Eleito nesta segunda-feira (20/7) como presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) para a gestão 2027-2030, Guilherme Abrantes disse que pretende dar continuidade ao trabalho que vem sendo realizado pela casa. Ele disse que o principal desafio é criar condições para fortalecer o setor industrial e mantê-lo em crescimento, recuperando a competitividade, o que passa pela redução do Custo Brasil.

Guilherme afirma que esse trabalho, que vem sendo feito há 8 anos, não é fácil. Para a Fiemg, a burocracia, a insegurança jurídica, a complexidade tributária, a infraestrutura deficiente, a energia cara, os juros elevados e o excesso de obrigações regulatórias encarecem a produção e afastam investimentos. Ele aposta na construção de um bom relacionamento com os governos federal e estadual para discutir as necessidades do setor. 


Uma das prioridades para alcançar o objetivo da gestão é o investimento em educação para promover uma maior aproximação entre a formação profissional e as necessidades da indústria. Neste contexto, Guilherme destaca os resultados alcançados pelas escolas do Sesi (Serviço Social da Indústria) e do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) para suprir a falta de mão de obra qualificada. 


Segundo a Federação, outro fator que limita o crescimento das empresas é o crédito caro. Assim, eles defendem a responsabilidade fiscal e a coordenação entre as políticas fiscal e monetária para permitir a redução sustentável dos juros, ampliar investimentos e estimular a modernização industrial. “Sem modernização, a indústria não anda. Para tanto, nós precisamos de crédito, dando condições para que a indústria consiga se inovar”, explicou. 


Tarifaço e eleições


Sobre o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, que majorou a exportação de vários produtos brasileiros em 25% e passa a valer já a partir desta quarta-feira (22/7), Guilherme defende aprimorar a comunicação não só das entidades, mas do governo estadual e federal para reverter a situação. “Junto disso, eu espero que o estado atenda às empresas que vão sofrer com esse tarifaço com ajudas de crédito, possibilidades de inovação e, lógico, a condição de abertura de novos mercados”, acrescentou.

Quando o tema da entrevista coletiva se aproximou da política, mais especificamente as eleições federais e estaduais, o presidente eleito afirmou que a Fiemg é uma entidade apartidária que vai conversar com todos e buscar o que for melhor para seus representados: “Quem souber se comunicar melhor com a Fiemg, com os interesses da Indústria, é o que a Fiemg busca. Não tem que ter que ser do lado A, lado B ou lado C.”

Sobre preferências pessoais, respondeu com humor que “o voto é secreto”. Na sequência, Flávio Roscoe, presidente da casa, licenciado para uma possível disputa pelo Governo de Minas, não teve papas na língua para criticar o governo federal: ”O Brasil teve um retrocesso muito grande no ambiente de negócios. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) apurou que, apenas nos dois primeiros anos do governo, foram adicionados quase R$ 180 bilhões de custos anuais com burocracia. Isso tem um impacto, já que todo o custo adicionado para quem produz vira preço para o consumidor pagar a mais na conta.”


Flávio Roscoe analisa sua gestão


Apesar dos desafios, Roscoe afirmou que tem muita confiança na nova gestão, garantindo que a equipe tem todas as qualidades para comandar esse novo ciclo da Indústria. Ele comparou a atual eleição, de chapa única e apoio de 98,4% dos votos, com a que o elegeu, quando a casa estava dividida e ele fazia parte da chapa de oposição. “Ao longo desses anos construímos consensos em prol do que é melhor para a indústria, dialogando com todos, sendo uma casa inclusiva, trazendo os empresários mais para próximo da nossa entidade, para que essa seja uma entidade mais participativa, mais viva”, analisa.

Para ele, a eleição de ontem é o reconhecimento do setor de que há necessidade de uma continuidade por quem estivesse com a mesma visão. Ainda que vá disputar a eleição para Governador, o presidente licenciado da Fiemg disse que volta para terminar o mandato nos últimos dois meses do ano e que a presidência interina vai iniciar uma transição com o presidente eleito.

Como legado de sua gestão de oito anos à frente da Fiemg , Flávio elege a promoção de uma mudança cultural: “aquilo que você pode fazer mais com menos e fazer mais para a sociedade”. Ele cita várias iniciativas em governança que tornaram a entidade mais robusta, como a própria alternância de poder. Roscoe afirma que a evolução patrimonial da entidade saltou de R$ 800 milhões, em 2018, para algo próximo de R$ 6 bilhões, no fim de 2026.

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Quem é Guilherme Abrantes?

O empresário Guilherme Silva Costa Abrantes, de 55 anos, está à frente da Laticínios Dona Formosa, localizada em Águas Formosas, no Vale do Mucuri. Voltada inicialmente à produção de queijos, a empresa se desenvolveu ao longo dos anos e conta atualmente com cerca de 200 funcionários.

O presidente eleito da Fiemg nasceu em Belo Horizonte e se formou em Administração pela Faculdade Integrada Newton Paiva. Sua trajetória no movimento sindical empresarial começou por meio do associativismo, especialmente no Silemg (Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais), onde exerceu a função de diretor financeiro antes de assumir a presidência da entidade.

No Sistema Fiemg, Guilherme integrou a diretoria durante a última gestão na função de diretor financeiro. Como presidente eleito, defende uma atuação baseada na valorização das pessoas, no fortalecimento do associativismo, na descentralização das decisões e no compromisso com resultados.

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