A artista plástica e psicanalista Renata Laguardia lança seu primeiro livro, a coletânea de poemas “A céu aberto”, nesta terça-feira (15/9), às 19h, na Livraria Jenipapo . Natural de Belo Horizonte, ela vive atualmente em São Paulo e está completando 15 anos de carreira nas artes visuais.
“As pinturas que aparecem no livro são parte do meu trabalho durante esses 15 anos. Normalmente, são pinturas grandes, com cerca de 1,50 m, então minha ideia ao fazer o livro foi pensar se elas se comunicam com os poemas. Comecei a pensar na diagramação e vi que muitos tinham conexão uns com os outros, então decidi usar [as pinturas], mas não foi proposital essa conexão”, afirma.
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A coletânea se divide em duas partes: “Um tanto ao m(ar)” e “Um tanto à terra”. “Na primeira parte, eu estava preocupada com uma espécie de sinestesia, de fusão do sujeito com o entorno dele”, explica. O conceito é visto em poemas como “Em partes”, um dos preferido da autora.
Já para a segunda parte ela selecionou poemas mais pessoais. “A impressão é que em ‘Um tanto ao m(ar)’ tento subverter a linguagem, nossa experiência sensorial, enquanto no ‘Um tanto à terra’ falo de temas mais pessoais, como o poema ‘Sangra’, que fala sobre meu puerpério, que foi muito difícil.”
FLORESTA
“Normalmente se ama/ A mulher que é casa/ E de praxe ampara/ É comum acolher o que está para ser/ Ela. enquanto morada/ Ela então, mulher”, escreve em “Sangra”, ilustrado por pintura que representa uma floresta. O poema “Clarice” aparece ao lado de pintura que retrata uma mulher com vestido vermelho, luvas, chapéu e colar. Trata-se de Clarice Alves da Silva, descrita por Renata como sua “segunda mãe”.
“Ela me criou e a perdemos há mais ou menos sete anos, muito de repente. Foi uma daquelas mortes que ninguém estava esperando, ela sofreu um AVC. Então fiz esse poema pensando nela, em toda sua delicadeza, memórias. Me lembrei de quando ela me acordava para ir a escola, trocava muita roupa, me ajudava a colocar o uniforme com todo cuidado. Então, ele é muito sobre o que ela representa para mim”, conta.
Segundo a escritora, a inspiração para a escrita surge primeiro através da sonoridade. “É como se eu fosse um veículo, como se o poema já existisse, e eu sou a forma dele se materializar. Primeiro vem o som, depois a escrita dele, e depois vou lapidando. Tiro uma palavra aqui, outra ali, é a última etapa.”
Renata Laguardia precisa equilibrar profissões, já que além de artista, também é psicanalista. Sua rotina inclui em torno de dois atendimentos por dia, com o restante do tempo dedicado à pintura e à escrita. Ainda assim, a psicanálise se faz presente em suas obras e poemas. “As reflexões que faço invadem minhas produções. Se você pegar o livro para ler, vários dos conceitos psicanalíticos estão ali, sobre nossa relação com a linguagem, com as neuroses”, diz.
“O tão temido e inesperado/ Fato se deu/ Acontecimento/ Nada tendo de cimento ou aço,/ Vindo dar o ar da graça,/ Num ato,/ Como flecha,/ Que atravessa uma espessa camada/ Do eu/ Aconteceu a contingência/ O real cedeu”, escreve em “Contingência”.
“A CÉU ABERTO”
• De Renata Laguardia
• Onodera
• 130 páginas
• R$ 85
Lançamento nesta terça-feira (15/9), às 19h, na Livraria Jenipapo (Rua Fernandes Tourinho, 241, Savassi). Na quarta, às 19h30, no Centro Cultural Venda Nova (Rua José Ferreira Santos, 184, Jardim dos Comerciários). Na quinta, às 19h30, no Centro Cultural Usina de Cultura (Rua Dom Cabral, 765, Ipiranga). Entrada gratuita.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes
