“A história do povo preto foi contada por mãos brancas.” Com a frase da historiadora Beatriz Nascimento na cabeça, o artista e curador Gil Amancio idealizou o Espaço Experimental IAIA – Inteligências Ancestrais Afrodiaspóricas, cujo projeto será apresentado neste sábado (17/10), no Espaço do Conhecimento UFMG.
“Estamos contrapondo a IA e pensando quais seriam as outras inteligências. Disso criamos a IAIA - Inteligências Ancestrais Afrodiaspóricas e da Infância”, afirma o artista.
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O termo também é inspirado em línguas africanas, nas quais Yayá é associado à maternidade e ao conhecimento ancestral. O espaço experimental recebe atividades desde setembro e elas vão até fevereiro de 2027, com o objetivo de relembrar a história do povo preto.
“Temos que contar a nossa história a partir do nosso olhar. Então propus que a gente criasse um processo que fosse de levantar essa história para depois montarmos uma exposição. Assim criamos esse espaço experimental”, diz Amancio.
A partir das rodas de conversa e oficinas propostas, será possível construir obras para a futura exposição, que também deve ser realizada no Espaço do Conhecimento. Com curadoria de Gil Amâncio, Ray Ariana e Carina Castro, o local reúne artistas e pesquisadores em encontros, performances, oficinas e exibições audiovisuais.
A partir das 10h30 deste sábado (17/10), o curador e o músico Mauro Rodrigues realizam uma roda de conversa e apresentação musical. “Maurinho e eu trabalhamos desde 1991 com muita experimentação. Começamos com música eletrônica e fomos para outros exercícios. O espírito dessa apresentação é esse momento de criação, de improvisação, de conexão entre a voz, a percussão e o instrumento de sopro”, conta Amancio.
Ele diz que a ideia do projeto está totalmente atrelada ao pensamento da música preta: “A música negra tem toda uma tecnologia e um modo de produzir que conecta arte e ciência. A notação ociental não dava conta das músicas africanas, então foi criada a notação musical circular. Nós criamos modos de escrever nossa música. Uma conexão que foi apagada de nossa história e que queremos contar”, comenta.
A programação segue às 14h, com a roda de conversa “Ovulatório Racionais MC’s e Nego Bispo: RAPensando o território”. “Queremos trazer os conhecimentos das mais velhas, uma visão mais feminina, então substituímos a palavra seminário, que vem da fé cristã e dos padres e criamos o ‘Ovulatório’”.
No encontro serão discutidas as interseções entre a discografia dos Racionais e o pensamento de Nego Bispo, refletindo sobre os saberes dos territórios e as diferentes vivências da negritude proporcionadas por eles. A atividade é ministrada por Lelê Alves e Lídia Sousa, líderes do grupo de Estudos em Rap, História e Linguística Aplicada, vinculado à UFMG.
“ESPAÇO EXPERIMENTAL IAIA – INTELIGÊNCIAS ANCESTRAIS AFRODIASPÓRICAS”
Apresentação e conversa com Gil Amâncio e Mauro Rodrigues, neste sábado (17/10), às 10h30, no Espaço do Conhecimento UFMG (Praça da Liberdade, 700, Funcionários). Entrada gratuita.
*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes
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