SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As empresas do grupo Andrade Gutierrez protocolaram um pedido de recuperação extrajudicial na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. Um dos principais alvos da Operação Lava Jato, o conglomerado apresentou dívidas avaliadas em R$ 3,4 bilhões à Justiça. Segundo documento apresentado pela companhia, o pedido já foi aceito por mais de 70% dos credores, percentual mínimo necessário para a homologação judicial.

No documento entregue à Justiça, a companhia informou que acumulou prejuízo de mais de R$ 2 bilhões desde 2022, quando fez seu primeiro acordo fora da tutela do Judiciário.

A companhia avaliou que as medidas de reestruturação adotadas em 2022 foram exitosas, mas que "novas adversidades significativas (...) impactaram negativamente a capacidade de pagamento das requerentes com relação às dívidas que se busca reestruturar nesta Recuperação Extrajudicial."

Um fator crucial, dentre as adversidades citadas no plano, foi a interrupção de obras da companhia. Em dezembro de 2024, 47% da carteira de projetos do grupo estava paralisada ou postergada, o que afetou seu fluxo de caixa.

Dois projetos foram citados. O primeiro trata da construção e revitalização de uma rodovia de mais de 63 km de extensão no leste de Gana, um projeto que representava cerca de 15% da carteira do grupo, no valor de R$ 1,4 bilhão, suspenso por inadimplência do governo. Já o segundo, que representa cerca de 32% da carteira do grupo, no valor de R$ 3,2 bilhões, é sobre a postergação da construção da Usina Hidrelétrica Las Placetas, na República Dominicana.

Também são citados fatores como a valorização do dólar, sobretudo em 2024, o que aumentou "expressamente" o custo das dívidas em moeda estrangeira da empresa; e a elevação da taxa de juros no Brasil -a Selic passou 2% ao ano, em 2022, para 15%, em dezembro de 2025.

O conglomerado dividiu o pedido em dois planos de reestruturação. O primeiro, com a maior parte do passivo, é formado por empresas no Brasil: AGE (Andrade Gutierrez Investimentos em Engenharia), AGCS (Andrade Gutierrez Construções e Serviços SA) e AGIE (Andrade Gutierrez International SA). O outro é com créditos da AGINT, Zagope e Inzag, fundos com títulos emitidos pela companhia fora do país.

Prestes a completar 80 anos, a companhia virou uma das grandes empreiteiras do país, ao lado de Camargo Corrêa, OAS (atual grupo Metha) e Odebrecht (atual Novonor). Além de ajudar a construir o país, essas empresas expandiram suas atuações para outros continentes, como África e Ásia, mas sucumbiram com a Operação Lava Jato, o que causou um baque na construção brasileira.

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No documento para reestruturação, a Andrade Gutierrez destaca seu legado no país. A empresa participou da construção da primeira linha de metrô do país, em São Paulo, e de diversas rodovias importantes, como a Anhanguera-Bandeirantes e a Presidente Castelo Branco. Também participou da construção do Aeroporto de Confins, em Minas Gerais; das usinas hidrelétricas de Itaipu, Belo Monte e Santo Antônio. E participou da construção do Parque Olímpico, para os Jogos Olímpicos de 2016, disputados no Rio de Janeiro.

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