de inovação social, a Atlantic Nickel leva exemplos de iniciativas desenvolvidas no Sul da Bahia. Entre elas estão projetos ligados ao cultivo de cacau, beneficiamento de banana, formação de professores em ciência e tecnologia e uma maratona de inovação para estudantes de escolas públicas.
A Anglo American mantém, durante a feira, um espaço voltado a minerais críticos, empregabilidade e relação com os territórios. A programação da empresa inclui discussões sobre o posicionamento do Brasil nesse mercado e sobre como a mineração pode se relacionar com comunidades e meio ambiente.
O Mineramundo é outra atração que se estende até o fim da feira. O espaço educativo deve receber mais de 12 mil estudantes entre 24 e 27 de agosto e reúne quizzes, realidade virtual, telas interativas, atividades educativas, um trem cenográfico e a Casa da Mineração, que mostra a presença dos minerais em objetos do cotidiano.
A principal novidade do Mineramundo em 2026 é a Sandbox, caixa de areia com realidade aumentada que projeta em tempo real relevos, curvas de nível, cursos d’água e mapas de elevação. A experiência permite demonstrar conceitos de geologia, geografia e hidrologia de maneira visual e interativa.
A atividade também inclui uma parceria entre Ibram e Ministério de Minas e Energia para levar ao público uma ferramenta de ensino utilizada internacionalmente em museus, universidades e centros de ciência. A intenção é aproximar crianças, adolescentes, estudantes técnicos e universitários dos conhecimentos relacionados às geociências e à mineração.
Antes da abertura da feira, o Mining Hub promoveu, em 22 e 23 de agosto, um hackathon com 60 estudantes de graduação e pós-graduação. As equipes trabalharam em cinco desafios: legado territorial e pós-mineração, descarbonização, aproveitamento de rejeitos, redução de riscos em projetos de minerais críticos e uso de inteligência artificial nas operações.
Os vencedores do hackathon são anunciados nesta terça-feira (25) durante a Exposibram. As três equipes melhores colocadas dividem R$ 18 mil em prêmios, sendo R$ 10 mil para o primeiro lugar, R$ 5 mil para o segundo e R$ 3 mil para o terceiro.
Entre as iniciativas que já ocorreram antes desta terça-feira estão, portanto, a etapa competitiva do Hackathon Mining Hub, realizada nos dias 22 e 23, e a abertura da Exposibram, realizada na segunda-feira (24). A feira foi inaugurada no dia 24 e permanece aberta até quinta-feira (27).
A programação de negócios continua nos próximos dias. O manual operacional atualizado do evento prevê a Rodada de Negócios para 26 e 27 de agosto, das 8h às 18h, enquanto a notícia de abertura das inscrições havia informado inicialmente os dias 25 e 26. O formato permite reuniões presenciais e virtuais entre fornecedores e mineradoras.
Até o encerramento, em 27 de agosto, a Exposibram mantém a exposição de equipamentos, tecnologias e serviços, além de palestras técnicas e atividades do Congresso. A programação reúne, em Belo Horizonte, questões que vão da rotina das operações de mineração às disputas internacionais por minerais estratégicos, fazendo do evento um ponto de encontro entre negócios, tecnologia, investimentos, formação profissional e discussões sobre o futuro da atividade mineral.
Destaques de inovação na Exposibram
Primeira carregadeira híbrida: equipamento da XCMG combina combustão e propulsão elétrica Novo biocombustível: produto da Be8 pode substituir o diesel fóssil e reduzir emissões Reaproveitamento de resíduos: projetos de economia circular utilizam rejeitos e uniformes Plataforma de conexão: sistema do radar CSCM aproxima mineradoras e fabricantes Educação imersiva: atração Mineramundo apresenta caixa de areia com realidade aumentada
Iniciativas sustentáveis apresentadas por empresas
Mineração Vale e BHP: apostam em inovação e segurança operacional Empresa Anglo American: destaca a relação harmoniosa entre atividade mineral e território Projeto Atlantic Nickel: apresenta projeto para mina subterrânea de níquel na América Latina Iniciativa Graphcoa: foca na produção de concentrado de grafite para transição energética