Filmes contemporâneos mineiros ganham destaque na 6ª Semana do Cinema Negro, que começa nesta quarta-feira (14/10), ocupando novo local em BH: o Minas Tênis Clube, agora correalizador do evento em parceria com a Quiabo Produções. As sessões vão até domingo (18/10), com entrada franca.
“É sempre muito importante para a gente tanto pensar em alcançar novos públicos, quanto o nosso público conhecer outras salas de cinema que ofereçam acesso gratuito ou ingresso com valor mais baixo”, destaca Layla Braz, idealizadora do evento.
Esta edição correu o risco de ser cancelada por falta de patrocínio, mas o problema foi sanado. A convite de Samuel Marotta, curador das duas salas do Centro Cultural Unimed-BH Minas, a Semana se manteve, com programação gratuita.
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O cinema negro mineiro vem ganhando destaque em eventos como os festivais do Rio, de Brasília e de Gramado, que premiaram, respectivamente, os longas “Vicentina pede desculpas”, de Gabriel Martins, “Se fosse vivo… vivia”, de André Novais de Oliveira, e “Nosso segredo”, de Grace Passô, produzidos no estado.
Efraim Santos como Tutu em 'Nosso segredo', longa de Grace Passô, homenageada desta edição da Semana do Cinema Negro
O festival se inicia dando destaque à animação, exibindo “Ana, en passant” (2026), de Fernanda Salgado. A sessão ocorrerá às 19h, na Sala 1, com comentários da equipe do filme. A segunda sessão está marcada para o mesmo horário, na Sala 2.
“É um marco esta mulher negra conseguir alcançar outros formatos cinematográficos com uma produção mineira. Também damos destaque para pessoas que já contribuem com a Semana, como a produtora-executiva da animação, Fernanda Vidigal, que está conosco desde a segunda edição”, afirma Layla.
A produtora mineira Filmes de Plástico marca forte presença com um vencedor de prêmios: “Se eu fosse vivo… vivia” (2026). O longa, que marcou a abertura da CineBH 2026, será exibido sábado (17/10) às 20h.
“O Natal dos Silva” (2025), a série natalina de Gabriel Martins, também da Filmes de Plástico, estará em cartaz no sábado às 16h. O festival destaca as diferentes linguagens da produção audiovisual negra e atende o desejo dos realizadores de contato direto com o público.
“André não teve uma grande oportunidade de debate e conversa na primeira exibição de seu novo projeto, tão complexo. Gabriel nos trouxe a vontade do falar presencial”, informa Layla Braz. As duas sessões serão comentadas pelos cineastas.
No encerramento da programação, durante a sessão “Homenagem a Maria José Novais de Oliveira: Linguagem em expansão”, a diretora e atriz Grace Passô ganhará destaque.
Dirigido por ela, “Nosso segredo”, que venceu o Festival de Gramado nas categorias Melhor Longa-Metragem Brasileiro, Melhor Fotografia (Wilssa Esser) e Melhor Direção de Arte (Lucas Osório), estará em cartaz às 20h de domingo (18/10).
“Este é um momento especial, pelo filme e por Grace, que está no roteiro, atua e dirige. É artista múltipla. Nomeamos a sessão como “Linguagem em expansão” porque ela expande esses acessos”, explica Layla Braz.
Devido à agenda, a diretora não virá a BH, mas confirmou sua presença na próxima edição da mostra, que terá retrospectiva da carreira de Grace.
“A gente assumiu o compromisso de pensar sobre seus filmes, seu lugar no teatro e de conversar pessoalmente com ela para uma experiência completa”, adianta Layla.
Música ao vivo
O olhar da 6ª Semana contempla o presente e também fortalece o passado, divulgando filmes que poderiam cair no esquecimento. A versão restaurada sem trilha de “Body and soul” (1925), do cineasta estadunidense Oscar Micheaux, chega com música ao vivo executada pelo músico Negro Leo, às 18h30 desta quarta-feira (14/10).
“Charles Burnutt trouxe seus filmes restaurados no ano passado e continuamos neste caminho com projetos deste ano. A Semana assume o compromisso de pensar a preservação e a restauração com o objetivo final de dar acesso ao público a obras que já tinham o compromisso, muitos anos atrás, de representar corpos negros em tela”, explica a idealizadora.
Clássicos do cinema negro vão marcar presença nas sessões “Marlon Riggs 60 anos”, que comemora a trajetória do diretor americano, e “30 anos de Watermelon Woman”, exibindo o marco no cinema negro e queer.
A produção também vai ganhar destaque na Semana, com oficinas e aulas ministradas por Janaína Oliveira, Pedro Neves e Camila Kater para discutir coloração dos filmes, narrativa, produção de animação e fomento do cinema negro.
Working in progress
Dois estudos de caso vão refletir sobre a produção que vem sendo realizada na capital mineira. Os longas “Para onde haveremos de ir?” e “A jovem pajé” serão exibidos antes de serem finalizados.
“Antes mesmo de o filme estar pronto, já vai se poder falar sobre eles. É um working in progress. Abrimos para o público comentar antes da montagem final”, destaca Layla Braz.
Inscrições para estas sessões devem ser feitas até quinta-feira (15/10), por meio de formulário disponível no Instagram da Semana do Cinema Negro. As exibições ocorrerão sexta-feira (16/10), às 15h, e sábado (17/10) às 10h.
6ª SEMANA DO CINEMA NEGRO
Exibição de filmes e atividades formativas. Desta quarta-feira a domingo (14 a 18/10), no Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Programação online na plataforma UbuPlay. Ingressos gratuitos, com retirada uma hora antes de cada sessão, presencialmente. Confira agenda completa no Instagram (@semana.cinemanegrobh).
* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria
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