Com fome, sem dinheiro e uma frustração daquelas, o homem, tal qual “um gato abandonado”, chega, sem saber como, no Última Parada. Seco por uma bebida, quer encher a cara, mas os pedidos insistentes ao garçom são ignorados. Depois de observar a balbúrdia, ele percebe que todos ali atendiam por nomes de santos: São Pedro, Santo Antônio, São Benedito.

Última Parada, o bar, dá nome ao primeiro romance de Francisco Falabella Rocha. Dramaturgo com várias peças encenadas – é filho dos diretores Carlos Rocha e Cida Falabella, atual secretária de Cultura de BH –, levou mais de uma década para concluir o livro, que será lançado nesta quarta (12/8), na Quixote Livraria.

Tom, o protagonista, voltará algumas vezes àquele lugar estranho com gente esquisita que nunca fecha as portas. A cada vez, de maneira diferente.

“Como é um romance em três partes, que acaba e começa de novo, exigiu certo estudo. Precisei de mais tempo para amadurecer enquanto escritor”, comenta Francisco, que nesse meio tempo lançou a coletânea de contos “Para a loucura ou o que ainda me resta” (2022).

“Última Parada” acompanha um homem perdido que precisa mudar para seguir em frente. “É um ser em transformação, que sai do mundo masculino e conservador em que vive para, no final, encontrar uma saída”, afirma o autor.

Reinvenção

O protagonista é fanático por livros – a boa literatura, diga-se – e acabou de deixar o emprego medíocre. Processa a agência de publicidade em que trabalhou por muitos anos e tenta se reinventar como professor de música. Perambulando por Belo Horizonte – cidade que ama e despreza com igual intensidade –, é acompanhado por outros personagens, como o melhor amigo, a namorada, o pai doente e a mãe que deixou a família.

“Belo Horizonte está um pouco em dívida com ele, que não reconhece a cidade que ama. No final, o grande apogeu vem com a transformação na cidade, com a ocupação dela”, continua Francisco, lembrando que há analogia com “A divina comédia”, de Dante, e sua relação com Florença, cidade natal do poema italiano. “Pensando numa atualização, com purgatório, inferno e céu”, observa.

Ainda que um romance “seja sempre uma vida alterada”, Francisco não deixa de trazer algo da própria vida para a trama ficcional. Colocar o bar como ponto central do livro tem a ver com a juventude dele, no Bairro Padre Eustáquio, cheio de botecos. “(A escolha) Tem a ver com a própria identidade de Belo Horizonte, conhecida como a cidade dos bares”, afirma.

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“ÚLTIMA PARADA”

• De Francisco Falabella Rocha
• Editora Minimalismos
• 240 págs
• R$ 70
• Lançamento nesta quarta-feira (12/8), das 18h30 às 20h30, na Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi)

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