No campo

Para Faemg, conflito EUA/Irã vai resultar em aumento do custo de produção

Aumento dos combustíveis, dos fertilizantes e da taxa de câmbio devem ser os principais efeitos do conflito entre os EUA e Israel contra o Irã

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A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), que representa os produtores rurais do estado, alertou sobre os impactos da escalada do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã para o setor no estado. Com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo no mundo está bloqueada, pode comprometer o fornecimento não só de combustíveis, mas também de fertilizantes. 

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Para Aline Veloso, assessora técnica do Sistema Faemg Senar, o cenário já gera preocupação no setor agropecuário. “A escalada do conflito consolidou uma preocupação concreta, que já vínhamos acompanhando junto à nossa Confederação da Agricultura. Eventos geopolíticos acontecem longe das nossas porteiras, mas os efeitos chegam rapidamente ao mercado e ao campo”, afirma. Para ela, Minas Gerais pode sentir esses efeitos no aumento dos custos de produção e na compressão das margens de lucro. 

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Aline explica que a alta do petróleo - que avançou 12% no preço do barril (Brent) já no dia seguinte ao primeiro ataque ao Irã - impacta diretamente no custo do diesel, insumo essencial para a produção, agregação de valor e distribuição de produtos agropecuários. “Se o petróleo sobe, o custo sobe junto. Além disso, o Oriente Médio é relevante na produção de fertilizantes nitrogenados, de onde vem parte dos insumos que importamos. Qualquer instabilidade prolongada pode pressionar ainda mais os preços”, disse a assessora.

Em 2025, dos cinco principais fornecedores de fertilizantes nitrogenados para o Brasil, dois estão no Oriente Médio: o Catar, na segunda colocação (com vendas no valor de US$ 332 milhões), e Omã, na quinta posição (com US$ 273 milhões). A assessora técnica do Sistema Faemg explica que, de forma geral, os fertilizantes para a segunda safra no Brasil já estão em estoque, mas, depois disso, seu fornecimento estará sujeito ao mercado internacional, já afetado pelo conflito.

Para ela, o motivo do Brasil ter se tornado tão dependente da importação de fertilizantes é que os principais países exportadores são muito competitivos. No entanto, ela conta que existe uma política pública - o Plano Nacional de Fertilizantes - para reduzir essa dependência.

A incerteza também impacta o planejamento da próxima safra. Outro ponto de atenção é o câmbio. Em cenários de crise internacional, o dólar tende a se valorizar, movimento já observado no mercado. Nos dois primeiros meses do ano, o dólar acumula queda de 4,08% frente ao real, mas, apenas nesta semana, a moeda americana valorizou 2,54% até esta terça-feira (5/3).

Embora isso possa favorecer as exportações brasileiras, também encarece fertilizantes, defensivos agrícolas e máquinas importadas. “Podemos até projetar maior receita em reais, mas também teremos custos mais altos, inclusive de produtos que importamos ou que passam pela região afetada. Ainda que o fechamento de rotas logísticas seja temporário e as empresas se adéquem, o conflito pode influenciar ainda mais o cenário. É um equilíbrio bastante delicado para o setor produtivo”, avalia Aline.

Diante deste cenário, a Faemg orienta o produtor a reforçar a gestão de riscos nas propriedades, com planejamento antecipado da compra de insumos, avaliação de instrumentos de proteção de preços e atenção redobrada ao fluxo de caixa.

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