Fundado pela chef Morena Leite, o Instituto Capim Santo está perto de fincar raízes em Belo Horizonte. A instituição, voltada para a formação de pessoas em situação de vulnerabilidade social na área da gastronomia, lançará sua primeira turma na capital mineira no dia 3 de setembro. O objetivo é que os alunos se formem como assistentes de cozinha e encontrem oportunidades no mercado de trabalho.
A vinda para Minas era um desejo antigo da chef. "Morena sempre teve o sonho de ir para Minas, e isso era muito lógico. Não se pode falar de gastronomia brasileira sem falar de Minas Gerais", revela o presidente do instituto, Luccio Oliveira. Como ele reforça, um dos pilares do projeto é a gastronomia brasileira e, como o estado tem uma forte identidade ligada à alimentação, "o caminho natural seria ir para Minas, no sentido de qualificar e solidificar o nosso discurso."
O momento não poderia ser melhor para a chegada da instituição ao estado. No início do ano, o Grupo Capim Santo assumiu as cozinhas do Inhotim, em Brumadinho, o que vai ajudar a dar suporte para o seu braço social. Luccio acrescenta que a abertura dessa unidade se dá numa época em que a gastronomia mineira está muito pujante, com o surgimento de novos chefs e novas técnicas.
As inscrições para as duas primeiras turmas de BH já estão abertas. Serão oferecidas 50 vagas para o curso "Cozinheiro do Amanhã", de 100 horas, com duração aproximada de dois meses, sendo que metade dos alunos começam no dia 3 de setembro e a outra metade na sequência. As aulas ocorrem de segunda a sexta, das 13h às 17h. A instituição oferece ajuda de custo para o transporte (R$ 18 por dia).
Técnica e lado humano
As aulas são mais voltadas para profissionalização do que para empreendedorismo. Os alunos aprendem tudo do básico, participam de vivências em restaurantes e se formam como assistentes de cozinha.
Serão oferecidas neste primeiro momento 50 vagas para duas turmas do curso 'Cozinha do Amanhã' em Belo Horizonte
"Começamos com cortes, molhos, caldos, fundos e vamos crescendo até a formação de cozinhas regionais. Nossos alunos saem capacitados, não só em técnica, mas em habilidades emocionais, para que estejam preparados para encarar o mercado de trabalho", explica Luccio.
Quem vai liderar as primeiras turmas em terras mineiras é o professor Isaías Santos, ex-aluno do Instituto Capim Santo. Ele se formou em 2017, em Itacaré, e se transformou em "professor de professores", como descreve o presidente. "Não é só ensinar a cozinhar, tem que inspirar. Então, nada melhor do que um professor que passou pelo instituto."
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Aulas na faculdade
Desde 2024, o Instituto Capim Santo tem parceria com o Grupo Ânima Educação, por isso as aulas são realizadas dentro das faculdades, no contrafluxo escolar. Na capital mineira, eles usarão a estrutura da cozinha da Le Cordon Bleu, no UniBH, que fica na Avenida Professor Mário Werneck, 1685, Bairro Buritis, Região Oeste da cidade.
Na visão de Luccio, dois pontos valorizam essa parceria. "Os alunos passam a ter acesso a equipamentos de ponta e muitos professores das faculdades se voluntariam para dar aulas e os alunos se voluntariam para ser mentores do curso, então existe um intercâmbio."
Mas, ao longo desse tempo, ele observou outro grande ganho de levar o instituto para dentro das faculdades. "Os alunos passam a querer mais e a ter uma vontade que nunca tiveram, de fazer vestibular e estudar em uma faculdade. É muito comum que nossos alunos façam Enem e ganhem bolsa para o curso de nível superior. Para mim isso é muito importante", comemora.
Como se inscrever
Os candidatos se inscrevem on-line e passam inicialmente por um processo de seleção, que considera os seguintes critérios: idade (devem ter a partir de 18 anos), renda familiar, grau de escolaridade e nível de necessidade. A partir daí, a equipe chega a uma lista com pré-selecionados e parte para as entrevistas, também realizadas à distância. Assim, montam as turmas de 25 alunos cada.
Presidente do Instituto Capim Santo, Luccio Oliveira tem formação em gestão e gastronomia
"Não selecionamos quem sabe ou não sabe cozinhar. Questões socioeconômicas são mais importantes do que conhecimento prévio", avisa Luccio. Isso porque o curso é focado em quem quer construir uma carreira na gastronomia.
O Instituto Capim Santo
Aberto em 2009, o Instituto Capim Santo tem hoje 38 unidades. Pela parceria com a Prefeitura de São Paulo, através do programa Rede Cozinha Escola, são 32, além de três na Bahia (Trancoso, Itacaré e Salvador), duas em Pernambuco (Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca) e uma na cidade do Rio de Janeiro.
A história de quem comanda
Quem está à frente do Instituto Capim Santo é o baiano Luccio Oliveira, natural de Ilhéus. Formado em administração, ele tocava uma empresa na área de seguros quando teve vontade de fazer gastronomia. "Nunca tive a intenção de abrir negócio nem ser chef, era mais por hobby mesmo."
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A história dele se cruza com a do Grupo Capim Santo de um jeito curioso. Seu pai morava em frente à unidade do restaurante em São Paulo, comia lá sempre e um dia, em 2016, recebeu o convite para abrir uma escola em Itacaré. Ele topou, desde que o filho participasse do projeto. No ano seguinte, foi inaugurada uma unidade do instituto na Bahia.
Ainda em 2017, Luccio assumiu o comando da instituição a pedido de Morena Leite. "Falo que foi o canto da sereia, caí no golpe", brinca. "Desde então, de patrocinador virei diretor, vice-presidente e, em 2020,assumi a presidência do instituto. Hoje sou sócio-investidor das minhas empresas e me dedico 100% ao Capim Santo", conta.
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O que mais orgulha Luccio, além de já ter formado mais de dois mil alunos, é ter ajudado a profissionalizar a operação do instituto com o seu conhecimento misto em gestão e gastronomia. Para se ter uma ideia, até 2020, todo mundo era voluntário.
