Baiana de Salvador e “mineira de Gonçalves”, Pachamanca escolheu esta pequena cidade do Sul de Minas para viver em 2009, depois de se formar em administração, fazer carreira, morar em São Paulo e nos Estados Unidos. Há 17 anos, trocou o estresse da vida agitada pelo contato com a natureza e o ritmo sereno da Serra da Mantiqueira. 

Em sua jornada sul-mineira, Pachamanca abriu restaurante e manteve espaço de arte gratuito para as crianças em Gonçalves. Nesta sexta-feira (31/7), ela apresenta a exposição “Quando a Alma A cor da”, que será aberta às 18h, no Gabinete de Curiosidades, no centro da cidade.

“Minhas obras são uma oferenda à terra e ao povo que nela vive, um gesto ritual de reconhecimento às forças invisíveis que moldam a vida”, afirma a artista no material de divulgação distribuído pelo espaço cultural.

Pachamanca se dedica à chamada arte visionária, cujas criações e estética extrapolam o mundo físico, valorizando a dimensão espiritual da existência. 

“Pequenos círculos que formam um traçado sinuoso e contínuo percorrem toda a tela. Os tons telúricos e pulsantes – marrom, ocre, terracota, laranja – preenchem os espaços definidos pelo traço inicial, conferindo novas formas, movimentos e colorido”, informa o Gabinete de Curiosidades.

“Sua arte visionária possui a capacidade singular de deslocar o espectador", afirma o curador Rui Neuenschwander. "A busca da transcendência empreendida pela artista convoca cada olhar a deixar de ser mera testemunha para tornar-se participante de uma experiência sensível, na qual a contemplação se transforma em estado de presença. Em estado de graça”, escreve Rui no catálogo da exposição.

'Desafio', pintura de Pachamanca para a exposição 'Quando a Alma A cor da'

Christian Sievers/reprodução

“A obra deixa de ser apenas imagem e passa a constituir um experimento que, por vezes de maneira quase imperceptível, modifica a paisagem interior de quem a encontra”, prossegue o curador. Ele chama a atenção para a conexão do espectador com “o território da antepalavra” e o “tempo suspenso” desta experiência, “um tempo que não se mede, apenas se habita”.

Inspirada em memórias, afetos e na ancestralidade, esta mulher preta que estreia nas artes plásticas traz consigo o legado baiano, com suas cores e símbolos. 

Profetisas do cerrado

Aliás, Pachamanca participou da série documental “Resto do mundo”, dirigida pelo mineiro Diego Zanotti, sobre moradoras da Chapada Diamantina, com seus saberes, intuições e crenças. Elas são as “profetisas da caatinga”, definiu Zanotti. A docussérie está disponível no canal da produtora independente Cinema Invisível no YouTube.

Pois a “profetisa da Mantiqueira”, na exposição “Quando A Alma A cor da”, levou para suas 11 telas temas caros ao mundo contemporâneo: “livre-arbítrio”, “coragem”, “resiliência”, “entusiasmo”, “desafio”, “autenticidade”, “aceitação”, “santa morte” e “renascimento”. A essas pinturas se juntam os 10 desenhos da série “Faces da gratidão”.

Desenho da série 'Faces da gratidão', de Pachamanca

Christian Sievers/reprodução

Pachamanca define sua estreia nas artes plásticas como ato de entrega. “Um chamado para lembrar que a vida, em sua essência, é um diálogo constante entre o abstrato e o real”, afirma ela no catálogo da mostra.

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'QUANDO A ALMA A COR DA'

Pinturas e desenhos de Pachamanca. Curadoria de Rui Neuenschwander. A mostra será aberta na sexta-feira (31/7), às 18h, no Gabinete de Curiosidades, Rua Joaquim Ferreira de Souza, s/nº, Centro de Gonçalves, Sul de Minas. Funcionamento: sexta e sábado, das 10h às 18h; domingo, das 10h às 14h. Até 30 de agosto. Informações/WhatsApp: (31) 97122-2829.

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