NA BIBLIOTECA PÚBLICA

Tradutora e escritor firmam aliança bem-sucedida

Ana França e Marcílio França Castro participam de bate-papo em BH, nesta quinta (11/6), sobre o delicado processo de conversão de livros para outras línguas

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Quando a tradutora Ana França leu o livro “O último dos copistas”, de Marcílio França Castro, lançado em 2024, resolveu torná-lo um projeto de vida. Ela adotou a obra como objeto de estudo em sua dissertação de mestrado e propôs à editora argentina Ampersand a tradução para o espanhol, para publicação, em 2027, na Espanha, Uruguai, Colômbia, México e Chile.

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Dado o sinal verde, Ana teve o projeto de tradução aprovado e financiado pela Lei Aldir Blanc/PNAB. Esse processo ensejou o bate-papo do autor e da tradutora, com mediação da professora Ana Utsch, da UFMG, que será realizado nesta quinta-feira (11/6), às 19h, na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21, Funcionários).

Ana explica que a conversa faz parte do projeto apresentado à PNAB. “Tradução é uma atividade muito solitária, em que faltam as trocas, as companhias, então é um jeito de publicizar esse processo que, muitas vezes, permanece encerrado. É uma forma de compartilhar”, diz.

Trabalho precário

“O último dos copistas” a cativou por ser bem escrito e apontar para direções de leitura diferentes. “O livro aborda copistas do século 16 e revisores do século 21, tratando um pouco da precariedade do trabalho de ambos. Eu, como leitora e tradutora, me vi muito no meio dessas questões. Traduzir também é escrever, mas a ideia de autoria da tradução é frequentemente invisibilizada”, observa.

Primeiro romance de França Castro, o livro venceu o Prêmio de Literatura de São Paulo em 2025. Ana diz que seu trabalho com “O último dos copistas” oferece várias abordagens. Observa que o livro tem um nível de detalhe e cuidado, na diversidade lexical, por exemplo, que ela tentou manter na tradução.

“Se Marcílio usa as palavras povoado, vilarejo e cidadezinha, eu preciso procurar três equivalentes diferentes na língua de destino, apesar de significarem a mesma coisa. Isso se dá em campos semânticos distintos”, diz.

“É um romance híbrido, que abre com ensaio e depois vai para a narração, que traz várias marcas de oralidade e coloquialidade, entrecortadas por alguns cartões-postais, que têm registro um pouco mais poético, em função da relação com as imagens. Procurei manter essa riqueza e essa diversidade. Tentamos, também, identificar o que é mais idiomático no livro, o que flui melhor na língua de origem e na de destino”, ressalta.

O autor diz que deixou o trabalho de tradução inteiramente nas mãos de Ana, atendendo apenas a consultas pontuais. França Castro preferiu não interferir por uma questão de ética e de competência, já que o espanhol não é uma língua que domina.

“Fiz questão de ficar do lado de cá. Trocávamos algumas ideias sobre passagens em que ela tinha mais dificuldades. Discutimos algumas questões, relativas ao sentido exato de uma palavra ou sobre uma ambiguidade ser necessária ou não”, destaca.

Fidelidade

A transposição de um sentido mais peculiar ao território brasileiro, de maneira a torná-lo familiar para o leitor de língua espanhola, ou sua manutenção também foi objeto de discussão.

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Ele diz que Belo Horizonte, cenário da narrativa que se segue ao ensaio, imanta os elementos que aparecem no romance com aspectos inerentemente atados à cidade. “Isso é possível traduzir? Este foi um ponto que discutimos, o que poderia ser transposto para outra cultura e o que deveria ser mantido fiel à local”, ressalta.

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