Que as feiras são lugares propícios para se descobrir ótimos pratos não é lá uma grande novidade. Aliás, na Praça Paris, no Rio de Janeiro, mais especificamente no Circuito Gastronômico e Cultural da Gloria, realizado sempre aos domingos, o que não falta é comida boa.
Uma das barracas que chama a atenção do público é a novíssima Curryoca, inaugurada em junho deste ano. À frente da operação especializada em curry tailandês, está um chef com bagagem pesada. Bruno de Figueiredo passou por algumas cozinhas do Rio de Janeiro, mas, certamente, a mais aclamada delas foi a do Oro, restaurante com duas estrelas Michelin do chef Felipe Bronze.
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Depois de um período mais afastado da correria de cozinhas profissionais, Bruno, que já tinha feito contato com a organização do Circuito Gastronômico e Cultural da Glória, recebeu uma notificação que havia surgido uma vaga no espaço. “Desenhei esse projeto com o Ian e, em 15 dias, conseguimos elaborar essa receita de curry”, conta, reforçando o papel importante de Ian Equi, que, apesar de não ser formalmente sócio de Bruno, é um parceiro de longa data, que já trabalhou com ele em diversas cozinhas e está no dia a dia da barraca na Praça Paris.
Bruno de Figueiredo e Ian Equi, dupla que desenvolveu o projeto da Curryoca
Com "borogodó"
Os dois pensaram em partir para um prato asiático pois observaram um crescente apreço por essa cozinha. “Confesso que a ideia deste prato não foi muito romântica, antes de definirmos que queríamos isso, fomos à feira, fizemos um trabalho de pesquisa do que já tinha por lá. Queríamos um produto novo, inédito por lá”, acrescenta.
E, para trazer um pouco do “borogodó” carioca para o curry tailandês (que, diferentemente do indiano é preparado com uma pasta fresca, ao invés de temperos secos), os chefs usaram, na receita, ingredientes como limão tahiti, capim-limão, pimenta dedo-de-moça e rapadura. “Normalmente, no Rio, estamos submetidos à muito calor, então quisemos uma receita mais leve e com ênfase em ingredientes refrescantes”.
Diferentemente da receita tradicional, o prato da Curryoca não tem a carne de frango ensopada. Na verdade, a sobrecoxa desossada (R$ 45) e marinada passa pela brasa para trazer o toque defumado que os brasileiros tanto amam.
Além da versão tradicional com frango, hoje também há a possibilidade de optar pela carne bovina, que é o baby beef (R$ 50). Os veganos são atendidos por uma versão com abóbora, vendida a R$ 45 (a pasta base já é um preparo sem nenhum derivado animal, portanto, já é vegana por natureza). Essas duas variações também são marinadas e passam pela brasa.
Todos os pratos são servidos com arroz jasmin, emblemático da cozinha do Sudeste asiático. “Conseguimos um arroz produzido no Vale do Paraíba [região entre o Rio de Janeiro e São Paulo], que acrescentou muito ao prato, ele é mais fresco que os de mercado, que ficam muito tempo nas prateleiras”, ressalta o chef.
Ocupação do espaço público
Estar em uma feira é um grande ensinamento para Bruno. “Na esfera comercial, a gente tende a ver a feira como uma transação de compra de algum produto, mas na verdade é muito mais que isso. Tem ocupação do espaço público, cultura, lazer, diversidade, empreendedorismo...”, defende.
O imprevisível – que pode ser positivo ou negativo em alguns casos – também é destacado pelo chef. “A operação na praça está sujeita à vários riscos, como os climáticos, e todo domingo é diferente. Mas o que nos anima é que a cada semana a demanda cresce”, diz.
Próximos passos
Apesar de ainda não ter essa ideia totalmente estruturada, Bruno conta do desejo de ter uma loja física e afirma enxergar as feiras como “incubadoras de negócios muito boas”. “Precisamos de uma estrutura maior para alcançar esse o próximo passo [de uma loja], mas minha vontade é ter um espaço próprio em breve, onde poderia também expandir o cardápio e apresentar mais técnicas”.
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Serviço
Curryoca
Todos os domingos, a partir das 10h30
Praça Paris, Glória, Rio de Janeiro
