Enquanto a França já tem uma história antiga e consolidada no mundo dos vinhos, o Brasil ainda apresenta uma trajetória recente nesse segmento. Não por isso, o país tropical deixa de produzir excelentes e surpreendentes rótulos.

É exatamente isso que o chef francês Benoit Mathurin; o empresário italiano Giovanni Montoneri, que mora no Brasil há 12 anos e é entusiasta dos vinhos nacionais; o jornalista e influenciador francês Xavier Vankerrebrouck; e o brasileiro Guilherme França, sócio da Intrust Associates, querem mostrar para os franceses.

Os quatro se uniram para levar adiante o projeto “Vin du Brésil”, que busca, justamente, exportar vinhos brasileiros – inclusive mineiros – para a França.

Toda essa história começou há cerca de oito anos, quando Giovanni e Benoit ficaram amigos e começaram a partilhar experiências no “Esther Rooftop”, restaurante do italiano em São Paulo. “O Benoit, como grande entusiasta e conhecedor de vinhos, começou a trazer rótulos brasileiros, que, a cada encontro, harmonizavam cada vez melhor com a culinária sofisticada do restaurante. Essa evolução sensorial, da descoberta inicial até combinações cada vez mais precisas, foi o que plantou a semente da Vin du Brésil”, explica Giovanni.

Assim, o grupo atua sobretudo em degustações direcionadas a profissionais do setor, como sommeliers, comerciantes, restaurateurs e jornalistas especializados. “Já realizamos três degustações em Paris, em dezembro, reunindo tanto a imprensa quanto profissionais do mercado”, acrescenta Xavier Vankerrebrouck.

Diversidade

Para conquistar o paladar dos europeus, o projeto aposta na apresentação de produtos que sejam diferentes entre si. Para Xavier, ao longo das degustações já realizadas, “as castas que mais surpreenderam foram Chardonnay, Chenin Blanc e Cabernet Sauvignon. O principal motivo é o frescor desses vinhos, algo que surpreende os franceses, que normalmente esperam rótulos mais encorpados e potentes.”

De Minas

Além de garrafas do Rio Grande do Sul, o “Vin du Brésil” aposta em vinhos mineiros. Até o momento, são duas as vinícolas do estado que aparecem nas degustações: Bárbara Eliodora, de São Gonçalo do Sapucaí, e Estrada Real, de Caldas.

“A escolha do Sul de Minas aconteceu de forma bastante natural. Nos últimos anos, a região se consolidou como a segunda maior produtora de vinhos do Brasil, muito impulsionada pela técnica da dupla poda, da qual são pioneiros”, enfatiza o chef Benoit, fazendo referência à técnica que consiste, basicamente, em inverter o ciclo natural da videira, possibilitando duas colheitas anuais, sendo uma no inverno.

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*Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino

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