Feira com programação cultural gratuita acontece neste sábado em BH
Organizado pela Associação Tereza de Benguela, o evento conta com barracas de artesanato, comida e outros produtos, que vão ser vendidos durante o dia
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Na data em que é celebrado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e o aniversário da Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela, a organização da classe promove feira com acesso gratuito neste sábado (25/7).
O evento vai ocorrer na Praça Praça Professor Corrêa Neto - Iapi, no Bairro Lagoinha, região Noroeste de Belo Horizonte, e conta com barracas de artesanato, bebidas, brechó, comidas, plantas e temperos. A previsão de início das celebrações é às 10h e término às 17h.
Para viabilizar a Feira Tereza Benguela, a organização dialogou com o Departamento de Promoção da Igualdade Racial (DPIR) da Prefeitura de BH, que auxiliou nesse projeto. De acordo com a coordenadora de comunicação da Associação Tereza Benguela, Mariana Marques, serão 17 expositoras entre associadas e moradores do Iapi.
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“O evento era um desejo nosso há algum tempo e esse ano se tornou possível devido aos nossos movimentos internos e de outros parceiros”, comenta. A coordenadora informou que uma reunião feita no início do ano pavimentou o caminho para que a feira saísse do campo das ideias. “O DPIR entrou com a estruturação base e nos unimos à força com a Associação de Moradores do Iapi, que é o local que vai acontecer a feira”.
As entidades concordaram que a feira entrasse no calendário do Julho das Pretas e comemorasse importantes marcos. “Esse momento de homenagem faz parte do Festival Escrevivências e que, celebra também, a Associação Tereza Benguela, que completa 12 anos neste dia 25”, destacou Mariana.
A feira integra um conjunto de ações previstas no projeto apoiado pela Fundação Banco do Brasil, que prevê duas edições da feira. A segunda está prevista para o fim deste ano.
Quem foi Tereza Benguela?
Tereza Benguela foi líder do Quilombo Quariterê no decorrer do século XVIII, a atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia. Sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas e lutou contra os soldados do Estado da época.
Historiadores estimam que a comunidade abrigava mais de 100 pessoas, entre negros e indígenas. De difícil acesso, a posição estratégica do Quilombo permitiu que Tereza coordenasse um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos.
Tereza comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo e manteve um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas próximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que lá se refugiava eram transformados em instrumentos de trabalho, visto que dominavam o uso da forja.
Não se tem registros de como Tereza morreu. Existe uma versão de que ela se suicidou depois de ter sido capturada por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770, e outra afirma a de que a mulher foi assassinada e teve a cabeça exposta no centro do Quilombo.
A comunidade resistiu até 1770, quando foi destruído pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho. A população na época era de 79 negros e 30 indígenas.
Aniversário
A Associação de Trabalhadoras Domésticas Tereza de Benguela atua, desde 2014, em Belo Horizonte, na defesa dos direitos da categoria, promove ações de formação, atendimento psicossocial, orientação jurídica e articulação política da classe.
A feira, além de celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemora os 12 anos de fundação da associação. Ainda estão previstas apresentações culturais de diferentes grupos, cortejos, desfiles de moda afro, apresentações de danças folclóricas, roda de samba e exibição de carros antigos.
Serviço
Feira Tereza de Benguela
Data: 25 de julho (sábado)
Horário: 10h às 17h
Local: Praça Professor Corrêa Neto – Praça do IAPI
Endereço: Praça Professor Corrêa Neto, 43 – São Cristóvão – Belo Horizonte (MG)
Entrada: Gratuita
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*Estagiário sob supervisão do subeditor Gabriel Felice