SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O dólar recuou 0,24% nesta quarta-feira (29/7) e encerrou o dia cotado a R$ 5,108 após o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) decidir manter a taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% pela quinta reunião consecutiva.
A manutenção dos juros, diante das expectativas de parte do mercado por uma alta, favoreceu o apetite por risco e reduziu a busca por ativos considerados mais seguros.
A decisão beneficiou o real e pressionou o dólar no mercado internacional. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, saiu da estabilidade e recuou 0,51%.
A Bolsa, por outro lado, não acompanhou esse cenário e fechou em queda de 1,35%, aos 173.885 pontos, na mínima do dia. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, foi pressionado principalmente pelas ações do setor bancário e pela alta dos preços do petróleo.
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Na tarde desta quarta-feira, o Fed decidiu manter a taxa de juros dos Estados Unidos, citando a persistência da inflação e a incerteza econômica, agravada pela guerra no Oriente Médio. Três dos 12 integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) votaram por uma alta de 0,25 ponto percentual.
No comunicado da decisão, a instituição afirmou que a manutenção dos juros ocorre em um contexto de expansão da atividade econômica. "A inflação segue elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram os preços em alguns setores, incluindo o de energia", disse o Fed.
Em entrevista coletiva, o presidente da instituição, Kevin Warsh, reforçou que o banco central não trabalha com uma meta de inflação flexível.
"Não existe uma meta implícita mais branda. Existe apenas uma meta, e ela é de 2% [...] Iniciamos um novo capítulo e entendemos que mais de cinco anos de inflação acima da meta não podem ser revertidos em nove semanas", afirmou, em referência ao período em que está à frente do Fed.
Em maio, a inflação dos Estados Unidos acumulou alta de 4,1% em 12 meses, segundo o índice de preços PCE, indicador de inflação preferido do Fed.
O cenário já era precificado por analistas do mercado financeiro. Segundo o FedWatch, do CME Group, o cenário mais provável para a decisão desta quarta era a manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.
Havia, contudo, um temor de alta. Segundo analistas consultados, havia 36% de chance do juros do país aumentar para o intervelo entre 3,75% e 4%.
Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, a manutenção das taxas favoreceu os ativos de risco. "O dólar recuou contra uma cesta de moedas e perdeu força também contra o real, reforçando a leitura de que, enquanto o Fed optar por não apertar, os ativos emergentes devem ganhar espaço".
De acordo com Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o mercado esperava um tom mais duro por parte do Fed.
"Embora três dirigentes tenham votado por uma alta de 0,25 ponto percentual, o presidente do Fed evitou sinalizar novos aumentos de juros e reforçou que as próximas decisões continuarão dependentes dos dados. Havia a expectativa de alguma sinalização de novas altas nos próximos meses, o que acabou não acontecendo", diz.
A manutenção dos juros nos EUA acontece em meio à expectativa de uma redução da Selic na reunião do Banco Central brasileiro, marcada para a próxima semana.
O próximo encontro do colegiado do BC para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25% ao ano, será nos dias 4 e 5 de agosto.
Na última terça-feira (28), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica) divulgou que o IPCA-15 desacelerou para 0,06% em julho, ante expectativa de 0,22% do mercado. No acumulado de 12 meses, o indicador foi a 4,52% até julho.
O IPCA-15 é considerado uma prévia do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação.
Para o economista Rafael Rondinelli, da Mag Investimentos, o IPCA-15 "reforça a projeção de corte de juros pelo Copom na reunião da próxima semana".
Caso o corte na Selic se confirme, cairá a atratividade da estratégia "carry trade" -em que investidores captam recursos em economias com taxas baixas, como a americana ou a japonesa, para aplicá-los em mercados com juros mais alto, caso do Brasil, se beneficiando dessa diferença.
O mercado também repercutiu novas ofensivas entre EUA e Irã no Oriente Médio. Na noite de terça, múltiplos mísseis balísticos foram lançados contra forças americanas na região em uma "tentativa de ataque surpresa", de acordo com o Comando Central das Forças Armadas Americanas (Centcom).
Nesta quarta, os Estados Unidos retaliaram. Os militares do país, em conjunto com Forças da Árabia Saudita, lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque.
A retomada de ataques impactou as cotações do petróleo. Por volta das 17h, o contrato de setembro do barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 8,13%, a US$ 91,03.
A tensão no conflito internacional pressionou os ativos domésticos. A guerra interrompe a circulação no estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo.
Com o transporte das commodities estrangulado, cresce o temor entre investidores de um repique inflacionário global, o que gerou uma maior cautela no mercado acionário.
O pregão ainda foi pressionado pelo desempenho do setor bancário, com o Santander liderando as perdas do dia. As ações da instituição financeira recuaram 7,37%, a R$ 25,63, após a divulgação de uma queda no lucro do segundo trimestre.
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Prejudicado pela inadimplência dos clientes, o banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões, baixa de 17,6% em relação ao mesmo período de 2025. Analistas consultados pela Bloomberg projetavam ganho de R$ 3,7 bilhões.
