A terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (4/3) pela Polícia Federal, atingiu também a cúpula técnica do Banco Central do Brasil. Por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), dois servidores da área de supervisão bancária foram afastados de suas funções no âmbito das investigações sobre o caso Banco Master. 

A medida alcança Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ambos vinculados ao Departamento de Supervisão Bancária (Desup), conforme o jornal O Globo. Eles já não ocupavam os cargos de chefia, mas permaneciam na estrutura da autoridade monetária. Além da determinação judicial, os dois são alvo de sindicância interna instaurada no fim do ano passado por decisão do presidente do BC, Gabriel Galípolo, para apurar eventuais falhas nos procedimentos de fiscalização relacionados ao banco.

Paulo Sérgio Neves de Souza foi o responsável por autorizar a aquisição do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, instituição que, após a compra, passou a operar sob o nome de Master. Mais recentemente, exercia a função de chefe-adjunto do Desup, com atribuições voltadas ao monitoramento da solidez e da estabilidade do sistema financeiro.

Belline Santana, por sua vez, também chefiou o Departamento de Supervisão Bancária e chegou a ser cogitado para assumir a Diretoria de Fiscalização da autarquia. Ele assinou ofícios e despachos encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF) com informações sobre operações do Master. Parte desses documentos foi citada pela defesa de Vorcaro em manifestações à Justiça.

Em um dos ofícios, Belline relatou que uma operação considerada atípica, envolvendo a aquisição de carteiras de crédito que levantaram suspeitas no fim de 2024, foi revertida no início de 2025. Em outro trecho, apontou que, até aquele momento, o Banco Central não havia identificado indícios de irregularidades em determinadas operações de crédito consignado originadas pelo próprio Master.

O caso ganhou dimensão pública em novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, determinando o encerramento das atividades da instituição, o afastamento de seus administradores e o bloqueio de bens para garantir o pagamento de credores.

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Na mesma data, a Polícia Federal abriu investigação para apurar suspeitas de fraude em uma operação de venda de carteiras de crédito, estimada em R$ 12,2 bilhões, envolvendo o BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. 

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