Mastectomia tem devolvido autoestima e qualidade de vida a homens trans
Procedimento remove as mamas e remodela o tórax para um contorno masculino, permitindo que homens trans realizem atividades do cotidiano com menos preocupação
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Tomar banho de camiseta. Evitar praias, clubes e piscinas. Deixar de praticar esportes. Esconder o próprio corpo em situações simples do dia a dia. Para muitos homens trans, essas experiências fazem parte de uma rotina marcada por desconforto, insegurança e sofrimento emocional. Mais do que uma questão estética, a dificuldade de reconhecer a própria imagem pode impactar relacionamentos, vida profissional, saúde mental e até o acesso aos serviços de saúde.
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Nesse contexto, a mastectomia masculinizadora — cirurgia que remove as mamas e remodela o tórax para um contorno masculino — tem se consolidado como uma importante ferramenta de promoção de bem-estar e qualidade de vida. Para quem passa pelo procedimento, o resultado costuma ser descrito de forma semelhante: liberdade.
"A palavra que mais ouvimos dos pacientes é libertação. É a possibilidade de vestir uma roupa sem preocupação, frequentar uma praia sem medo, olhar para o próprio corpo e se reconhecer. São situações que parecem simples para a maioria das pessoas, mas que representam uma transformação profunda para quem vive a incongruência de gênero", explica a mastologista Patrícia Bellini, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia.
Embora a visibilidade da população trans tenha aumentado nos últimos anos, os desafios ainda começam muito antes da cirurgia. Muitos pacientes relatam dificuldades para encontrar profissionais preparados para acolher suas demandas sem julgamentos ou constrangimentos. Em alguns casos, o preconceito está presente justamente nos espaços onde deveriam encontrar cuidado e orientação.
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Para Patrícia, essa é uma das discussões mais importantes da medicina contemporânea. "Os profissionais de saúde precisam entender que não se trata apenas de uma técnica cirúrgica. Estamos falando de pessoas que, muitas vezes, passaram anos enfrentando sofrimento psicológico, exclusão social e dificuldades para acessar um atendimento respeitoso. O acolhimento faz parte do tratamento."
Estudos internacionais já demonstram que cirurgias de afirmação de gênero estão associadas à melhora da autoestima, da satisfação corporal e dos indicadores de saúde mental. Na prática clínica, os efeitos são percebidos rapidamente. Pacientes relatam aumento da confiança, retomada de atividades sociais e esportivas e maior conforto nas relações pessoais.
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O tema também tem provocado uma reflexão importante dentro da própria medicina. Historicamente treinados para enxergar doenças como foco principal do atendimento, os profissionais são cada vez mais chamados a compreender o impacto que identidade, pertencimento e bem-estar exercem sobre a saúde. Nesse cenário, atender a população trans de forma adequada deixa de ser apenas uma questão de especialidade e passa a ser uma questão de humanização.
"A medicina evolui quando aprende a enxergar as pessoas em sua totalidade. E, para esses pacientes, ser visto, respeitado e acolhido pode ser tão importante quanto o próprio procedimento", conclui a mastologista.
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Mais do que uma cirurgia, a mastectomia masculinizadora representa, para muitos homens trans, a oportunidade de viver algo que grande parte das pessoas sequer percebe no dia a dia: a tranquilidade de habitar o próprio corpo.