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A Sra. foi vice-presidente da OAB/MG de 2022 a 2024 e, agora, assume a Caixa de Assistência dos Advogados de Minas Gerais (CAAMG) para o mandato de 2025 a 2027. Como surgiu a advocacia e a OAB na sua vida como filha da pequena Monte Alegre de Minas? Conte-nos a sua trajetória.


Sou nascida em Uberlândia, mas fui registrada em Monte Alegre de Minas (pequena cidade à época com menos de 15 mil habitantes), onde vivi a infância e adolescência até os 13 anos, mudando para Uberlândia para estudar e trabalhar; e trago comigo as raízes do Triângulo Mineiro. Meu pai era farmacêutico prático e cuidava da saúde das pessoas, independentemente se possuíam condições de pagar ou não. Quando ele faleceu, há 34 anos, encontramos uma caderneta onde ele anotava os atendimentos feitos com tanta dedicação. Minha mãe foi outro exemplo de uma mulher guerreira, vendia cosméticos da Avon com sua sacolinha de porta em porta e caminhava a cidade inteira a conquistar seus clientes. Fez isso até os 60 anos. Ela é uma referência de luta, resistência e vontade de vencer.


Esses exemplos, tanto de meu pai quanto de minha mãe, moldaram minha trajetória. Aliado a isso acredito muito que a essência da vida é tentar vivê-la de forma leve, cultivando a fé em Deus, que nos ampara em momentos que nem imaginamos precisar de seu auxílio. Sou muito ligada à minha família, e acredito que, sem essa base, não conseguimos chegar a lugar nenhum. O contato familiar precisa ser constantemente reconstruído, pois é a base que nos sustenta em todos os aspectos, sejam eles profissionais, pessoais ou em nossos sonhos de conquistar cargos institucionais ou posições políticas.


Minha família é o meu santuário, o lugar para onde quero retornar todos os dias e que carrego no meu coração a todo momento. A advocacia faz parte dessa trajetória, mesmo não sendo uma tradição familiar, desde os 11 anos, eu já sonhava em ser advogada e havia na minha cidade advogados que me inspiraram a seguir esse caminho. De lá para cá, enxerguei na advocacia a oportunidade de construir uma vida digna, com trabalho e prosperidade e com mais de 34 anos de advocacia ininterrupta e 24 anos dedicados ao sistema OAB, sinto-me realizada nessa profissão.

A Sra. defende que a advocacia é uma função maior que simplesmente advogar. Como assim?


A advocacia transcende o ato exclusivo de representação juridica. Não é apenas uma profissão de quem atua como operador (a) do Direito, nosso papel vai além de defender direitos extrajudiciais ou judiciais; é acolher, orientar, tornar visível e ser a voz daqueles que não têm vez e nem voz. É um exercício de olhar para a sociedade, para a comunidade, para a igreja, para o nosso município, para o estado e para o nosso país, com o objetivo de melhorar o ambiente social como um todo. Como profissionais da advocacia e, especialmente, como mulheres, temos uma intuição diferenciada, um carinho e uma sensibilidade, que agregam valor à nossa atuação. Sem esse olhar atento, acabamos por permitir que questões sociais críticas desaguem em litígios que poderiam ser evitáveis. Na advocacia, temos a responsabilidade de construir uma sociedade mais justa e ética, combatendo preconceitos, desigualdades e violações de direitos.


Hoje, entre os inscritos na OAB/MG, a maioria (52%) é de mulheres. A Sra. acha que ainda existe, em Minas, uma necessidade de maior valorização da mulher pelo mercado de trabalho? Se positivo, em que sentido? Ou já existe uma igualdade?


Em primeiro lugar é um orgulho ver as mulheres liderando em número de inscrições na OAB-MG. O engajamento das mulheres advogadas é algo que me emociona e inspira. Ao olhar para o interior, para as nossas subseções e para a capital, constatamos iniciativas incríveis que promovem o fortalecimento da advocacia feminina. Cada subseção desenvolve projetos únicos, mas com o mesmo objetivo: engajar e valorizar a participação feminina. Por outro lado, sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer e que as dificuldades enfrentadas pelas mulheres também são históricas.


Com mais de três décadas de profissão, acompanhei o crescimento de temáticas fundamentais que estão impregnadas em nossa sociedade: a valorização da mulher no mercado de trabalho, o enfrentamento da violência doméstica e a luta contra a violência em diversos segmentos sociais.


Precisamos de mudanças reais na sociedade, e, para isso, é essencial o apoio de entidades, instituições públicas, privadas e dos poderes constituídos, para que essa realidade, que é um problema nacional, possa ser transformada.


É por isso que a nossa gestão tem como prioridade promover a valorização da mulher advogada, a paridade de gênero e a criação de um ambiente de trabalho inclusivo e acolhedor. Precisamos reforçar o protagonismo feminino na advocacia e continuar construindo um mercado de trabalho cada vez mais justo para todas.


A Sra. substitui Gustavo Chalfun na CAAMG, que se tornou presidente da OAB/MG. Isto aumenta sua responsabilidade? Quais os legados deixados por ele pretende manter e quais seus planos à frente da CAA/MG?


Assumir a presidência da CAAMG é, sem dúvida, uma grande responsabilidade, especialmente sucedendo Gustavo Chalfun, cuja liderança fortaleceu a advocacia mineira e deixou legados importantes. Felizmente este é um momento de união e de avanço, pois a gestão do presidente Sérgio Leonardo e respectivos diretores do triênio 2025-2027 iniciou um ciclo histórico e transformador. Neste percurso, eu tenho a honra de ser a primeira mulher a presidir a Caixa de Assistência dos Advogados de Minas Gerais, um marco histórico que reafirma o espaço cada vez maior da mulher em posições de destaque e a força da advocacia feminina.


Esta é uma responsabilidade que assumo em conjunto com meus pares de diretoria com muito orgulho, carinho e determinação para trabalharmos pela advocacia em MG. Vamos dar continuidade ao trabalho de valorização da classe, ampliando auxílios, convênios e benefícios já existentes. Além disso, nossa gestão terá um olhar diferenciado, cada vez mais humanizado e sensível, trata-se daquela intuição que já mencionei, que agrega valores.


Vamos implementar melhorias na saúde, bem-estar e no suporte pleno à advocacia, instrumentalizando, ouvindo e acolhendo, na medida do possível, todas as demandas da advocacia. Nosso objetivo à frente da Caixa de Assistência é transformar a advocacia e a própria CAAMG em uma instituição cada vez mais acolhedora e presente na vida da advocacia mineira.


Após ter sido vice-presidente da OAB-MG e, agora, presidente da CAAMG, o caminho natural é uma futura presidência da entidade?


A advocacia sempre me motivou a assumir desafios e lutar por mudanças significativas, mas acredito que cada etapa tem seu momento. Agora, nossa missão é conduzir a CAAMG com excelência e dedicação, atendendo às necessidades da advocacia mineira. O futuro, como sempre, será consequência do trabalho que realizarmos no presente.


Meu compromisso atual é com a gestão 2025-2027, e continuarei trabalhando para fortalecer a advocacia e construir um legado de transformação, acolhimento e escuta ativa. A presidência da OAB-MG, se vier a acontecer, será consequência natural do reconhecimento e da confiança da classe, mas hoje meu foco está no trabalho à frente da CAAMG.

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