Duração da queda de juros será decidida com o tempo diante de incerteza com guerra, diz Copom
"Duração e extensão dos conflitos geopolíticos" dificulta "a identificação de tendências claras", informa ata divulgada nesta terça-feira pelo Banco Central
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Diante da incerteza provocada pela guerra no Irã, a duração e a intensidade do ciclo de queda de juros serão decididas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) ao longo do tempo, mostra ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (24).
Sem sinalizar seus passos futuros, o colegiado do BC deixou a próxima decisão em aberto. A ideia do Copom é ter mais clareza da profundidade e da extensão do conflito no Oriente Médio antes de definir quais serão os movimentos seguintes.
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"O Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises", afirmou.
"Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras", acrescentou.
O Copom iniciou na última quarta-feira (18) o ciclo de queda de juros e reduziu a taxa básica (Selic) em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. Em ata, ressaltou os efeitos dos juros altos sobre a atividade econômica e sobre a inflação para justificar o primeiro corte.
"O comitê analisou as opções para o ritmo de início do ciclo de calibração da taxa básica de juros, concluindo que nesse momento a redução de 0,25% é a mais adequada", afirmou. Segundo o colegiado, a "calibração" da política de juros manteria a Selic em um nível alto o suficiente para seguir contraindo a economia, de forma a ajudar a levar a inflação em direção à meta.
Esse foi o primeiro corte da Selic em quase dois anos e o primeiro da gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central. A última queda tinha sido registrada em maio de 2024, quando Roberto Campos Neto ainda era presidente da autoridade monetária.
Na ata, o Copom enfatizou que a incerteza com relação ao cenário externo se elevou consideravelmente. No dia da reunião, o barril do petróleo chegou a ultrapassar os US$ 110. "Além do agravamento das tensões geopolíticas, novas incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos colaboraram para tornar esse cenário ainda mais incerto", complementou.
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Ao analisar a trajetória da inflação, o colegiado observou que, até o início do conflito no Oriente Médio, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mostrava "algum arrefecimento".
O alívio no câmbio e nos preços das commodities contribuía para reduzir a inflação de bens industrializados e alimentos. Além disso, a inflação de serviços também perdia força, ainda que de forma mais lenta devido ao dinamismo do mercado de trabalho e da moderação gradual da atividade econômica.
No entanto, as expectativas de inflação voltaram a subir depois do início da guerra no Irã, permanecendo acima da meta de 3% em todos os períodos de tempo observados.
No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano saltou de 3,4% para 3,9%. Para o terceiro trimestre de 2027, a projeção subiu de 3,2% para 3,3%. Esse é o prazo na mira do comitê devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia.
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O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No modelo de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).