Desde que pisou no palco pela última vez – em julho do ano passado, no show de encerramento da dupla Sá & Guarabyra, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes —, Luiz Carlos Sá vem se dedicando à estruturação da carreira solo. Gravou música em parceria com Ivan Lins e deu início à produção do novo álbum, que contará com participações de Chico César, Zé Ramalho, Almir Sater e Gabriel Sater.
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“Tem também esse negócio de mídia social, que toma um tempo danado”, diz o músico de 80 anos. “É uma mão de obra alucinante”, reclama.
Nesta sexta-feira (7/8), ele volta ao Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. Desta vez, para se apresentar ao lado de Beto Guedes, 14 Bis e Tuia no show “Bar Brasil – Canções, histórias e encontros”. Os ingressos estão esgotados.
O nome do espetáculo remete à tradicional cervejaria do bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, que serviu de ponto de encontro para artistas entre as décadas de 1970 e 1990. Reza a lenda que foi lá que Beto Guedes cantarolou pela primeira vez a melodia de “Sol de primavera”. Também foi ali que Sting parou para tomar uma gelada quando esteve na capital mineira, em 1987.
“Mas o que a gente realmente gostava de fazer lá era fofocar”, lembra Sá, aos risos. “Normalmente nos encontrávamos depois dos shows. Então, a última coisa sobre a qual queríamos conversar era música.”
Reza a lenda que foi na Cervejaria Brasil que Beto Guedes cantarolou pela primeira vez a melodia de 'Sol de primavera'
Cidadão belo-horizontino
Vivendo em Belo Horizonte há 20 anos – inclusive, em setembro, receberá da Assembleia Legislativa de Minas Gerais o título de cidadão mineiro –, Luiz Carlos Sá ainda era uma espécie de turista na cidade quando frequentava a cervejaria. Aproveitava as vindas para se apresentar ao lado de Guarabyra e estendia a estadia por uma semana, apenas para passar mais tempo com os amigos mineiros.
“Certa vez, um velho boêmio amigo nosso saiu completamente embriagado. Viu o Beto e o Ivan (Lins), parados, conversando, e quis abraçá-los. Quase derrubou os dois. Beto e Ivan tiveram que sair correndo, debaixo de chuva, para fugir. Foram parar na Avenida do Contorno”, conta.
Como o próprio nome sugere, “Bar Brasil – Canções, histórias e encontros” será uma reunião de amigos, repleta de histórias para contar. Mais do que isso, porém, o espetáculo é feito de músicas.
Separadamente, Beto Guedes, 14 Bis e Luiz Carlos Sá enchem facilmente duas mãos apenas com sucessos. Não à toa, Sá aconselha o público a levar pastilhas, “porque vai cantar do início ao fim”. No palco, o 14 Bis, além de apresentar as próprias canções, assumirá o papel de banda de apoio, percorrendo um repertório repleto de clássicos de cada artista. Entre eles, “Caçador de mim” e “Jesus numa moto”, dos tempos do trio Sá, Rodrix & Guarabyra.
Tudo bem amarrado
A escolha das atrações de “Bar Brasil – Canções, histórias e encontros” também é significativa e, silenciosamente, traça uma curiosa linha do tempo. Um dos fundadores do Clube da Esquina, Beto Guedes inspirou os músicos do 14 Bis e quase integrou a banda, a convite de Flávio Venturini, então vocalista do grupo. Só não aceitou porque seu filho, Gabriel Guedes, estava prestes a nascer.
Claudio Venturini e Hely Rodrigues em show do 14 Bis, que roda o país festejando seus 45 anos
O 14 Bis, por sua vez, além de beber na fonte das composições do Clube da Esquina, foi banda de apoio de Sá & Guarabyra na década de 1970. Entre 2015 e 2025, os músicos voltaram a dividir o palco na turnê “Encontro marcado”, que também contou com Flávio Venturini.
Caçula do espetáculo, o paulista Tuia dá continuidade ao rock rural de Sá & Guarabyra e já se apresentou com os dois músicos separadamente em diversas ocasiões. É ele quem se propõe a manter vivo o estilo.
“É um gênero que não teve ainda uma redescoberta”, afirma. “Até hoje é meio alternativo. Tem uma galera fazendo um som legal e muita gente curtindo, mas não houve uma celebração, por assim dizer, na mídia. O próprio Almir Sater, Renato Teixeira e Zé Geraldo já estavam em baixa na carreira na década de 1990, quando os conheci”, lembra Tuia.
Embora apresente músicas autorais, ele interpretará canções de outros artistas no show desta sexta-feira. Entre eles, Tavito. “Um dos caras mais especiais da minha vida e com quem mais tive amizade”, conforme revela.
O cantor e compositor paulista Tuia é um dos principais responsáveis por manter vivo o rock rual enquanto gênero
“Tuia é um intérprete muito prolífico”, elogia Sá.
“Bar Brasil – Canções, histórias e encontros” segue para São Paulo e Rio de Janeiro nos próximos meses. Ainda assim, é bem provável que retorne em breve à capital mineira. Afinal, um espetáculo de reencontro entre amigos dificilmente deixará de reencontrar seu público.
“BAR BRASIL – CANÇÕES, HISTÓRIAS E ENCONTROS"
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Nesta sexta-feira (7/8), às 21h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos esgotados.
