A expressão malungo, de origem kikongo, língua conga, é usada por africanos no Brasil para se referirem àqueles com quem possuem relações de amizade e parceria. Segundo pesquisa da Universidade Federal Fluminense, malungos atravessavam o oceano no mesmo navio, durante tráficos transatlânticos.
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Em Belo Horizonte, o termo vem ganhando mais um significado. Em 2024, foi criada a banda Malungo, formada por Flávia Ellen (voz), Léo Lana (voz e percussão), Valéria Santos (voz e percussão) e Max Hebert (sanfona). O primeiro disco do grupo, “Costuras”, que acaba de ficar pronto, terá show de lançamento neste domingo (5/7), no BarZenho.
Inicialmente, a banda foi batizada como Forró de Malungo, já que esse era o principal gênero tocado por eles. O “forró” deixou o nome quando o grupo decidiu que iria se aventurar também por ritmos característicos da música mineira, baiana e pernambucana.
“Percebemos que era muito legal quando fazíamos releituras de outras canções, mas com uma identidade muito nossa. Por isso decidimos que não seria só forró”, afirma Flávia Ellen.
“Costura” tem oito faixas – seis autorais e duas releituras – que tratam de amor – não apenas o romântico. Para a vocalista, é o sentimento mais vivido em comum pelas pessoas. As duas releituras presentes no disco são “Jack soul brasileiro” (Lenine) e “Pétalas” (Alceu Valença e Heberth Azzul).
“O amor é algo muito amplo, ficamos muito ligados ao amor romântico. Mas, por exemplo, amo o Léo, ele é como um irmão para mim, amo a filha dele, temos também as relações de parentalidade, amizade, tem a minha esposa com quem tenho uma relação afetiva romântica. Tem muitos amores no mundo. Por que não falar de amor? Acho que esse é o motivo máximo para a gente viver”, diz a vocalista.
Possibilidades
Segundo o percussionista Léo Lana, a escolha de “Costura” como título do disco não foi casual. “A essência do nosso repertório, do nosso show, passa por essas três referências da música brasileira: mineira, baiana e pernambucana. A ideia é fazer essa costura, misturar isso tudo. É um grande caldeirão de possibilidades, a partir do momento em que assumimos esses três pontos de referência.”
Léo e Flávia destacam Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Gilsons e Rachel Reis como alguns dos artistas que influenciaram a musicalidade do disco. “Malungo” é também o nome de uma das faixas.
Léo Lana conta que a ideia para a composição, assinada por ele e por Flávia Ellen, surgiu em um momento no qual os dois estavam em um pátio de escola. “Menino, levanta depressa e vem pra ribeira/ Pega o seu pandeiro, vem tocar tambor/ Menina, levanta depressa, sacode a poeira/ Salta e vem correndo, vem tocar tambor/ Tambor de capoeira/ Tambor de crioula”, dizem os versos.
“Pensei: ‘quem é esse malunguinho aí?’. É uma criança brincante que está ali pulando corda, de repente está rolando um pneu, em busca de desbravar todo o pátio, uma quadra, um espaço que é dela e para ela estar ali brincando. A composição surge daí. Fala de sentimentos e dessa busca que temos de falar sobre o que nos representa, que nos trouxe até aqui, como a ancestralidade”, explica o percussionista.
Léo Lana e Flávia Ellen são os convidados desta semana do Podcast Divirta-se, do Estado de Minas, disponível no canal do YouTube do Portal Uai e no Spotify.
“COSTURA”
Show de lançamento do disco da banda Malungo, neste domingo (5/7), às 15h, no BarZenho (Rua Itapecerica, 865, Lagoinha). Ingressos a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda no Sympla e na portaria local.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes
