Uma análise da Fundação João Pinheiro (FJP) aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Minas Gerais em 2025 cresceu muito mais devido à evolução dos preços dos produtos do que ao ganho em produtividade. 

No último ano, o PIB do agronegócio mineiro atingiu R$ 279 bilhões, um crescimento de R$ 42,6 bilhões em relação a 2024, quando o setor “girou” R$ 236,3 bilhões.


Em 2025, o agro representou 24,1% de toda a economia do estado, a maior participação na série histórica iniciada em 2010.

Desta evolução de 18% da riqueza gerada pelo setor, o crescimento em volume de produção foi de apenas 1,7%, enquanto a valorização desses produtos ficou em média na casa dos 16%.



Paralelamente a isso, os preços da economia de Minas Gerais em 2025 evoluíram 7,7%, ou seja, a evolução do agronegócio nesse quesito foi superior ao dobro. O crescimento de 1,7% no volume do agro, contudo, está longe de ser desprezível, já que se mostrou superior à variação positiva do volume do PIB estadual, que cresceu em 1,4%, no período.

“Nos últimos seis anos, apenas em 2021 os preços do agro não superaram os do restante da economia em Minas Gerais. A evolução dos preços é reflexo de restrições que acontecem na economia global, restrições de oferta em função de uma demanda crescente, implicando preços elevados”, explicou o pesquisador da FJP, Raimundo Leal. 


Ele cita como exemplos recentes disso o café e o cacau. Tanto a bebida quanto o chocolate ficaram “salgados” para a população brasileira nos últimos anos.

Entre os destaque em volume na produção do agro mineiro em 2025 estão: a soja, que saltou de 7,7 milhões de toneladas em 2024 para 9,2 milhões; e o milho, de 6,6 milhões de toneladas para 7,1 milhões. 

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O café apresentou uma queda do volume, de 1,7 milhão de toneladas para 1,6 milhão, mas sua valorização em 2025 foi de 65,8%, compensando a perda. Outros produtos que valorizaram no último ano foram o milho (+13,3%), o sorgo (+11,5%), o tomate (+22,9%) e o boi gordo (+22,5%).

De acordo com o estudo da FJP, apresentado hoje na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), a maior contribuição para o avanço do PIB do agronegócio veio das atividades primárias da agricultura, pecuária e produção florestal.

Outros setores do complexo agropecuário mineiro também tiveram desempenho positivo. O PIB da agroindústria e dos serviços relacionados ao agronegócio passou de R$ 166,6 bilhões em 2024 para R$ 180,8 bilhões, um aumento de R$ 14,2 bilhões (ou 8,5%).

Na agroindústria, destacaram-se os segmentos de fabricação de alimentos e de celulose. Já entre os serviços vinculados ao setor, contribuíram para o crescimento atividades como comercialização, transporte e armazenagem, além dos serviços de alojamento, alimentação fora do domicílio e operações financeiras.

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