Fórum das Letras se concentra no legado de Guimarães Rosa
Com programação em Ouro Preto e Mariana, a partir desta terça-feira (13/10) , a 21a edição do evento tem como tema a obra do autor de "Grande sertão: Veredas"
compartilhe
Com início nesta terça-feira (13/10), em Ouro Preto, a 21a edição do Fórum das Letras celebra João Guimarães Rosa (1908-1967) com o tema “Do mundo e de Minas”. Quatro efemérides em torno da obra do escritor – os 70 anos da publicação de “Grande sertão: Veredas” e “Corpo de baile”, os 80 de “Sagarana”, além dos 90 do prêmio da Academia Brasileira de Letras para “Magma”, livro de poesia lançado postumamente – norteiam debates, apresentação de trabalhos acadêmicos e exposições.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
“Procuramos trazer autores que tivessem uma interface com Guimarães Rosa, com uma literatura regional e muito inventiva. A ideia foi que a programação interagisse, o tempo todo, com a obra”, comenta a escritora e professora Guiomar de Grammont, que divide a coordenação e curadoria do evento com Mônica Gama e Rita Lages.
Leia Mais
Atriz e escritora, Elisa Lucinda abre o evento, às 20h, com a apresentação de “Viver de poesia”, na Casa da Ópera. A programação, que será realizada em vários espaços da cidade histórica e da vizinha, Mariana, segue gratuita até o dia 22. Realizado pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), o Fórum das Letras vai dedicar as manhãs para a apresentação de trabalhos acadêmicos também em torno do legado de Rosa.
Na grade de debates, Guiomar destaca mesas com autoras: “A língua das mulheres terríveis” (14/10, às 19h, no Instituto de Ciências Humanas e Sociais, em Mariana), com as escritoras Fabiane Guimarães e Amara Moira, e “Animalidades” (17/10, às 14h, no anexo do Museu da Inconfidência, com Maria Esther Maciel e Carmen Stephen.
QUADRINHOS
Coautor, com o ilustrador Rodrigo Rosa, da adaptação de “Grande sertão: Veredas” para os quadrinhos, Eloar Guazzelli participa do debate “Literatura e memória em HQ” (15/10, às 19h, no anexo do Museu da Inconfidência). Terá ao seu lado João Marcos Mendonça. O valadarense, roteirista da Mauricio de Sousa Produções, é autor de “Doce amargo: Um relato em quadrinhos do maior desastre ambiental do Brasil”, sobre a tragédia em Mariana.
Três exposições abordam temas presentes nas histórias de Guimarães Rosa. “Terras brutas, cores do sertão”, na Galeria Nello Nuno, é assinada pelo artista visual Marcos A. Luiz.
O Museu Casa dos Contos traz duas mostras: uma com fotografias de Germano Neto, que refez o percurso do escritor pelo sertão, e outra com parte do acervo do documentarista Spírito Santo, dedicado às culturas afro-mineiras. Por fim, o ICHS-Ufop, em Mariana, reúne em “Sertão-mundo de Guimarães Rosa” fotos de Maureen Bisilliat e Germano Neto.
O conturbado período eleitoral não ficará de fora do Fórum das Letras. Os jornalistas Betina Anton e Leonardo Sakamoto estarão no sábado (17/10) em Ouro Preto, no debate “Onde vivem os monstros”, a partir das 16h30, no Anexo do Museu da Inconfidência. A noite vai terminar ao som de Celso Adolfo e Makely Ka, no show “A música na obra de Guimarães Rosa”, às 20h30, no mesmo local.
“Com poucos recursos, pois só temos a Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais), estamos realizando uma edição incrível”, comenta Guiomar. O tamanho do Fórum das Letras é, hoje, muito menor do que no passado. O apoio local foi essencial para a realização desta edição.
Não há nenhuma verba de leis de incentivo cultural no evento. “As universidade federais só podem entrar nas leis através de fundações credenciadas pelo MEC”, explica Guiomar. Com o fechamento da FEOP (Fundação Educativa de Rádio e Televisão Ouro Preto), vinculada à Ufop, a instituição ficou de mãos atadas. “Temos a Fundação Gorceix, só que ela atua mais nos cursos ligados às engenharias”, comenta.
“Não nos recuperamos até hoje do desastre que foi o governo Bolsonaro. A universidade ficou muito depauperada, perdeu equipamentos. Estamos conseguindo realizar tanta coisa este ano graças ao apoio de instituições locais, da Prefeitura e do Palavras – Festival de Literatura de Artes (evento que está ocorrendo em Ouro Preto). Mas ainda estamos nos organizando para conseguir um Fórum com o esplendor que ele teve no passado”, diz Guiomar.
ESCOLA DE MINAS
A Ufop comemora, desde o último sábado (10/10), os 150 anos da Escola de Minas com a primeira edição do Palavras – Festival de Literatura e Artes. Nesta terça (13/10), o evento celebra o legado do mineralogista Henri Gorceix (1842-1919), fundador da instituição, com série de debates em torno da presença francesa em Minas Gerais.
O programa, com três mesas, começa às 11h, no auditório da Escola de Minas. Membro da Academia Brasileira de Letras, o professor e escritor Godofredo de Oliveira Neto debate com o jornalista Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto. A conversa será sobre o diálogo entre os dois países na literatura, na ciência e nas artes.
Às 14h30, os historiadores Júnia Furtado e Luciano Figueiredo falam sobre França e Minas Gerais no período colonial. O pesquisador Paulo Rezzutti, criador da série “A história não contada” (também nome de seu canal no YouTube), conversa com Uoster Zielinski na mesa que encerra a jornada.
A dupla trata da relação entre D. Pedro II e as ciências – foi o monarca quem trouxe Gorceix para fundar a nova escola. Zielinski está lançando, pela Miguilim, “Escola de Minas de Ouro Preto – Livro do sesquicentenário”. Entrada franca.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia