Se há uma década a presença feminina era quase inexistente nas churrasqueiras profissionais e nas cozinhas de brasa, hoje as mulheres ocupam esse espaço com talento, técnica e criatividade. A quinta edição do Caminhos de Fogo, realizada neste sábado (25/4), em Tiradentes, é prova desse movimento e reúne chefs que vêm transformando o universo do fogo.

Entre os destaques está Mari Mota, confeiteira e consultora de sobremesas, que estreia no evento com uma proposta inusitada: levar a delicadeza da confeitaria para a brasa. O desafio foi aprovado pelo público, que formou filas ao longo do dia para experimentar a criação.

Mari Mota, confeiteira e consultora de sobremesas, fez sua estreia no evento

Nara Ferreira/EM/DA. Press

“Foi um desafio gostoso de fazer. Meu marido me perguntou no início do evento se eu estava feliz, mas naquela hora não soube responder por causa da ansiedade. Agora posso dizer que estou muito feliz com o sucesso e por estar ao lado de grandes nomes da brasa”, conta.

A chef apresentou uma quesadilla com banana na brasa acompanhada de doce de leite, combinação que traduz a criatividade do prato. Sobre a presença feminina nesse ambiente, Mari destaca que as mulheres sempre estiveram na cozinha, mas o estigma surge quando essa atuação se profissionaliza. “Mulheres no topo, trazendo esse olhar empático para dentro das cozinhas. Me alegra ver cada vez mais mulheres ocupando esses lugares”, afirma.

Pioneiras e reencontros

Ao lado de Mari, Paula Labaki, referência nacional e pioneira na charcutaria, participa de todas as edições do festival. Veterana do evento, ela levou neste ano uma paella de embutidos artesanais.
“A cada ano o evento está maior e, nesta edição, tivemos um retorno maravilhoso do público”, destaca.

Paula Labaki, referência nacional e pioneira na charcutaria, participa de todas as edições do festival

Nara Ferreira/EM/DA. Press

Com o tema “Encontros”, Paula ressalta que o festival vai além da gastronomia e promove trocas de técnicas, experiências e reencontros entre profissionais do setor. “Além disso, ver cada vez mais as meninas crescendo juntas é incrível”, diz.

Outro nome importante nesse cenário é o de Lígia Karazawa, chef assadora e também pioneira no segmento. Ela lembra que, há cerca de 15 anos, era possível contar nos dedos o número de mulheres atuando no churrasco profissional.

“A recepção aqui foi excelente. Trouxemos duas mil porções e a fila não diminuiu. Sempre é positivo, porque aprendemos muitos estilos, técnicas e sabores. Eu sempre digo que adoro uma festa entre amigos, e este é o momento”, celebra.

Lígia apresentou um passeio gastronômico pelo Oriente com cortes suínos: picanha, prime rib e assado de tira, acompanhados, respectivamente, de molho cítrico com ervas e abacaxi tostado; molho de missô com batata rústica assada; e molho coreano com salada fresca.
Fogo, técnica e delicadeza. 

Priscila Deus, especialista em parrilla e técnicas de fogo, comandou uma fogueira com cordeiro do pampa ao molho tandoori e especiarias brasileiras

Nara Ferreira/EM/DA. Press

Também entre as chefs participantes, Priscila Deus, especialista em parrilla e técnicas de fogo, comandou uma fogueira com cordeiro do pampa ao molho tandoori com especiarias brasileiras, cenouras glaceadas com mel defumado e cuscuz amazônico.

A cena era resultado de um dia intenso de trabalho, que começou às 6h da manhã e utilizou 12 cordeiros ao longo da programação.

“Estou muito feliz. Meu amigo de longa data, Rubens Catarina, veio porque escutava toda hora alguém elogiando e precisou experimentar o que trouxemos”, conta, sorrindo.

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Para Priscila, que já participou de outra edição do evento, a presença feminina agrega sensibilidade sem abrir mão da técnica. “A mulher traz delicadeza junto com a boa cozinha”, resume.

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